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sábado, 3 de fevereiro de 2018

20 dicas para aumentar a eficiência do uso de fertilizantes

Por SF Artigos* em 01/02/2018.




A resposta das culturas à aplicação de fertilizantes depende de vários fatores. Conhecê-los e intervir com planejamento em pontos críticos é essencial para aumentar a rentabilidade da atividade, uma vez que o manejo da fertilidade no sistema de produção representa quase um terço do custo variável de lavouras. Neste sentido, atente-se para os seguintes pontos:

  1 – Tipo de solo 

Identifique o tipo de solo, declividade, profundidade, presença de camadas de impedimento, drenagem e outros fatores que possam diminuir a absorção e utilização dos nutrientes pelas plantas e aumentar a perda por escorrimento superficial ou lixiviação para zonas mais profundas onde as raízes não chegam.   

2 – Produtividade

Avalie as reais expectativas de produtividade da cultura para a sua região, considerando, além do nível de investimento utilizado, a janela de semeadura, pois perdas das melhores épocas de semeadura, por excesso ou falta de chuva, geralmente influenciam as produtividades finais alcançadas.   Planeje o calendário de semeadura e realize os serviços de preparo da área na época ideal para proporcionar o melhor ambiente de desenvolvimento das culturas. Utilize como base o zoneamento de risco agroclimático para o seu município (clique aqui para acessar).   

3 – Análise de solo

Só manejamos bem o que conseguimos medir e conhecer. Faça a análise e a interpretação dos resultados previamente à compra e utilização dos fertilizantes. Essa ferramenta muitas vezes vem sendo negligenciada, apesar do seu baixo custo. Um plano de amostragem bem feito, representativo, é essencial na obtenção de sucesso.   Não pare na análise química, avalie a compactação, a estrutura do seu solo, abra trincheiras e use o DRES (Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo) desenvolvido pela Embrapa e disponível em https://www.embrapa.br/dres (leia mais: saiba onde e como diagnosticar a fertilidade da sua terra).   

4 – Fontes alternativas

Avalie fontes alternativas de nutrientes disponíveis na região, especialmente estercos e outros resíduos orgânicos que atuam como condicionadores do solo e, dependendo do caso, podem aumentar diretamente a eficiência do uso dos formulados minerais NPK quando aplicados em conjunto.   

5 – Solo protegido

Mantenha o solo coberto e protegido do excesso de sol, chuvas e ventos. Considere a utilização de plantas de cobertura, especialmente leguminosas, que têm a incrível capacidade de economizar fertilizantes nitrogenados, em especial, para a cultura sucessora.   Não se deve esquecer que o uso de plantas de cobertura promove outros benefícios para o solo e o sistema. Braquiárias são bombas de potássio que reciclam este nutriente, trazendo-o de camadas mais profundas para as mais superficiais, onde se concentra a maior parte das raízes das plantas. E ainda servem para alimentar animais em períodos de escassez de volumosos.   

6 – Investimento

Dimensione o investimento em nutrientes para aplicar somente os níveis necessários para o pleno desenvolvimento e exportação da cultura em anos de baixo preço de venda, e condições de solos com teores satisfatórios de nutrientes. Ou fortaleça os investimentos em condições de preços favoráveis (fertilizantes em preços viáveis e de venda satisfatória) visando a obtenção do máximo retorno econômico e a construção da fertilidade do solo. Além das doses de fertilizantes, deve-se considerar a qualidade do fertilizante, havendo aqueles que apresentam maior valor agregado com novas tecnologias incorporadas (de maior custo).   

7 – Demanda 

Conheça o momento de maior demanda pelas plantas. É neste estádio que os nutrientes devem estar disponíveis! O parcelamento de alguns fertilizantes promove incrementos na produtividade em algumas condições; contudo, deve-se considerar o custo de aplicação.   

8 – Sustentabilidade

Invista em sistemas de produção sustentáveis que aumentem e mantenham os níveis de matéria orgânica do solo entre 3 e 5%, tais como os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, sistemas intensificados de plantio direto e outros. Aumentos de matéria orgânica levam anos, talvez décadas, de um trabalho bem feito, mas que garante resultados positivos. Matéria orgânica representa um solo vivo, saudável e produtivo.   

