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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

4 erros frequentes no manejo do compost barn

Por MilkPoint em 22/11/2017 

Resultado de imagem para Compost Barn

Ao pensar na instalação de qualquer sistema produtivo, é fundamental que haja um bom planejamento, e que se conheça as condições básicas para que o sistema opere corretamente. Dessa forma, muitos erros podem ser evitados previamente. 

O Compost Barn, sistema que vem ganhando um grande número de adeptos no país, tem como principal objetivo oferecer mais conforto aos animais, permitindo que os mesmos expressem mais livremente comportamentos naturais, como o cio. Se manejado corretamente, o sistema pode melhorar as condições de saúde dos animais, bem como índices reprodutivos e de qualidade do leite. Com isso, obtém-se um incremento na produção de leite e na longevidade das vacas no rebanho. Mas para que esses objetivos sejam alcançados, é essencial realizar um manejo adequado, evitando os 4 erros frequentes citados abaixo:

1- Tentativa de economia de energia 

Privar-se de ligar os ventiladores durante o dia devido ao custo, vai causar danos. Ao optar por não deixar os ventiladores ligados durante todo o dia, ligando-os apenas nos períodos mais quentes, deixará a cama mais úmida, aumentando a ocorrência de mastite. Isso acontece pois quando a umidade da cama aumenta, o material adere-se à pele e ao orifício do teto, facilitando a entrada de bactérias pelo canal do teto. 

As principais bactérias que têm sido observadas causando mastites em sistemas de compost barn são: os estreptococos ambientais, os coliformes - dentre eles a Klebsiella, entre outras bactérias. Geralmente, as mastites clínicas ocorridas neste cenário são de grau 2 ou 3, que causam o inchaço do úbere, muitas vezes acompanhado de sintomas sistêmicos, podendo, inclusive, levar o animal a óbito. 
Portanto, nesse contexto, o ventilador deixa de ser um custo e passa a ser investimento, pois vai manter a cama seca, prevenindo doenças e melhorando o ambiente das vacas (aumentando a produção leiteira).

2- Alimentação das vacas dentro do composto

Quando as vacas se alimentam dentro da cama é muito difícil manter esse espaço seco. Muitas vezes, as vacas acabam deitando próximo ao cocho e tendo contato novamente com a umidade, aumentando a probabilidade de infecções intramamárias.

3- Frequência de reviragem da cama

Alguns produtores, por falta de trator ou algum manejo dentro da fazenda, reviram a cama 1x por dia ou 1x a cada dois dias. Por consequência, o processo de compostagem fica comprometido, e o teor de umidade da cama aumenta – mesmo com uso de ventiladores. Por isso, é aconselhável revirar a cama pelo menos 2x ao dia, garantindo assim um processo de compostagem homogêneo, facilitando a perda de umidade para o ambiente e fazendo com que a cama fique mais seca. Lembrando que, ao revirar a cama, é importante atingir as camadas mais profundas do composto, por exemplo: se a cama tem 50cm de altura, deve-se revirar de 35 a 40cm de profundidade.

4- Falhas na instalação

Por exemplo: pé direito baixo, poucos ventiladores (não abrangendo toda a área de cama), inclinação incorreta dos ventiladores (perdendo a eficiência de ventos), entre outros. Em ambientes que acontecem essas falhas, o rendimento do sistema será prejudicado.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Embrapa lança Calendário de Manejos

