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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Governo Trump pode entregar de bandeja 115 milhões de consumidores para o Brasil

Por:  -Giorgio Dal Molin 



Assim que as novas cartas do NAFTA estiverem na mesa e México, Estados Unidos e Canadá terminarem o jogo, o Brasil é candidato a ser o vencedor. A próxima negociação entre os países do tratado comercial do Atlântico Norte será essencial para definir a estratégia brasileira para conquistar, de vez, um novo parceiro: os mexicanos.
“A previsão passada pelo Itamaraty é que [a situação comercial entre os países do Norte] se estenda até o final do primeiro trimestre de 2018”, afirma a assessora de Negociações Internacionais, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Camila Sande.
E será nesse momento que o Brasil ‘partirá para o ataque’. “O momento é delicado em função do Governo Trump, então vamos acompanhar a renegociação em relação a produtos agrícolas. Eles (México e Estados Unidos) têm uma relação consolidada no ambiente empresarial. Não acreditamos que o México vai parar de comprar [dos EUA], mas tudo depende de tarifas e acessos [de um país ao mercado do outro]”, explica Camila Sande.
Acordo comercial: Brasil México
Nos bastidores, Brasil e México já vêm se aproximando. No primeiro semestre, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, se reuniu com o secretário de Economia do México, Ildefonso Guajardo, durante o Fórum Econômico Mundial para América Latina.
Na última semana, o Governo do Brasil e a CNA estiveram em encontros da Coalizão Empresarial Brasileira (CEB), na sede do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em Brasília. O interesse é ampliar o Acordo de Complementação Econômica (ACE - 53), firmado entre Brasil e México em 2002 para setores industriais e agrícolas, criar novas regras e facilitar o comércio e barreiras não tarifárias.
“É um acordo que começou a ser negociado [em 1996], antes da decisão do Mercosul de que os países membros teriam de negociar somente em bloco, o que permite uma negociação bilateral com o México”, afirma Sande.
México: alimentos importados
E por que tanto interesse no México? “É um mercado importador líquido de alimentos, com cerca de 80% a 90% vindos dos Estados Unidos e Canadá”, destaca a especialista.
Ao todo, mais da metade do consumo de alimentos dos 115 milhões de habitantes do país latino vem de outros países, segundo informações do Conselho Nacional de Avaliação de Política Social do México. Desse total, cinco produtos representam 60% das importações agropecuárias mexicanas: milho, semente de soja, trigo, leite e derivados, e semente de canola.
Devido à supersafra brasileira de grãos deste ano, que totalizou 110,2 milhões de toneladas de soja e 93,7 milhões de toneladas, conforme dados da Expedição Safra, com montanhas de milho a céu aberto, o Brasil pode ampliar as exportações de grãos para o México, reforçando o abastecimento das 16,5 milhões de cabeças de gado do país.
“Nos últimos três anos tivemos crescimento em exportações de soja e milho, mas os carregamentos seguem bastante irregulares”, destaca Pedro Souza Netto, assessor da InterAgro - Rede Agropecuária de Comércio Exterior da Superintendência de Relações Internacionais da CNA.
Outro foco de expansão é a proteína animal. Camila Sande cita que o Brasil já exporta frango para o país e quer abrir seu mercado para outros tipos de carne: “Principalmente a carne bovina, mas queremos consolidar a carne de frango após a janela da gripe aviária identificada nos Estados Unidos”. 
Com o caso ocorrido no sul do Tennessee, em março, uma cota de exportação maior foi aberta para o frango brasileiro, que pode - assim como arroz, café, leite em pó, carne bovina, milho e frutas - chegar em peso às prateleiras dos supermercados mexicanos. Basta Trump colaborar arrumando [mais] confusão com o vizinho do sul nas negociações do NATFA. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Produtores de milho dos EUA temem disputa com América do Sul por mercado mexicano