9 – Uniformidade

Aplique os nutrientes e condicionadores de solo de maneira uniforme, nos locais certos. Atualmente, há implementos que apresentam inovações simples que promovem uma adequada aplicação do fertilizante na semeadura.   Invista tempo na regulagem e calibragem das máquinas. Uma aplicação de calcário, gesso ou adubações de cobertura de N e/ou K, por exemplo, deve sempre ter uniformidade e regulagem na distribuição transversal para definir a largura efetiva que garante bons resultados e retorno econômico.   Cuidado com fertilizantes de alto poder osmótico (salinizante) que podem causar estresse salino e interferir nos processos de germinação das sementes e emergência das plântulas (cloreto de potássio, por exemplo).   

10 – Rotação de culturas

Diversifique as culturas! Rotações de culturas geram benefícios de médio a longo prazo aos sistemas de produção. Considere perder um pouco no início para ganhar mais ao longo do tempo, inclusive como uma estratégia de gestão de riscos. Lembre-se que a atividade agropecuária é inerentemente uma atividade de risco. Aplique o sistema plantio direto pleno, com uso de plantas de cobertura para geração de palhada, baixo revolvimento do solo e rotação de culturas.   

11 – Irrigação

Invista em irrigação. Sistemas irrigados geram maior eficiência no uso de nutrientes. Plantas “bebem” nutrientes, nada adiantando aplicar fertilizante se não houver água no solo. Plantas irrigadas produzem mais, apresentam menores riscos e maiores taxas de eficiência no uso de diversos nutrientes, especialmente quando se usa a fertirrigação.   

12 – Análise foliar

Utilize a análise foliar. Essa tecnologia, poucas vezes utilizada, fornece informações de enorme valor ao empreendedor rural. Detecta com precisão se todos os fatores que interferem na produtividade estão ou não apropriados para que ocorra a adequada absorção e utilização dos nutrientes dos fertilizantes pelas plantas.   É o exame de sangue tradicional do médico, que fazemos na maioria das consultas e checkups, mas para as plantas. Se possível, utilize-se de sistemas de interpretação avançada dos resultados, como o DRIS (Diagnosis and Recommendation Integrated System), de bases nacionais, como a disponibilizada pela Embrapa para a cultura da soja (acesse aqui).   

13 – Adubação foliar

A adubação foliar deve ser realizada com critérios técnicos refinados. As melhores respostas têm sido observadas para micronutrientes e em situações específicas. Avalie as porcentagens dos nutrientes, mas não se esqueça de verificar a densidade do produto. Fertilizantes quelatizados apresentam comportamentos benéficos em determinadas situações.   Verifique a fonte dos nutrientes. Algumas, como as baseadas em cloretos, podem gerar queimas foliares em determinadas condições. Busque empresas consolidadas e que ofereçam qualidade comprovada dos produtos. Se utilizar fertilizantes líquidos com outros produtos, realize pré-misturas antes de colocar no tanque para verificar incompatibilidades. Exija essas informações das empresas.   

14 – Inoculantes

Considere o uso de inoculantes. Atualmente tem-se verificado muitos efeitos benéficos desse insumo em culturas além da soja. A coinoculação já é uma realidade.   

15 – Conservação de recursos

Cuide da conservação do solo e da água. Terraços, semeadura em nível, barragens e outras técnicas são essenciais, mesmo em sistemas com grande aporte de palha e paisagens planas.   Solos com apenas 1% de declividade já necessitam e se beneficiam de práticas de conservação, e o seu bolso também. Cuidado com a compactação do solo, mas mais cuidado com práticas que não têm demonstrado efeito benéfico e econômico para resolver esse problema potencial.   

16 – Controle de pragas

Use práticas de controle integrado de pragas como medidas de proteção para evitar perdas de produtividade e, indiretamente, perdas na eficiência no uso dos fertilizantes.   

17 – Produtos fluidos

Armazene os fertilizantes fluidos em recipientes rotulados e/ou estruturas que evitem o vazamento e que sejam resistentes à corrosão, a furos ou a rachaduras. Verifique periodicamente se há decantação no fundo da embalagem.   

18 – Fertilizantes secos

Armazene adequadamente e manipule fertilizantes secos de forma a evitar perdas.   

19 – Planejamento de compras

Compre antecipadamente. Negociações em ‘pools de compra’ também garantem um menor preço por ponto de nutriente adquirido.   

20 – Boas sementes

Invista em cultivares modernas responsivas em casos de lavouras de alto investimento em insumos e tecnologia, e, em situações de menor potencial produtivo, opte por cultivares de menor preço de semente para investimentos menores.   

