O atraso no plantio assustou. O clima no início da colheita também. Mas se depender do maior produtor de grãos do país, o Brasil vai bater outro recorde de produção de soja no campo. De acordo com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), a colheita avançou e alcançou 12,35% na última semana. O percentual está abaixo do registrado no ano passado - que na mesma semana era de 16,25% -, mas acima da média histórica.
As máquinas ganharam ritmo. Porém, o que mais está empolgando os produtores são as produtividades médias elevadas. Talhões com 70, 73 e até 75 sacas por hectare, muito acima da média nacional, que é de 55,3 sc/ha. Não é uma realidade generalizada, mas é um excelente indicativo do que a safra atual promete. O Imea estima que 9,42 milhões de hectares foram cultivados com soja no estado.
O coordenador técnico do grupo Bom Jesus, Luís Henrique Vigolo, conta que os primeiros talhões de algumas fazendas do grupo, que planta mais de 50 mil hectares na região Sul do Mato Grosso, atingiram uma produtividade média de até 75 sacas por hectare. “A colheita ainda não começou de verdade, mas esperamos bons resultados sim. Altas produtividades nos primeiros talhões são comuns”, conta.
Segundo Vigolo, que é engenheiro agrônomo, o ano passado foi atípico, ‘fora da curva’. “Na safra passada, só não colheu bem que não fez a lição de casa da porteira para dentro. Neste ano, também esperamos uma safra cheia. Tivemos uma boa janela de plantio, um bom volume de chuvas, a planta se desenvolveu bem, sem incidências alarmantes de pragas e doenças. Quem fez um bom trabalho de manejo vai colher bem”, afirma. A expectativa é fechar com ciclo com uma média de 65 sacas por hectare.
Para a temporada 2017/18, a estimativa do Imea é que o Mato Grosso colha 30,6 milhões de toneladas, um recuo de 2,14% em relação ao último ciclo. Os dados, segundo o gestor técnico da entidade Ângelo Ozelame, são um reflexo do atraso do plantio, mesmo com um aumento de 0,17% na área plantada. “É claro que isso não é um dado final. Pode mudar ao longo da safra. Nós estamos trabalhando com uma produtividade média de 54 sacas por hectare”, salienta.
De acordo com o gestor do Imea, com pouco mais de 10% do território nacional, as regiões produtivas do Mato Grosso vivem realidades diferentes. “Enquanto o Médio-Norte e o Oeste estão com boas colheitas, inclusive com rendimentos melhores que no ano passado, o Nordeste e Sudeste estão com alguns problemas de clima, e isso pode impactar no resultado final”, explica.
Por Gazeta do Povo publicado em Suinocultura Industrial em 10/01/2018
A Lei 13.606/2017, que trata das dívidas e das condições de operação do Funrural a partir de 2018, foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (09/01), com 24 vetos da Presidência da República à proposta apresentada pelo Congresso Nacional.
Pela nova legislação, dívidas vencidas até 30 de agosto de 2017 poderão ser parceladas em até 176 prestações e terão desconto de 25% sobre o valor de multas e encargos. A adesão dos produtores ao Programa de Regularização Tributária Rural terá de ser feita até o dia 28 de fevereiro de 2018. Quem aderir terá de pagar “como entrada” 2,5% da dívida consolidada em até duas parcelas iguais, mensais e sucessivas.
A alíquota de contribuição para empresas rurais foi mantida em 2,5%, enquanto a proposta do Congresso era de redução para 1,7%. A contribuição do produtor rural pessoa física, no entanto, foi reduzida de 2% para 1,2% da receita bruta.
Aconselhado pela equipe econômica, o presidente vetou o desconto de 100% nas multas e encargos incidentes sobre as dívidas, mantendo a proposta inicial de abate de 25%. Também foi vetada a possibilidade de liquidar o saldo das dívidas com créditos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Outro veto envolve o dispositivo que acabava com a cobrança em cascata nas operações entre produtores rurais.
Na justificativa para os vetos, o presidente argumentou que as mudanças propostas pelo Congresso vão na contramão do ajuste fiscal e “desrespeitam” os contribuintes que pagaram as contribuições em dia.
