quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

É falso dizer que o agronegócio ameaça a biodiversidade, diz Xico Graziano

Por Xico Graziano em 31/01/2018 no site Poder 360




O agronegócio é uma ameaça ao patrimônio natural e à biodiversidade no Brasil. Certo? Completamente errado.
Dados recentes divulgados pela NASA, agência espacial norte-americana, mostram que o Brasil utiliza apenas 7,6% de seu território com lavouras. O índice está muito perto daquele calculado, em 2016, pela Embrapa (7,8%).
Para comparação, esse índice fica entre 45% e 65% nos países da Europa. Nos Estados Unidos, a relação é de 18,3%; na China, 17,7%; na Índia, 60,5%. Portanto, se você “achava” que tudo estava virando um mar de soja, ou de cana-de-açúcar, e que não restaria mais nada das florestas virgens, está completamente equivocado.
Aproxima-se de 64 milhões de hectares a nossa área total cultivada. Nela se incluem as lavouras anuais ou temporárias (assim chamadas pelo ciclo curto de produção, como cereais, oleaginosas, algodão, verduras), as semipermanentes (cana-de-açúcar) e as permanentes (cacau, café, laranja e outras frutas).
Quatro países exploram áreas agrícolas bem maiores que a do Brasil: Índia (179,8 milhões de hectares), Estados Unidos (167,8 milhões de hectares), China (165,2 milhões de hectares) e Rússia (155,8 milhões de hectares). Em todos a possibilidade de expansão agrícola é nula, ou seja, eles já se encontram no nível máximo de exploração das terras cultiváveis. Aqui, certamente ainda deveremos aumentar os nossos cultivos.
Além das lavouras, outra parte do território está dedicado à pecuária. Segundo os estudos da Embrapa, 22,2% da superfície nacional é explorada com pastagens, incluindo as gramíneas plantadas (13,2%) e as nativas (8,0%). Ou seja, somando as lavouras com as pastagens, a agropecuária ocupa 29% do Brasil.
As florestas e demais vegetações originais, por seu lado, ainda se fazem presente sobre 66,3% do território brasileiro. É sensacional. Nessa área se incluem os biomas mantidos: a) nas unidades públicas de conservação; b) preservados dentro das propriedades agrícolas; c) existentes nas reservas indígenas; d)encontrados nas terras devolutas da Amazônia. Confira os dados aqui.
Tais informações mostram certo exagero na celeuma sobre o caráter antiecológico da nossa agricultura. É claro que a pressão sobre áreas naturais é distinta entre as regiões do país. Algumas se encontram mais exploradas pelo agro. Outras, menos. Nada autoriza, porém, alimentar o falso discurso que afirma estarem os agricultores acabando com a biodiversidade no Brasil. Chega desse ecoterrorismo contra o agro.
A realidade se impõe: o Brasil é uma potência agroambiental, uma soma virtuosa do ruralismo com o ambientalismo. Desenvolve um modelo altamente produtivo no campo, mantendo suas riquezas naturais. Dá um show nas energias renováveis. Avança na agricultura de baixo carbono.
Logo começará o grande debate nacional provocado pelas eleições presidenciais. Tomara que ele venha alicerçado com bons argumentos, fontes fidedignas, precisas. No campo, como na cidade, existem problemas a serem enfrentados, superados. Merecem ser analisados. Sem “achismos

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Fora de controle

Por:  