19/02/17 - 22:20 por Agrolink

As tentativas do México de diversificar seus fornecedores de milho podem ameaçar um mercado crucial para produtores dos Estados Unidos, que estão cada vez mais dependentes de exportações para escoar estoques recordes que têm pressionado os preços. O México compra dos Estados Unidos quase toda sua importação de milho, em carregamentos que totalizaram 13,6 milhões de toneladas no ano encerrado em 31 de agosto de 2016. As vendas representam cerca de 28 por cento de todas as exportações de milho dos EUA, segundo do Departamento de Agricultura (USDA).
Contudo, o México quer agora reduzir sua dependência dos EUA, à medida que o presidente norte-americano Donald Trump ameaça interferir no comércio entre os dois países. Na quinta-feira, o ministro de Agricultura do México disse que tem planos de visitar a Argentina e o Brasil para comprar milho. O ministro da Agricultura do Brasil, Blairo Maggi, havia dito na semana passada que as políticas protecionistas que estão sendo implementadas pelo novo presidente dos Estados Unidos já estão abrindo espaço para negociações do Brasil com novos compradores de produtos do agronegócio, como o México. Segundo Blairo, uma rodada de negócios com empresários mexicanos deverá ocorrer a partir do dia 20 de fevereiro.
Um comprador de grãos em uma usina de milho no México disse à Reuters na quinta-feira já pediu cotações de preços para exportadores do Brasil e da Argentina, para envio ao México. O México costuma importar da América do Sul ou outros países além dos EUA apenas quando os preços estão atrativos e quando a oferta está apertada.
Atualmente os preços do milho dos EUA entregue no México estão em 190 dólares por tonelada, cerca de 10 a 15 dólares mais barato que o da América do Sul, disseram fontes do mercado. "A extensão na qual vai haver qualquer mudança (do México) para oferta da América Latina, francamente depende do preço. Nesse momento, não funciona, portanto teria que haver algo mais que dispare isso", disse o presidente da trading Bunge, Soren Schroder, em uma conferência com analistas na quarta-feira.
Produtores dos EUA estão preocupados com a possibilidade de os primeiros movimentos da administração Trump ameaçarem exportações, que são um raro foco de prosperidade em uma economia agrícola que sofre com queda de receita. Trump já levantou a perspectiva de renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês), com México e Canadá. O Nafta, segundo produtores de alimentos, ajudou a quadruplicar as exportações de produtos agrícolas dos EUA para a região nas últimas duas décadas. "Nós estamos preocupados que a escalada na retórica esteja criando um ambiente em que compradores mexicanos sintam a necessidade de olhar para fornecedores alternativos, o que poderia afetar a fatia de mercado dos EUA", disse o Conselho de Grãos dos EUA, um grupo de comércio que fomenta mercados de exportação, em uma nota à Reuters.
(Karl Plume)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Efeito Trump: México já se prepara para trazer milho da América do Sul

13/02/17 - 11:47 

O governo do México buscaria outros fornecedores agrícolas no caso do presidente dos Estados Unidos,  Donald Trump, cumprir sua promessa de impor um imposto fronteiriço de 20% em produtos mexicanos para financiar a construção de um muro dividindo os dois países. Isso significaria uma importante perda de mercado para produtores norte-americanos de carne bovina, aves, suínos, milho, soja, arroz, entre outros, informa o Portal Agriculture.com.
"Eu os adverto: A abertura do mercado (mexicano) de grãos para os produtos agrícolas do Brasil vai comer o mercado que atualmente é de vocês", disse Idelfonso Guajardo, secretário de Economia do México em um encontro noticiado pela imprensa mexicana com Stephen Bannon, Peter Navarro e Jared Kushner, os principais assessores de Trump.
Ao longo do ano passado, o México já negociou diversos tratados para comércio de produtos agrícolas com a Argentina, mas nada de concreto ainda foi anunciado. As negociações e os trâmites mais avançados estariam na compra de ovos da Argentina pelos mexicanos.
Segundo Mike Zuzulo, presidente da Global Analytics & Consulting, do Kansas, já há uma ansiedade no mercado pelas mudanças significativas no mercado nos mercados de grãos e rações. Os compradores de ração bovina do lado sul da fronteira já estariam interessados em antecipar as decisões.
"Tudo dependerá do tamanho da safrinha do Brasil. Se o Brasil tiver volume suficiente, poderia colocar um milho entre US$ 25 e US$ 35 por tonelada (no mercado mexicano), e haveria mudança significativa no mercado. A chave estará no clima no Mato Grosso nos próximos meses", prevê Zuzolo em entrevista ao Agriculture.com.
Por outro lado, não se sabe quando uma possível sobretaxa fronteiriça entre os dois países seria imposta, apesar de ser mais provável que seja mais possível que seja depois do terceiro trimestre deste ano ou mesmo em 2018. O México importa anualmente 11 milhões de toneladas de milho - 100% dos Estados Unidos.
Na visão do analista mexicano Alfonso García Araneda, diretor general da Gamaa Derivados na Cidade do México, seria muito prejudicial para os dois países se o imposto fronteiriço for imposto. Ele destaca que as compras de milho e soja no México são feitas por conglomerados com sede nos EUA como Cargill e Archer Daniels Midland.
"O governo mexicano está negociando o máximo que pode, porque geraria uma grande perda para ambas as partes. Eu acredito que finalmente a administração dos Estados Unidos levará em consideração todos os danos que pode gerar para os americanos. Os governantes do México estão tentando demonstrar isso", diz García.
Para o analista brasileiro Carlos Cogo, de Porto Alegre, a saída dos Estados Unidos da Parceria Transpacífica pode gerar talvez ainda mais oportunidades comerciais para o Brasil do que uma eventual guerra com o México. Segundo Cogo, seria uma oportunidade de comércio de ao menos 150 itens agrícolas para os 12 países envolvidos, mas ele vê um risco no efeito das políticas do governo Trump em todo o mundo.
"O estímulo fiscal e taxas de juros mais altas devem levar a um dólar forte. Isso pode gerar uma onda de depreciação das moedas dos países emergentes," analisou Cogo.

Agrolink
Autor: Leonardo Gottems