Tecnologia e assessoria técnica Lembre-se que, na atividade agrícola, o produtor deve buscar sempre se modernizar e se atualizar, mas, apesar de todo o planejamento, a agricultura ainda é uma arte e um grande desafio com surpresas ocorrendo em cada safra. Portanto, o investimento em uma boa assessoria técnica representa um retorno seguro ao investimento de sua lavoura.   

Alguns novos procedimentos têm surgido no manejo do uso de fertilizantes, com avanços no manejo por zonas na agricultura de precisão com aplicações em taxas variadas, uso de sensores para detectar estresse em campo e coleta de dados, tal como uso de drones em imagens NDVI (Índice de Vegetação da Diferença Normalizada) e outros índices; uso de aplicativos e sistemas de alertas baseados em inteligência artificial; análises de outros tecidos vegetais em diferentes épocas, inclusive mais cedo para intervenções na própria safra, dentre outros, mas que são especificidades e não estão amplamente consolidadas como boas práticas agrícolas para o manejo de nutrientes. Caso essas inovações estejam disponíveis, seja prudente. Use novas técnicas, práticas de manejo e produtos em áreas menores antes de aplicar em toda a propriedade.   Teste, experimente, avalie! O que pode funcionar no vizinho não necessariamente funcionará com você, mas as chances são altas, se devidamente adaptado e adotado. Esteja sempre alerta para soluções milagrosas, que prometem sacas a mais, mas que não apresentem resultados variados e de pesquisas de órgãos oficiais isentos.  

 * Artigo escrito por Alexandre Martins Abdão dos Passos, Pesquisador, Doutor em Fitotecnia, Embrapa Milho e Sorgo, Sete Lagoas-MG; Flávia Cristina dos Santos, Pesquisadora, Doutora em Solos e Nutrição de Plantas, Embrapa Milho e Sorgo, Sete Lagoas-MG e por Manoel Ricardo de Albuquerque Filho, Pesquisador, Doutor em Solos e Nutrição de Plantas, Embrapa Milho e Sorgo, Sete Lagoas-MG.

Artigo original do site SF Agro | Farming Brasil: http://sfagro.uol.com.br/eficiencia-fertilizantes/

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Conheça as vantagens do sorgo silageiro para a produção de silagem

Farming Brasil em 28/11/2017

sorgo silageiro - sorgo - cultura do sorgo - produção de sorgo - farming brasil

Dos 628.500 hectares plantados com sorgo na safra 2016/2017, 309.114 hectares foram semeados com o sorgo forrageiro, destinado à produção de silagem. Os dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e da APPS (Associação Paulista dos Produtores de Sementes e Mudas) revelam uma crescente evolução da área plantada com o sorgo silageiro desde a década de 1990. “É uma cultura que vem aos poucos ganhando espaço em razão das instabilidades climáticas dos últimos seis anos nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste”, diz Dimas Cardoso, supervisor de desenvolvimento de produtos para silagem da empresa Riber KWS, licenciada da Embrapa para comercialização da cultivar de sorgo forrageiro BRS 658.

De acordo com comunicado da Embrapa, esse sorgo foi lançado na última safra, quando foram disponibilizadas cerca de 40 toneladas de sementes. A empresa ampliou a oferta este ano para 240 toneladas, que serão suficientes para o plantio de aproximadamente 24 mil hectares. “Todo esse volume está disponibilizado no mercado, em cerca de 200 revendas parceiras distribuídas em 123 cidades e em oito estados brasileiros”, diz José Benevides Romano, gerente comercial da Riber KWS. “Até o momento, os principais volumes comercializados foram feitos para as regiões Sul e Sudeste e para os estados de Goiás e Bahia”, comenta. A região Sudeste é a principal produtora de sorgo silageiro, com 107.606 hectares semeados na última safra, seguida das regiões Sul (99.459 hectares) e Centro-Oeste (com 81.436 hectares).

   Sorgo silageiro 

A cultura do sorgo é mais tolerante a condições de estresse hídrico que outros cereais, como o milho, por exemplo. “Aliada a essa característica, o cultivo vem crescendo em condições de safrinha em sucessão ao milho e à soja e, principalmente, com o problema crescente dos ataques da cigarrinha na cultura do milho. O sorgo tem um apelo muito forte por apresentar um custo de produção inferior e ter bons rendimentos, além da possibilidade de ser usado no sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), na recuperação de pastagens degradadas”, afirma Dimas Cardoso. Segundo ele, uma das grandes dificuldades é ainda o plantio correto, o que demanda treinamento para produtores e prestadores de serviço, como também disponibilidade de discos adequados da semeadora.

