quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Equilíbrio entre oferta e demanda mantém mercado suinícola estável



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O mercado suinícola registra nova semana de estabilidade nos preços do animal vivo, mantendo valores semelhantes aos da semana passada nas principais praças. A expectativa do mercado é que haja uma reação nas próximas semanas, conforme se aproxima de pagamento, final de ano e parcela do 13º.
Segundo a Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), a Bolsa de Suínos de São Paulo definiu referências em R$ 77,00 a R$ 79,00 condições bolsa, respectivamente R$ 4,11 a R$ 4,21/Kg vivo.
Em Minas Gerais, a Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (ASEMG), sugeriu cotações de R$ 4,20/Kg vivo. De acordo com o presidente da Asemg, Dr. Antônio Ferraz, o mercado mineiro se mantém equilibrado entre oferta e demanda. “A medida que se aproximam as festas natalinas os preços começam a reagir. Mas hoje o que eu vejo como um fator negativo são as altas temperaturas. Minas Gerais está muito quente e isso contribui para a redução do consumo”, ressalta Ferraz.
Os valores de Santa Catarina, de acordo com a Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), também permaneceram estáveis, sendo cotado a R$ 3,80. No Paraná, segundo a Associação Paranaense de Suinocultura (APS), os preços se mantiveram a R$ 4,00.
Apenas no Rio Grande do Sul, de acordo com a Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (ACSURS), a bolsa teve leve queda de dois centavos em relação a semana passada, sendo cotada a R$ 3,85, ante R$ 3,87.  
Redação

Informação genômica para aumentar a fertilidade das vacas de leite - Parte 3

Por Ricarda Maria dos Santos e José Luiz Moraes Vasconcelos
Em 25/10/2017 no site MilkPoint

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Incorporação da fertilidade em índices de múltiplas características (Mérito Líquido Vitalício NM $)

Os índices de seleção foram desenvolvidos para simplificar o processo de seleção de touros e vacas. Vários índices de seleção são fornecidos na avaliação genética dos EUA e através das associações de raças leiteiras. Os criadores podem escolher índices de seleção específicos com base em quão próximo os pesos relativos das características no índice representam os objetivos de seleção do seu rebanho.

Desenvolvido pelo USDA, o Mérito Líquido Vitalício (NM $) estima o lucro da vida combinando os rendimentos e as despesas de cada característica em uma medida precisa do lucro global relevante para os produtores de leite. O NM $ utiliza características economicamente relevantes relacionadas ao rendimento, saúde, longevidade e facilidade de parto. As características específicas utilizadas no índice incluem o rendimento de gordura e proteína (portanto, também o leite), a vida produtiva, a taxa de prenhez das filhas, a contagem de células somáticas, o composto do úbere, o composto dos pés e pernas, o tamanho do corpo e a habilidade de parto (incluindo a informação de natimortos). O índice Mérito Líquido Vitalício $ expressa o lucro esperado da vida de touros e fêmeas em comparação com a base da raça.

Em agosto de 2003, as características de facilidade de parto do touro (SCE), facilidade de parto da filha (DCE) e a taxa de prenhez das filhas (DPR) foram incluídas nos cálculos NM $. As medidas de fertilidade nos índices de mérito agora incluem taxa de concepção das novilhas (HCR) e taxa de concepção das vacas (CCR) juntamente com DPR. A ênfase relativa em NM $ para as características HCR, CCR e DPR são 1,5, 1,7 e 7,0%, respectivamente, com desvios padrão de PTA de 2,4, 2,8 e 2,3. A ênfase combinada para os 3 traços de fertilidade é de cerca de 10% (VanRaden e Cole 2014)

Tendências genéticas das características de fertilidade
Conforme mencionado anteriormente, ao longo do tempo, a indústria de laticínios dos EUA passou um declínio geral na fertilidade dos rebanhos em diversos sistemas de produção. Várias razões podem ter contribuído para esse declínio, como maior produção de leite, manejo nutricional, práticas de manejo, aumento do tamanho do rebanho e ausência de seleção genética e genômica para as características de fertilidade. Importante é que o desenvolvimento e a implementação de uma avaliação nacional dos EUA para a taxa de prenhez das filhas em 2003 e outras características relacionados com a vida produtiva (PL) e características de fertilidade adicionais nos últimos anos (HCC, CCR e CFI), aprimoradas pela informação genômica, pararam a tendência de declínio da fertilidade e vimos uma reversão do potencial genético da raça Holandesa americana durante os últimos anos.