“Os dispositivos representam sobrelevação de custo fiscal imputado ao Tesouro Nacional, sem previsão na Lei Orçamentária para recepção do impacto, e indo de encontro ao esforço fiscal empreendido no país. Ademais, as alterações legislativas propostas, incluída a dispensa das exigências de regularidade fiscal, desrespeitam os mutuários do crédito rural adimplentes com a União e com os agentes financeiros, podendo representar estímulo indevido ao risco moral.”
Os técnicos da equipe econômica defendiam um veto praticamente integral à proposta, deixando apenas a redução da alíquota do Funrural para pessoas físicas de 2% para 1,2% e a possibilidade de cobrança sobre a folha de pagamento, em vez de incidir sobre o faturamento da produção.
A avaliação no Planalto foi que a equipe econômica “pesou a mão” na hora de recomendar os vetos. Por isso, o presidente acabou sancionando pontos que os técnicos tinham pedido veto – como a redução do porcentual do valor mínimo das duas primeiras parcelas, de 4% para 2,5% da dívida.
Para aderir ao Programa de Regularização Tributária Rural, o produtor terá de confessar o débito e desistir de ação judicial ou processo administrativo contra o Funrural. A situação poderá ser revertida, caso o Supremo Tribunal Federal venha a reconhecer posteriormente a ilegitimidade da cobrança dos débitos confessados.a
A empresa do ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP), a Amaggi, confirmou a compra da fazenda Itamarati dos herdeiros de Olacyr de Moraes, por aproximadamente US$ 330 milhões, cerca de R$ 1,1 bilhão na conversão para o real. O negócio deverá ser concluído nos próximos dias. Olacyr de Moraes já foi o maior produtor individual de soja do mundo, que o tornou conhecido como “Rei da Soja”, pioneiro deste cultivo na região de cerrado.
De acordo com o ministro Maggi, a negociação é a maior feita pela empresa. “É a maior compra de área que já realizamos. A empresa é da minha família na qual também tenho participação”.
“As negociações foram definidas no ano passado e estão sob sigilo por questões contratuais de ambas as partes. Não posso comentar sobre o valor e de que maneira será tudo realizado. Mas confirmo sim a transação”, disse ainda Blairo Maggi, sem revelar se o valor será pago à vista ou parcelado.
A fazenda Itamaraty está localizada no município de Campo Novo do Parecis, 390 quilômetros da capital mato-grossense, Cuiabá, e possui 105 mil hectares.
Desses, 51,5 mil hectares são destinados para agricultura, 2.700 para a pecuária e o restante é reserva legal. As ações da fazenda pertenciam à Companhia Agrícola do Parecis (Ciapar).
A empresa da família do ministro já arrendava a área desde 2002. “A companhia já vinha negociando há algum tempo para concretizar o negócio para continuar produzindo soja, milho e algodão nessa área”, disse Blairo.
A Amaggi pretende revitalizar a fazenda, mantendo as atividades e mantendo todos os funcionários. A empresa quer ampliar a produção de algodão, a construção de uma nova usina e a troca de todas as maquinas e equipamentos da fazenda. No local, existem 11 pistas para pousos e decolagens, um hangar e dezenas de silos reservatórios utilizados para pré-armazenamento do material moído/granulado antes de sua embalagem. Distrito
Na região da Fazenda também existe uma vila de moradores com cerca de 2.200 pessoas, sendo que boa parte é de colaboradores e familiares. O local possui uma escola, construída pela Amaggi e que foi entregue ao poder público em 2016. A ideia da Amaggi será desmembrar a vila da fazenda e emancipá-la.
Segundo o ministro, existe uma vila que Olacyr de Moraes construiu no local. “E nós mantivemos essa vila até hoje, cuidando do asfalto, iluminação e esgoto. Mas existem algumas coisas públicas lá como escola, igreja, e outras coisas. A intenção da Amaggi é separar a vila da fazenda e vender aquelas casas para os funcionários que já moram lá e terrenos”.