20 de outubro de 2017 em Portal DBO

Permitir melhor planejamento e acompanhamento das atividades relacionadas a bovinos de corte em uma propriedade rural, esse é o principal objetivo do Calendário de Manejos Reprodutivo, Sanitário e Zootécnico (acesse o site neste link), apresentado pela Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS) em parceria com a Universidade Brasil, SP. A ferramenta, disponível em planilha (clique aqui para baixar) editável, é gratuita e chega após três anos de investigação a campo pela equipe formada por Danila Rodrigues Frias, Vanessa Felipe, João Batista Catto, Pedro Paulo Pires, Paula Barbosa Miranda, Luiz Otávio Campos da Silva e Cleber Soares.
A estação de monta é a referência do planejamento, em um calendário organizado em manejos reprodutivo, sanitário e zootécnico e por categorias animais - maternal, desmama, pós-desmama e sobreano - além de touros e matrizes. A ferramenta também é diferenciada por cores e lotes para facilitar o entendimento e a identificação das atividades para cada categoria dentro de determinado mês. Outro destaque ainda é uma versão feita para impressão (clique aqui).
“O material foi idealizado a partir de um diagnóstico de situação em propriedades rurais produtoras de gado de corte, e adaptado aos manejos usuais das mesmas, de forma a interferir o mínimo possível na rotina e viabilizar a adoção das recomendações técnicas”, explica a médica-veterinária e professora Danila Frias, da Universidade Brasil. “O processo de diagnóstico, desde a história clínica dos animais à interpretação dos resultados dos exames, balizou toda a construção do modelo de calendário apresentado. Foi um instrumento clínico e epidemiológico. Saímos do campo das suposições e dados pulverizados e tivemos como comparar o antes e o depois em diferentes condições de criação”, acrescenta a virologista da Embrapa, Vanessa Felipe.
Dentro da programação reprodutiva há recomendações para realização de exame andrológico, diagnóstico de gestação, descarte de matrizes, transferência para piquete maternidade, ingestão de colostro, tratamento de umbigo, identificação e pesagem. Na agenda sanitária, Felipe e Frias comentam que há observações sobre os manejos de controle de endo e ectoparasitas, como mosca-dos-chifres e carrapatos; e utilização de vacinas obrigatórias contra brucelose, febre aftosa e raiva, que devem ser realizadas conforme as exigências e as orientações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para cada Estado ou Região.
Coleta de dados – O diferencial do trabalho foi mesmo o diagnóstico de situação feito nos rebanhos comerciais e de elite de dez fazendas de pecuária de corte de Mato Grosso do Sul. Entre matrizes, touros e bezerros, contabilizaram-se ao redor de 5.100 mil animais. Após a análise dos dados preliminares, montou-se a primeira versão do calendário, que foi aplicado a campo e ajustado, inclusive, com sugestões dos técnicos das propriedades.
O resultado final veio após um ano de aplicação da ferramenta. Para isso, Frias aplicou questionários junto aos responsáveis e proprietários dos estabelecimentos rurais participantes do projeto e levantou dados como índice de prenhez, taxa de abortos, fundo de maternidade e doenças recorrentes; seguido pela coleta  de amostras de sangue, fezes e esmegma. A equipe focou nas principais causas que impactam negativamente em todo processo produtivo da cadeia, não somente em doenças reprodutivas. Além disso, a saúde pública, a qualidade do produto final e o impacto ao meio ambiente também estavam no contexto.
Antes da aplicação do Calendário de Manejos, as taxas médias nas fazendas eram de 70% de prenhez, 15% de fundo de maternidade e 10% de abortos. “Com um ano de adoção, detectamos que houve um aumento, em média, de 5% na taxa de prenhez e uma redução em 50% de fundo de maternidade e taxa de abortos”, afirma Frias. As suspeitas clínicas confirmaram-se nos resultados dos exames laboratoriais.
Entre os achados, as veterinárias puderam romper com a falsa impressão daqueles que acreditam que rebanhos de seleção não têm problemas sanitários relevantes por seu valor genético e tratamento diferenciado. Entretanto, “as doenças infecciosas não fazem distinção entre animal comercial e de elite. É uma quebra de paradigmas”. Elas enfatizam que “com o devido acompanhamento técnico é mais econômico adotar práticas preventivas como as recomendadas no Calendário de Manejos, do que custear tratamentos curativos”.
A pesquisa ainda é parte da formação em pós-doutorado de Frias, concluído em 2016, à época bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na Embrapa Gado de Corte e da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect), sob orientação do melhorista Luiz Otávio Campos da Silva. Hoje, ela é professora na Universidade Brasil, no Campus de Fernandópolis, SP.
Fonte: Embrapa