Embora o desempenho reprodutivo seja fortemente influenciado pelo meio ambiente, a incorporação de características de fertilidade na avaliação genética é seguida pela notória tendência de melhora na genética, e isso é uma evidência clara para apoiar a influência da genética no desempenho reprodutivo. Além disso, essa melhoria ocorreu mesmo com um aumento contínuo na produção de leite por vaca.

Associações entre DPR e resultados reprodutivos
Uma nova abordagem para demonstrar o valor dessa informação e ganhar a confiança dos criadores e médicos veterinários nessas predições de fertilidade é determinar a relação entre as predições genômicas e o desempenho observado dos animais avaliados (Weigel et al., 2015). Assim, foi realizado um estudo para avaliar a associação entre o DPR e os dias abertos nas vacas Holandesas comerciais dos EUA. O objetivo deste estudo foi demonstrar a capacidade das predições de características de fertilidade para prever com precisão o desempenho reprodutivo (dias abertos) em uma população de vacas Holandesas comerciais dos EUA nos primeiros 305 dias de lactação.

Onze grandes (médias 4.180 vacas em lactação) rebanhos de vacas Holandesas distribuídos nas principais regiões produtoras de produtos leite dos EUA foram incluídos neste estudo, incluindo 200 vacas de primeira lactação e 100 vacas de segunda lactação de cada rebanho, entre 1º de setembro e 31 de dezembro de 2015. Um subconjunto aleatório desses animais foram selecionados dentro do grupo etário e uma amostra de tecido foi coletada para testes genéticos. No total, 3462 animais foram amostrados a partir desses onze rebanhos e todas as amostras foram realizadas através do CDCB para garantir a compatibilidade com a identificação do animal (ID), parentesco e raça de acordo com a base de dados dos EUA.

Os dias em aberto e outros eventos de fertilidade foram coletados do software de gerenciamento de rebanhos das fazendas. As amostras de tecido foram genotipadas com os chips Zoetis LD pelo Zoetis Genetics Laboratory em Kalamazoo, Michigan. Os animais foram nomeados, juntamente com pedigree e genótipo para o Conselho de Criação de Gado de Leite (CDCB) para obter as previsões de avaliação genética do CDCB. As predições da taxa de prenhez das filhas foram utilizadas para distribuir as vacas aos grupos baseados em percentil de tamanho equivalente, semelhante ao relatado por outros autores (Weigel et al., 2015).

Além disso, os animais foram atribuídos em grupos baseados no percentil de fertilidade (isto é, inferior 25%, 25-50%, 51-76%, 25% superiores) dentro de rebanho e de faixa etária, a fim de explicar a falta de independência entre animal e ambos grupo de idade e rebanho. A análise de dados foi gerada com o SAS Software 9.3 (SAS Institute, Cary NC).

A Figura 1 mostra a média dos mínimos quadrados por grupo DPR (grupo de fertilidade genética) e os dias abertos observados. As diferenças nos dias abertos observados (medida indireta de eficiência reprodutiva) foram significantes (P<0001) entre os grupos genéticos para a taxa de prenhez das filhas. Conforme mostrado na Figura 1, a diferença bruta entre os quartis superiores e inferiores do DPR foi de 20 dias nos dias abertos atuais quando as vacas são classificadas por DPR. Esses resultados indicam que os dados genômicos de bezerras jovens e novilhas podem ser usados para prever efetivamente o desempenho reprodutivo futuro.

Figura 1 - Média dos quadrados mínimos para DPR e dias em aberto observados.

reprodução de vacas leiteiras

Os resultados neste estudo são semelhantes aos anteriores que quantificam as diferenças nos dias abertos (Weigel et al., 2015), onde os autores também incluem o quartil para a PTA atual do pai para a taxa de prenhez das filhas, além do quartil para PTA genômica para a taxa de prenhez das filhas. 

Weigel et al. (2015) relataram uma diferença de 21,0 dias nos dias abertos reais na primeira lactação quando as novilhas foram classificadas por PTA genômica (Figura 2). Quando eles classificaram os animais pela PTA do touro, essa diferença foi de apenas 3,4 dias, então as previsões genômicas foram significativamente mais precisas como preditores de desempenho reprodutivo futuro.