A tendência, diz, é de o local se tornar um distrito, mas a medida depende de aval da Câmara do município. “É um interesse de todos. Quem sabe no futuro”, finalizou o ministro.
No final da década de 1980, a empresa Amaggi chegou a emancipar um local em suas propriedades, onde se tornou o município de Sapezal, 498 quilômetros de Cuiabá.
Em nota, a Amaggi confirmou que está participando das negociações para a aquisição da totalidade das ações da fazenda Itamaraty e que deverá ser formalizada nos próximos dias.
Fundada em 1977, a Amaggi chegou a Mato Grosso no inicio da década de 1980 e está presente em todas as regiões do Brasil, além da Argentina, Paraguai, Holanda, Noruega e Suíça.
Atualmente, é composta por quatro grandes áreas de negócio commodities, agro, navegação e energia e atua na originação, comercialização de grãos e insumos; produção agrícola e de sementes de soja; operações portuárias, transporte fluvial e geração e comercialização de energia elétrica.
Uma tesoura microscópica vai até dentro das células e faz cortes cirúrgicos na fita dupla do DNA dos seres vivos. Esse corte retira características indesejadas do genoma que, após regeneração natural da célula, desaparecem completamente, sem necessidade de inclusão de genes de outras espécies.
Isso é o que faz a técnica Crispr, acrônimo para Grupos de Repetições Palindrômicas Curtas Regularmente Espaçadas (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeat) - considerada uma revolução na pesquisa genética contemporânea, tanto de plantas quanto de animais. A técnica já produziu suínos imunes a determinadas doenças viróticas, trigo com 85% menos de glúten e correção da mutação em um embrião humano que levaria a uma doença cardíaca, entre outros avanços.
O Crispr é um mecanismo de defesa natural e antigo encontrado nas bactérias, que após a visita de um vírus, “se armam” para poder reconhecer o invasor e se defender em próximos ataques. As proteínas associadas à Crispr (Cas9) deslizam pelas células como agentes policiais, que identificam, prendem e cortam material genético do vírus, impedindo sua replicação.
Corretor ortográfico
Uma terceira metáfora para explicar a técnica - descoberta em 2012 pela bioquímica Jennifer Doudna, da Universidade da Califórnia em Berkeley - é a do corretor ortográfico, que seleciona e substitui as palavras com erro. Mas a bióloga Ângela Saito, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas, prefere a comparação com a tesoura: “A enzima Cas-9 atua como tesoura molecular mesmo. Ela corta as duas fitas do DNA numa localização específica do genoma”.
Mas como a tesourinha chega a esse local? “É através de um pedaço de RNA chamado RNA Guia. Ele conduz a proteína Cas-9 para uma sequência específica do DNA. Ele pareia na sequência de letrinhas do DNA e a proteína Cas-9 faz o corte. Quando isso acontece, mecanismos de reparo naturais da célula são ativados. Esses mecanismos podem levar à inativação do gene, que nós chamamos de nocaute”, explica Saito.
Neste ano, os cientistas avançaram de forma inédita para “nocautear” genes do trigo que ativam as proteínas de glúten, causa da intolerância por trás da doença celíaca. Em estudo publicado em setembro pela revista científica Plant Biotechnology Journal, pesquisadores espanhóis e americanos revelaram que, utilizando o Crispr, conseguiram modificar permanentemente 35 de 45 genes de uma variedade selvagem de trigo, o que levou a uma queda de 85% na reação imunológica contra o glúten. O desafio agora é desativar os 10 genes restantes para que a cepa “gluten-free” esteja pronta para testes, mas o fato é que o experimento já mostrou a viabilidade de produzir pães de trigo com baixo teor de glúten.
“Esse trabalho é realmente um avanço sem precedentes na edição genômica de variedades de trigo. Não estamos tão longe da eliminação completa da proteína gliadina (parte do glúten tóxica para quem tem intolerância permanente)”, avalia Ângela Saito. Ângela trouxe ao Brasil a técnica Crispr-Cas9 após retornar de um doutorado no Anderson Cancer Center, em Houston, em 2013. Atualmente ela usa a ferramenta de edição genética em camundongos, testando sua eficiência no tratamento do autismo, disfunções intelectuais e esclerose múltipla.