Em fins de fevereiro de 2017, quando o agricultor Ricardo Haizman, de Tupanciretã, no centro-oeste do Rio Grande do Sul, percorria a lavoura de soja, notou que algumas folhas estavam pontilhadas com pequenas manchas marrons. “Até me deu um frio na barriga quando percebi que era ferrugem, mas o que me incomodou foi que aquela área tinha sido tratada com várias aplicações de fungicidas. Não era para ter um fungo vivo naquele talhão.” Ele conta que, na virada de março, a lavoura toda estava tomada pela ferrugem. “Quase não se via o verde, estava tudo ‘preteado’.” O agricultor gaúcho se via diante de um problema que vem causando “frios na barriga” de produtores de soja de todo o país, incluindo os que cultivam em regiões quentes do Centro-Oeste e do Nordeste. O fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem, acaba de romper a barreira de proteção das carboxamidas, o mais novo e, em tese, inabalável grupo de fungicidas antiferrugem. Ainda sob o impacto da notícia ruim, especialistas acham que a queda do último bastião de proteção contra a doença pode colocar em xeque o futuro da cultura no Brasil. E já buscam saídas.
A ferrugem asiática é considerada uma das doenças mais severas sobre a soja e pode ocorrer em qualquer estágio (fase) do desenvolvimento vegetativo. A planta infectada apresenta desfolha precoce, comprometendo a formação e o enchimento das vagens, reduz o peso dos grãos e exige mais ações de combate, com impacto no custo da lavoura. Nas diversas regiões brasileiras onde a ferrugem asiática foi relatada em nível epidêmico, os danos variam de 10% a 80% da produção Na região de Tupanciretã, segundo Haizman, as perdas oscilaram entre 2% e 12% em cultivos, que se estendem por 150 mil hectares. “Em alguns talhões da minha lavoura, o estrago chegou a 20% ou mais. Foi assustador, principalmente porque na safra anterior não teve ferrugem nenhuma.” Ele conta que plantou entre o final de outubro e o início de novembro e fez pulverizações preventivas, como na safra anterior. Na outra safra funcionou, mas nesta foi um fracasso.”
Situação crítica - Nos dias 3 e 4 de abril, fitopatologistas do Eagle Team, grupo de elite formado pela empresa UPL e que tem trabalhado intensamente em pesquisas na soja em todas as regiões do Brasil, sentaram-se à mesa no hotel Royal Palm Plaza, em Campinas, para debater a nova situação. As discussões foram permeadas por duas interrogações: até quando a soja tratada com os agroquímicos atuais resiste à ferrugem mantendo a produtividade em patamar competitivo, e, em quantos anos a indústria estará em condições de oferecer ao agricultor um novo produto capaz de frear o avanço do fungo resistente. Ficou claro que não haverá novo grupo químico em menos de oito anos, sendo que o prazo pode chegar a uma década e meia. Quando se falou em culpados, o grupo se dividiu entre os que apontaram o dedo para a indústria, porque teria trazido ao mercado produtos de baixa eficiência, e os que jogaram o ônus sobre o produtor, que teria dado prioridade ao lucro em detrimento das boas práticas de manejo da lavoura.
As discussões, obviamente, transcorreram a portas fechadas. “Ninguém do mundo da soja está muito tranquilo neste momento e pode ser que tenhamos aqui uma lavanderia de roupa suja”, disse, antes, um dos organizadores, convidando a reportagem da Agro DBO a sair do salão. Fato é que já não são raras as lavouras contaminadas por fungos resistentes entre os 33,7 milhões de hectares cultivados em todo o país. A reunião em Campinas foi precedida pelo anúncio do FRAC, sigla em inglês do Comitê de Ação à Resistência de Fungicidas, no dia 8 de março passado, de que o mais novo grupo químico utilizado para controle da ferrugem asiática – as carboxamidas, ou ISDHs – tinha sido vencido pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. O problema se avulta quando se sabe que outros dois grupos químicos usados contra a ferrugem – os inibidores da desmetilação (IDM, ou triazóis), e os inibidores da quinona externa (IQe, ou estrobilurinas), já tiveram a menor eficácia de controle confirmada para o fungo no Brasil. Entrevistada durante a reunião, a pesquisadora Cláudia Vieira Godoy, da Embrapa