Figura 2 - Diferença em dias abertos atuais na primeira lactação quando as novilhas são distribuídas de acordo com PDR baseado em PTA genômico das novilhas ou PDR PTA dos touros (Weigel et al., 2015). 

reprodução gado de leite

Resultados semelhantes foram obtidos por Silvestre e Di Croce (2013). Os autores quantificaram as diferenças na taxa de concepção, taxa de prenhez e serviços por concepção (Tabela 1). Eles relataram diferença de 13 e 11% no risco de concepção e taxa de prenhez, respectivamente, na primeira lactação quando as novilhas foram classificadas por PTA genômica.

Tabela 1 - Associação entre grupo genômico para fertilidade baseado na DPR GPTA e resultados reprodutivos em rebanhos leiteiros comerciais dos EUA (Silvestre and Di Croce 2013). 

reprodução gado de leite
1n – Número total de Coberturas
2 Taxa de serviço= número de vacas cobertas / número de vacas elegíveis
3 Taxa de concepção – número de vacas gestantes / número de vacas cobertas
4 Taxa de prenhez em 21 dias

Biocarvão feito com resíduos é testado como condicionador de solo



Foto: Fabiana Rezende
Fabiana Rezende -

Transformar um passivo ambiental em insumo benéfico para a produção de madeira e de alimentos é o objetivo de uma pesquisa que está testando o uso de biocarvão, ou biochar, feito  de pó de serra, restos vegetais, cama de frango e lixo urbano, como condicionador de solo. O estudo, iniciado em 2012 pela Embrapa Agrossilvipastoril (MT), busca comprovar a eficácia do biochar em cultivos tanto em viveiros de mudas quanto no campo.
Condicionadores são substâncias que, agregadas ao solo, ajudam a melhorar suas características químicas, físicas e biológicas, aumentando a capacidade de suporte de plantas. É o caso do biocarvão obtido  da queima controlada, ou pirólise, de diferentes compostos, de origem animal ou vegetal, que contribui para o aumento da matéria orgânica no solo. Esse material permanece no local por um longo período, por isso o efeito benéfico é duradouro, favorecendo seu uso em plantios florestais. “Carvão é um carbono que não é perdido facilmente. Uma palhada, se você não continuar repondo-a, vai embora em dez anos. Já o biochar permanece por muito mais tempo”, ressalta a pesquisadora da Embrapa Fabiana Rezende.
O biocarvão pode ser obtido a partir de diferentes matérias-primas, entre elas resíduos de agroindústrias, de restaurantes e até mesmo lama proveniente do tratamento de esgoto, de modo a se dar um novo uso a um passivo ambiental. No caso da pesquisa conduzida pela Embrapa em Sinop (MT), o foco está no uso de pó de serra. O produto é abundante na região norte de Mato Grosso como resíduo da indústria madeireira e representa um passivo ambiental importante para a região. Com a transformação em biocarvão, esse material retorna ao sistema produtivo como um insumo.

Teste em produção de mudas
Na primeira etapa dos testes, o biocarvão feito  de pó de serra foi usado em diferentes quantidades na produção em viveiro de mudas de pau-de-balsa, eucalipto, teca e também maracujá. O uso desse material no solo visa à melhoria da qualidade do substrato, aumentando a porosidade, a aeração e a capacidade de retenção de água e nutrientes, características importantes para potencializar o crescimento das mudas.
Dependendo da forma de queima, com processamentos químicos ou físicos, o carvão pode ser artificialmente ativado, o que significa que ele exercerá seu papel de condicionador do solo mais rapidamente. Porém, o biocarvão não ativado acaba se ativando naturalmente ao longo do tempo.
As avaliações de desenvolvimento da planta, qualidade da muda e quantidade de matéria seca mostraram que as mudas cultivadas com biocarvão ativado junto com substrato comercial tiveram melhor desempenho do que aquelas cultivadas somente em substrato comercial. Isso significa mudas maiores, com maior capacidade de sobreviver ao plantio em campo e com melhores condições de crescimento inicial.
Ao mesmo tempo, foi feita uma avaliação econômica de cada formulação, que mostrou que a melhor alternativa para obter ganhos produtivos economicamente viáveis na produção de mudas é o uso de biocarvão ativado na proporção de um quarto (¼), ou seja, uma parte de biocarvão para três partes de substrato comercial.