Versatilidade
“O Crispr tem enorme potencial para edição dos genomas, seja do trigo, do arroz, dos animais ou do ser humano. Num trabalho recente, os americanos conseguiram com o Crispr corrigir a mutação em um embrião humano que causaria uma cardiopatia”, destaca a pesquisadora, que lembra que a lei americana permite o uso de embriões apenas para pesquisa de doenças complexas, proibindo a sua gestação.
Versátil, a técnica é utilizada em uma ampla variedade de pesquisas científicas, do tratamento do câncer e da Aids às doenças degenerativas, como Alzheimer e Parkinson, até a produção de novos remédios e alimentos mais saudáveis. Com o Crispr, por exemplo, pesquisadores da Unicamp buscam vencer a resistência à manipulação genética do parasita Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas. O desafio é extirpar os genes ligados ao flagelo dos parasitas – estrutura semelhante a uma cauda que lhes permite se locomover.
Outra pesquisa busca produzir mosquitos resistentes à dengue, que por não serem infectados, também não transmitem a doença aos seres humanos. Na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA-USP), o desafio é corrigir genes responsáveis pela distrofia muscular de Duchene, uma doença degenerativa que impede os pacientes de andar e comer. Os modelos de estudo estão sendo feitos em cães da raça golden retriever.
Pesquisas com soja
Na soja, uma das pesquisas com Crispr está voltada para a inativação de proteínas antinutricionais, como as proteínas inibidoras de tripsina, que dificultam a digestão e provocam gases. “Não estamos falando de transgenia. É simplesmente uma mutação no DNA que poderia ocorrer naturalmente. Existem variedades que têm esta característica. O que tentamos fazer é introduzir essa característica em variedades altamente produtivas de soja e de milho. O que levaria anos, o Crispr pode fazer rapidamente”, assegura Alexandre Nepomucemo, pesquisador da Embrapa Soja, integrante da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
Na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, o Crispr é usado na busca de variedades de soja que produzam óleo com altos índices de ácido oleico, como o azeite de oliva. Além de mais saudável para alimentação humana, o óleo com mais ácido oleico tem propriedades emolientes que interessam também às indústrias de cosméticos – para produção de cremes, bronzeadores e protetores solares – e de biocombustíveis.
“O Crispr é uma revolução genética no mundo todo, tanto na área animal como vegetal”, garante Nepomuceno. Ele diz que um dos avanços mais recentes foi obtido por chineses, que conseguiram, pela modificação genética, criar suínos resistentes a uma doença respiratória causada por vírus. “A célula é a fechadura e o vírus é a chave. O Crispr modifica um pouco a fechadura e a chave, ou seja, o vírus, não consegue entrar na célula”, compara o pesquisador. Nepomuceno destaca a facilidade de uso da ferramenta e a precisão das modificações, que, utilizando um mecanismo de defesa natural, fogem um pouco da polêmica associada aos transgênicos. A revolução é tão recente que ainda não deu tempo de saber se as controvérsias vão se repetir, na mesma intensidade enfrentada pela transgenia.
Assim que as novas cartas do NAFTA estiverem na mesa e México, Estados Unidos e Canadá terminarem o jogo, o Brasil é candidato a ser o vencedor. A próxima negociação entre os países do tratado comercial do Atlântico Norte será essencial para definir a estratégia brasileira para conquistar, de vez, um novo parceiro: os mexicanos.
“A previsão passada pelo Itamaraty é que [a situação comercial entre os países do Norte] se estenda até o final do primeiro trimestre de 2018”, afirma a assessora de Negociações Internacionais, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Camila Sande.
E será nesse momento que o Brasil ‘partirá para o ataque’. “O momento é delicado em função do Governo Trump, então vamos acompanhar a renegociação em relação a produtos agrícolas. Eles (México e Estados Unidos) têm uma relação consolidada no ambiente empresarial. Não acreditamos que o México vai parar de comprar [dos EUA], mas tudo depende de tarifas e acessos [de um país ao mercado do outro]”, explica Camila Sande. Acordo comercial: Brasil México
Nos bastidores, Brasil e México já vêm se aproximando. No primeiro semestre, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, se reuniu com o secretário de Economia do México, Ildefonso Guajardo, durante o Fórum Econômico Mundial para América Latina.