Para o especialista em silagem é necessário desvincular a cultura do sorgo da característica de rusticidade. “Não existe alta produtividade sem extração ou exportação de nutrientes. O sorgo é rústico em relação à seca, mas mostra um nível de extração semelhante à cultura do milho. Quando se combina alta população de plantas e adubação insuficiente, ocorrem as principais reclamações: alto índice de acamamento, esgotamento da fertilidade do solo e consequências negativas na produtividade da cultura sucessora”, diz. “Trabalhando corretamente, essas reclamações não ocorrem”, afirma.

   Semeadura do sorgo silageiro 

Ainda segundo Dimas, outro detalhe importante é a profundidade de semeadura. “Quando mais raso, sem que as sementes fiquem descobertas, melhor. Por isso, um solo bem nivelado é fundamental. O produtor deve ter atenção na pressão das molas do conjunto da semeadora para manter a profundidade adequada, que está entre três e quatro centímetros. Profundidades acima de cinco centímetros dificultam a germinação e o vigor inicial das plântulas”, alerta. Um dos diferenciais das sementes da cultivar BRS 658, segundo o especialista, é o tamanho. “São maiores e de fácil plantabilidade em relação às demais”, reforça. Outra informação importante é a necessidade de atenção à velocidade de plantio – estabelecida em 5 km/h – para melhor distribuição e fluxo das sementes.

   Desenvolvimento do sorgo silageiro 

O híbrido silageiro BRS 658 foi desenvolvido por uma equipe liderada pelo pesquisador José Avelino Santos Rodrigues, da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG). O que se buscou durante as etapas de melhoramento genético da cultivar foram sete características: alta produtividade de massa; alta proporção de grão; bom padrão de fermentação; boa digestibilidade; resistência a doenças; eficiência nutricional; e resistência ao acamamento. “O BRS 658 veio para o segmento de produção de silagem de qualidade e é resultado de um trabalho de quase 10 anos de pesquisa”, diz.   

José Avelino, melhorista da cultura do sorgo há 41 anos, diz que a nova cultivar apresenta boa capacidade de rebrota e possui um sistema radicular muito bem desenvolvido, o que confere resistência ao acamamento. Defensor do cultivo do sorgo, Pio, como é mais conhecido, traz uma carta poderosa na manga em tempos de escassez de chuva: enquanto o milho gasta 500 kg de água para produzir 1 kg de matéria seca, em média, o sorgo produz a mesma quantidade com 400 kg de água.   

  Híbrido BRS 658 

Híbrido simples de sorgo forrageiro de porte alto (média de planta: 260-280 cm de altura), precoce (100-110 dias do plantio até a colheita, grãos leitosos/pastosos), resistente ao acamamento. Apresenta alto nível de produção de forragem (média de 50 a 60 toneladas de matéria verde e de 15 a 18 toneladas de matéria seca por hectare), colmo seco, insípido, grãos de cor bronze, moderadamente resistente à ferrugem, à antracnose e à helmintosporiose, informou a Embrapa em comunicado.

   Informações técnicas 

Florescimento: 75 a 80 dias 
Ponto de ensilagem (grãos leitoso/pastoso): 100-110 dias 
Altura de plantas: 260 cm 
Altura de pedúnculo: 15 cm 
Tipo de panícula: semiaberta 
Cor do grão: bronze 
Cor do endosperma: branco 
Tipo do endosperma: semiduro 
Tipo de colmo: seco 
Peso de 1.000 grãos: 28 gramas 
Acamamento: resistente 
Rendimento de massa verde: 50 a 60 toneladas por hectare 
Rendimento de massa seca: 15 a 18 toneladas por hectare   

Reação a doenças 

Antracnose: moderadamente resistente 
Ferrugem: moderadamente resistente 
Helmintosporiose: moderadamente resistente 
Regiões recomendadas: Sul, Centro-Oeste e Sudeste 
Densidade de plantas (recomendada): 120 mil plantas por hectare 
Quantidade de sementes: 6 a 8 kg/ha   

Onde encontrar

 Riber KWS Sementes (Patos de Minas-MG) Núcleo de Atendimento ao Cliente (NAC) Tel.: (34) 3818-2009 Site: www.ribersementes.com.br E-mail: sac@ribersementes.com.br

Artigo original do site SF Agro | Farming Brasil: http://sfagro.uol.com.br/sorgo-silageiro-silagem/