Testes em campo
Após finalizada a avaliação em viveiro, as mudas de duas espécies, eucalipto e teca, foram levadas a campo, onde se iniciou a segunda e mais longa fase da pesquisa. Nessa etapa, o estudo compara plantas que não receberam biocarvão com outras que receberam diferentes dosagens de carvão ativado e não ativado aplicadas no sulco de plantio.
De acordo com Fabiana Rezende, como trata-se de espécies florestais, ainda é cedo para se chegar a conclusões sobre a melhor estratégia de uso do biocarvão. Avaliações parciais mostram que, no momento, a resposta das plantas ao biocarvão ativado foi melhor, porém o teor de carbono no solo é maior onde foi usado o carvão não ativado.
“Usamos uma dose grande de carvão não ativado, por volta de 30 toneladas por hectare. Já o ativado nós colocamos por volta de oito toneladas, pois sabemos que ele já é reativo. Mas o biochar sem ativação vai naturalmente se ativar com o tempo. Queremos saber se vale a pena usar o ativado, pois ele sai mais caro. Hoje o ativado é melhor para o crescimento das plantas, mas com o tempo talvez isso mude”, pondera a pesquisadora, lembrando que, no caso da teca, por exemplo, a planta nem sequer atingiu um terço dos cerca de 20 anos que levará até o corte.

Novas frentes
Paralelamente à primeira pesquisa, outro trabalho iniciado recentemente, em parceria com a cooperativa Coopernova, avalia o uso da mistura de biocarvão com compostagem para a produção de maracujá.
Nesse ensaio, foi produzida uma compostagem com uso de silagem de milho velha, esterco bovino, casca de arroz e cascas de frutas e vegetais descartadas por restaurantes. A compostagem foi aplicada sozinha durante o plantio de parte das mudas, e em outras foi misturada a tipos distintos de biocarvão. Dentre eles, biocarvão de origem animal, feito com a queima de cama de frango, e de origem vegetal, originado da pirólise de casca de arroz em diferentes temperaturas (400o C e 600o C).
“Matéria orgânica animal é mais rica em nutrientes e a vegetal tem uma relação de carbono maior do que os demais elementos. Quando agregamos materiais, conseguimos enriquecer mais o produto final. Teremos benefícios de um material que acumula mais carbono no solo, ao mesmo tempo em que teremos um que leva nutrientes para o solo”, explica Fabiana Rezende.
De acordo com a pesquisadora, a variação da temperatura da queima e da matéria-prima resulta em diferentes produtos, o que influenciará na cultura em que o biocarvão será aplicado.
Ainda em fase inicial, esse trabalho avaliará aspectos produtivos, sanitários e econômicos da produção de maracujá de acordo com o tipo de condicionador de solo utilizado.

De olho no futuro
Para Fabiana Rezende, assim como já ocorre em países como China, Japão e Austrália, o biocarvão terá papel importante no aumento da capacidade produtiva do solo. Nesses países, grandes indústrias de pirólise aproveitam diferentes tipos de resíduos para produzir o insumo.
“A exploração madeireira como é feita hoje vai acabar. O plantio florestal será importante. Conseguir plantar essas florestas e elas produzirem mais em uma área menor será fundamental. O biochar vai fazer uma melhoria do solo para que se produza mais em uma mesma área, aproveitando resíduo da própria indústria madeireira”, resume.

Gabriel Faria (MTb 15.624/MG) 
Embrapa Agrossilvipastoril 
 

"Mega fusões" no setor de alimentos devem elevar preços

Por:  -Leonardo Gottems 


Um novo estudo recentemente lançado aponta que as fusões de grandes empresas do setor de alimentos provavelmente pressionarão os agricultores e aumentarão os preços dos produtos. A pesquisa é do Painel Internacional sobre Sistemas Alimentícios Sustentáveis, que apontou níveis sem precedentes de concentração de mercado.
Olivier De Schutter, um dos diretores do Painel e ex-relator especial das Nações Unidas, afirma que  que essa verticalização “desenfreada” é ruim para os produtores rurais, os quais as rendas são “pressionadas, de um lado pelos fornecedores de insumos, e de outro lado pelos processadores e gigantes do varejo, que possuem com um poder de barganha gigante”.
O relatório, que levou dois anos para ser compilado, destaca as fusões de grandes empresas como Heinz e Kraft Foods, AB Inbev e SAB MIller, e varejistas como Amazon e Whole Foods. Com uma indústria sem muito crescimento real, aumentam os níveis de consolidação enquanto os negócios buscam novas formas de expansão dos mercados.
O setor se reestruturou em função das mudanças se hábitos do consumidor. O foco agora é “em comida mais fresca” e “mais saudável”. No entanto, alguns dos “processadores de comida têm tido dificuldade de se adaptar rapidamente e continuar sendo relevantes”. A compra da WhiteWave Foods por US$ 12,5 bilhões é citada com um dos exemplos.
Para De Schutter, todas essas fusões resultarão em preços mais altos: “Se você seguir o padrão das fusões, os preços das sementes crescem cerca de 5,5%”. Citando a fusão da Bayer e a Monsanto, ele afirmou que “as fusões estão sufocando a inovação”.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Sensor ajuda a evitar mortes acidentais de leitões por matriz