Na última semana, o Governo do Brasil e a CNA estiveram em encontros da Coalizão Empresarial Brasileira (CEB), na sede do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em Brasília. O interesse é ampliar o Acordo de Complementação Econômica (ACE - 53), firmado entre Brasil e México em 2002 para setores industriais e agrícolas, criar novas regras e facilitar o comércio e barreiras não tarifárias.
“É um acordo que começou a ser negociado [em 1996], antes da decisão do Mercosul de que os países membros teriam de negociar somente em bloco, o que permite uma negociação bilateral com o México”, afirma Sande. México: alimentos importados
E por que tanto interesse no México? “É um mercado importador líquido de alimentos, com cerca de 80% a 90% vindos dos Estados Unidos e Canadá”, destaca a especialista.
Ao todo, mais da metade do consumo de alimentos dos 115 milhões de habitantes do país latino vem de outros países, segundo informações do Conselho Nacional de Avaliação de Política Social do México. Desse total, cinco produtos representam 60% das importações agropecuárias mexicanas: milho, semente de soja, trigo, leite e derivados, e semente de canola.
Devido à supersafra brasileira de grãos deste ano, que totalizou 110,2 milhões de toneladas de soja e 93,7 milhões de toneladas, conforme dados da Expedição Safra, com montanhas de milho a céu aberto, o Brasil pode ampliar as exportações de grãos para o México, reforçando o abastecimento das 16,5 milhões de cabeças de gado do país.
“Nos últimos três anos tivemos crescimento em exportações de soja e milho, mas os carregamentos seguem bastante irregulares”, destaca Pedro Souza Netto, assessor da InterAgro - Rede Agropecuária de Comércio Exterior da Superintendência de Relações Internacionais da CNA.
Outro foco de expansão é a proteína animal. Camila Sande cita que o Brasil já exporta frango para o país e quer abrir seu mercado para outros tipos de carne: “Principalmente a carne bovina, mas queremos consolidar a carne de frango após a janela da gripe aviária identificada nos Estados Unidos”.
Com o caso ocorrido no sul do Tennessee, em março, uma cota de exportação maior foi aberta para o frango brasileiro, que pode - assim como arroz, café, leite em pó, carne bovina, milho e frutas - chegar em peso às prateleiras dos supermercados mexicanos. Basta Trump colaborar arrumando [mais] confusão com o vizinho do sul nas negociações do NATFA.
Você sabia que 95% dos insetos são atraídos pela cor amarela? Ciente disso, um engenheiro agrônomo de São Paulo teve uma ideia que promete revolucionar o controle de pragas em pequenas, médias e grandes plantações. A novidade chama-se Yellow Glue: uma cola amarela de insetos que chega ao mercado no início de junho.
A solução deve ser passada em superfícies e paredes próximas a plantações, com o objetivo de atrair e grudar insetos, impedindo que eles se eles se tornem um problema para lavouras e plantios, principalmente de hortifrutis. “É uma solução excelente para estufas”, recomenda Alexandre Rodrigues de Andrade, criador do produto.
A inovação é inédita na América Latina e é derivada de outro produto comercializado pela empresa de Rodrigues: a cola entomológica, que tem basicamente a mesma função, mas exigia do produtor a instalação de painéis de cor amarela para a armadilha ser eficiente.
Uso orgânico e caseiro
Por não ter ação direta com a agricultura realizada, essa é uma alternativa que busca diminuir o uso de agroquímicos, destaca o empresário. Segundo ele, isso colabora para incentivar o cultivo de produtos orgânicos. O produto pode ser utilizado também em estufas de morangos semi-hidropônicos, por exemplo.