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PigProgress/Matthew Rooda

De acordo com estimativas da indústria suína, mais de 116 milhões de leitões recém-nascidos foram mortos acidentalmente por suas mães em 2016, resultando em bilhões de dólares perdidos. Assim, com apoio da Universidade de Iowa, uma empresa americana desenvolveu um sistema inovador que utiliza da tecnologia de um sensor para ajudar a diminuir o índice de mortes de leitões por esmagamento.
Chamado de SmartGuard, o sistema foi desenvolvido pela SwineTech em parceria com um grupo de alunos da Universidade de Iowa. De acordo com o colunista Vincent ter Beek, do Pig Progress, o sensor monitora o tom, a intensidade e a duração dos gritos e determina se um leitão está em perigo ou apenas emitindo sinais comuns ao animal.
Segundo Matthew Rooda, CEO da empresa, quando um leitão está em perigo, o dispositivo fixado na porca envia uma vibração e um impulso elétrico fazendo com que a matriz se levante. “Estima-se que cada dispositivo possa atender até 150 porcas por ano”, disse Rooda.
A invenção tem duas partes: aparelhos de audição e tecnologia sensorial fixados na matriz de quatro a seis dias. Outro dispositivo escuta o grito agudo do leitão; enquanto um algoritmo classifica os gritos comuns dos gritos prolongados de um leitão em perigo. Uma vez que o dispositivo detecta um leitão sendo esmagado, ele envia um pequeno impulso para a matriz, equivalente à tensão do colar de choque de um cão e, logo após, aguarda seis segundos antes de enviar um segundo impulso caso o animal não se mova. 
O teste mostrou que esse método pode aumentar a produção em 0,38 de leitões por ninhada.  A indústria da carne suína e os investidores estão entusiasmados com o potencial do produto. A equipe de desenvolvedores é formada por Matthew Rooda, Abraham Espinoza e John Rourke e Thomas Hornbeck. 

Consórcio de girassol com capim é receita de João K. para o Cerrado

20 de outubro de 2017 em Portal DBO

Consórcio de girassol com capim é receita de João K. para o Cerrado

Um novo tipo de consórcio é a receita de João Kluthcouski (João K), pesquisador da Embrapa Cerrados, para a safrinha do Centro-Oeste. Trata-se da dupla girassol e capim, que vem ganhando força no sul e sudeste de Goiás. A versatilidade do girassol permite aproveitar uma janela de plantio mais tardia (15 de fevereiro a 15 de março) e a parceria com o capim impede que a flor se torne hospedeira do mofo branco, doença que traz sérios danos à soja. 
A opção também traz bom retorno financeiro - superior ao do milho e do sorgo -, já que a produtividade média, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é de 27 sacas/ha e o preço da saca gira em torno de R$ 60. Após a colheita do girassol, o capim ainda vira pasto para o gado durante a seca. 
Quem está apostando no girassol é a Fazenda Santa Brígida, em Ipameri, GO. Este ano, foram cultivados 590 hectares com girassol, mas nem todo ele consorciado com capim. A produtividade foi de 35 sacas/ha, acima da média nacional. [Conheça melhor o sistema da Fazenda Santa Brígida na reportagem "Esse casamento promete" da edição 443 da Revista DBO.]
No vídeo abaixo, João K explica os benefícios do consórcio: 


Fonte: Portal DBO

Embrapa lança Calendário de Manejos

20 de outubro de 2017 em Portal DBO

Permitir melhor planejamento e acompanhamento das atividades relacionadas a bovinos de corte em uma propriedade rural, esse é o principal objetivo do Calendário de Manejos Reprodutivo, Sanitário e Zootécnico (acesse o site neste link), apresentado pela Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS) em parceria com a Universidade Brasil, SP. A ferramenta, disponível em planilha (clique aqui para baixar) editável, é gratuita e chega após três anos de investigação a campo pela equipe formada por Danila Rodrigues Frias, Vanessa Felipe, João Batista Catto, Pedro Paulo Pires, Paula Barbosa Miranda, Luiz Otávio Campos da Silva e Cleber Soares.
A estação de monta é a referência do planejamento, em um calendário organizado em manejos reprodutivo, sanitário e zootécnico e por categorias animais - maternal, desmama, pós-desmama e sobreano - além de touros e matrizes. A ferramenta também é diferenciada por cores e lotes para facilitar o entendimento e a identificação das atividades para cada categoria dentro de determinado mês. Outro destaque ainda é uma versão feita para impressão (clique aqui).
“O material foi idealizado a partir de um diagnóstico de situação em propriedades rurais produtoras de gado de corte, e adaptado aos manejos usuais das mesmas, de forma a interferir o mínimo possível na rotina e viabilizar a adoção das recomendações técnicas”, explica a médica-veterinária e professora Danila Frias, da Universidade Brasil. “O processo de diagnóstico, desde a história clínica dos animais à interpretação dos resultados dos exames, balizou toda a construção do modelo de calendário apresentado. Foi um instrumento clínico e epidemiológico. Saímos do campo das suposições e dados pulverizados e tivemos como comparar o antes e o depois em diferentes condições de criação”, acrescenta a virologista da Embrapa, Vanessa Felipe.
Dentro da programação reprodutiva há recomendações para realização de exame andrológico, diagnóstico de gestação, descarte de matrizes, transferência para piquete maternidade, ingestão de colostro, tratamento de umbigo, identificação e pesagem. Na agenda sanitária, Felipe e Frias comentam que há observações sobre os manejos de controle de endo e ectoparasitas, como mosca-dos-chifres e carrapatos; e utilização de vacinas obrigatórias contra brucelose, febre aftosa e raiva, que devem ser realizadas conforme as exigências e as orientações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para cada Estado ou Região.
Coleta de dados – O diferencial do trabalho foi mesmo o diagnóstico de situação feito nos rebanhos comerciais e de elite de dez fazendas de pecuária de corte de Mato Grosso do Sul. Entre matrizes, touros e bezerros, contabilizaram-se ao redor de 5.100 mil animais. Após a análise dos dados preliminares, montou-se a primeira versão do calendário, que foi aplicado a campo e ajustado, inclusive, com sugestões dos técnicos das propriedades.
O resultado final veio após um ano de aplicação da ferramenta. Para isso, Frias aplicou questionários junto aos responsáveis e proprietários dos estabelecimentos rurais participantes do projeto e levantou dados como índice de prenhez, taxa de abortos, fundo de maternidade e doenças recorrentes; seguido pela coleta  de amostras de sangue, fezes e esmegma. A equipe focou nas principais causas que impactam negativamente em todo processo produtivo da cadeia, não somente em doenças reprodutivas. Além disso, a saúde pública, a qualidade do produto final e o impacto ao meio ambiente também estavam no contexto.
Antes da aplicação do Calendário de Manejos, as taxas médias nas fazendas eram de 70% de prenhez, 15% de fundo de maternidade e 10% de abortos. “Com um ano de adoção, detectamos que houve um aumento, em média, de 5% na taxa de prenhez e uma redução em 50% de fundo de maternidade e taxa de abortos”, afirma Frias. As suspeitas clínicas confirmaram-se nos resultados dos exames laboratoriais.
Entre os achados, as veterinárias puderam romper com a falsa impressão daqueles que acreditam que rebanhos de seleção não têm problemas sanitários relevantes por seu valor genético e tratamento diferenciado. Entretanto, “as doenças infecciosas não fazem distinção entre animal comercial e de elite. É uma quebra de paradigmas”. Elas enfatizam que “com o devido acompanhamento técnico é mais econômico adotar práticas preventivas como as recomendadas no Calendário de Manejos, do que custear tratamentos curativos”.
A pesquisa ainda é parte da formação em pós-doutorado de Frias, concluído em 2016, à época bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na Embrapa Gado de Corte e da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect), sob orientação do melhorista Luiz Otávio Campos da Silva. Hoje, ela é professora na Universidade Brasil, no Campus de Fernandópolis, SP.
Fonte: Embrapa