Segundo o empreendedor, a cola pode ser um recurso para pequenas plantações feitas em casa, como pequenos pomares ou até mesmo para proteger flores, como orquídeas. “O uso pode ser doméstico porque o produto é atóxico”, justifica Rodrigues.
O engenheiro agrônomo conta que apresentou a Yellow Glue em um evento da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), em uma missão com Paraguai e Bolívia, despertando forte interesse nos ‘hermanos’, principalmente do Paraguai, que tem forte demanda pelo controle de pragas.
Por ser um produto novo, contudo, as vendas estão sendo realizadas diretamente com a empresa. Para atender vários públicos, há embalagens 1, 5 e 20 litros.
Serviço: interessados em adquirir o produto devem contatar a empresa Colly pela internet ou pelo telefone (19) 3491-5404.
Publicado em 18/04/2017 às 20:49h. Por Gazeta do Povo - Flávio Bernardes
Com a safrinha de milho praticamente plantada no Brasil, o que tem preocupado muitos produtores não é o clima, nem o mercado - ainda que as cotações estejam longe do que eles desejam -, mas uma praga silenciosa que vem atacando as lavouras: a cigarrinha.
De Minas Gerais “para cima” no mapa, os relatos são frequentes, conforme acompanhou a Expedição Safra. Quanto mais calor na área cultivada, mais a cigarrinha e as bactérias que ela carrega se multiplicam. O ambiente ideal é de temperaturas acima de 17°C à noite e 27°C durante o dia. Como os últimos invernos foram mais quentes que o habitual nestas áreas, o inseto infestou as plantações.
Na safra de verão, alguns produtores disseram ter perdido quase toda a produção, no entanto, como é o milho segunda safra que predomina na região, não houve um impacto significativo na colheita geral do país. Na safrinha, porém, a história é outra.
“Ela está tirando nosso sono e gastando nosso dinheiro”, diz o produtor Silvio Wegener, de Rio Verde, em Goiás, que cultivou 900 hectares com o cereal. Ele afirma ter praticamente acabado com a praga, mas, para isso, teve que dobrar o número de aplicações de agroquímicos. “Ela voa longe e se reproduz muito rápido. E a doença só vai se manifestar quando o milho já está ‘pendoando’. No começo você não percebe estrago nenhum, nada”, conta o agricultor.
Se no começo não dá para enxergar o problema, depois, em compensação, eles ficam mais do que evidentes: as folhas vão avermelhando pelas margens, a planta não cresce e as espigas mal formam grãos, podendo ficar com menos de um terço do tamanho normal.
A pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo, Elizabeth Sabato, explica que a cigarrinha se alimenta exclusivamente da seiva do milho, mas ela em si não causa danos diretos à planta. O inseto, na verdade, é um vetor, isto é, carrega bactérias que geram as doenças conhecidas como enfezamentos. “É como se fosse o mosquito da dengue”, diz ela, “o mosquito não provoca a doença, mas carrega o vírus que provoca.”
Prevenção
Significa que nem toda cigarrinha está infectada, por isso a pesquisadora não recomenda o aumento de aplicações de inseticidas na lavoura. O ideal, de acordo com ela, é a prevenção antes mesmo do início do plantio. “Não há uma medida que seja eficaz para controlar a doença isoladamente”, salienta. “Preconizamos que as sementes sejam tratadas e que eles evitem a semeadura em áreas próximas de uma lavoura que esteja infectada, porque senão pode pulverizar o quanto quiser que não vai adiantar”, complementa Elizabeth.
Utilizar variedades diferentes também é uma saída. Além disso, como a cigarrinha se alimenta de plantas jovens, o ideal é que não haja muita diferença em relação às épocas de plantio, para que os insetos não tenham força para atacar uma fatia considerável da lavoura. Quando há áreas muito próximas e em diferentes estágios de desenvolvimento, o “bando” vai trocando os talhões mais antigos pelos mais novos, pouco a pouco, potencializando os estragos.
“O produtor também tem que eliminar as ‘tigueras’, aquelas plantas que sobram da safra anterior e podem ser uma ilha para que as cigarrinhas cheguem às lavouras ao redor”, completa a pesquisadora da Embrapa.