Soja, alertou que o problema é preocupante devido ao grande potencial de perdas de produtividade. “O fungo vem evoluindo, é natural, e hoje os patógenos estão resistentes aos principais produtos sistêmicos. Só não esperávamos que o rompimento da resistência das carboxamidas, que é o grupo mais novo para a ferrugem, acontecesse tão rápido. Esse novo grupo tinha entrado no mercado em 2014.” Apesar de constatado em algumas áreas nesta última safra, o problema ainda não se generalizou, segundo ela. “Os focos de resistência ainda estão sendo mapeados, mas se observa que o Mato Grosso do Sul, o Paraná e o Rio Grande do Sul têm predominância desses isolados mais resistentes.” São regiões que plantam a soja safrinha, em que leguminosa sucede a própria soja, exigindo um número maior de aplicações de fungicidas, como explica. “Isso acaba antecipando a seleção. A soja safrinha está proibida em algumas partes do Brasil, mas a gente tem o Paraguai que também faz, e o fungo não respeita fronteira.’’
A pesquisadora lembra que em muitas regiões as carboxamidas ainda estão funcionando muito bem. “Embora estejamos vendo uma resistência cruzada, as moléculas não foram afetadas da mesma forma. Ainda não sabemos como vai ser na próxima safra. A gente tem a agravante da soja após feijão, que recebe um grande número de aplicações e favorece a resistência. A situação pode ficar mais crítica com aumento na frequência das mutações. O fungo se espalha com facilidade e pode subir para a região central, onde ainda não tem presença tão forte.” Segundo ela, é recomendável que os estados proíbam a soja safrinha, como fez o Mato Grosso, maior produtor do país, para proteger sua economia. “O Ministério da Agricultura não pode proibir, mas as secretarias estaduais podem fazer isso, em diálogo com o produtor, que deve aproveitar a entressafra para se preparar. O principal insumo na nova safra deixa de ser a semente ou o fungicida, e passa a ser a informação. O que vale para todos é evitar soja safrinha, fazer apenas as pulverizações necessárias, rotacionar os fungicidas e plantar mais cedo, usando multissítios para proteger o fungicida.”
Como outros pesquisadores, Cláudia Godoy não acredita em soluções químicas rápidas. “As quatro principais empresas do setor estão pesquisando, mas não vamos ter mais moléculas que tenham 80% de proteção. O Ministério da Agricultura vem fazendo uma reavaliação dos fungicidas. A empresa não pode informar que seu produto funciona, quando ele não funciona. Vários fungicidas serão suspensos para a próxima safra.” Portaria do Ministério da Agricultura publicada em dezembro de 2016 suspendeu a recomendação de uso de 63 fungicidas utilizados no controle da ferrugem, após uma avaliação constatar que tinham baixa eficácia contra o fungo. O trabalho da comissão continua em 2017, com a avaliação de formulados e misturas. No caso das carboxamidas, Cláudia disse que muitos produtores foram surpreendidos, pois contavam que a lavoura estivesse protegida com os produtos aplicados. “O que a gente esperava era que as empresas tivessem um posicionamento mais proativo para avisar o produtor sobre o que fazer, mas estou vendo muito produtor ainda perdendo.”
Para o pesquisador Erlei de Melo Reis, mestre em fitopatologia, também presente no encontro do Eagle Team, menos de 10% dos produtores de soja aplicaram fungicidas com protetores nesta safra. “Quanto mais aplicarmos as misturas sem protetores multissítios, mais vamos ajudar a seleção de moléculas resistentes. Controle eficiente é aquele que cobre ao menos 80% da lavoura, no entanto, a maioria dos produtos está com proteção abaixo de 60%, alguns com 40%. Minha preocupação é em quantas safras nós vamos ter uma solução. Das grandes empresas, nenhuma trabalha com soluções prontas com protetores. É preciso uma pressão do governo para que se agilize isso.” Conforme o pesquisador, a resistência de fungos é uma resposta natural desses organismos a uma ameaça externa à sua sobrevivência, no caso o fungicida. Quanto maior o número de aplicações, maior a pressão para seleção de populações menos sensíveis aos seus componentes químicos. “Há consenso de que o grande número de aplicações, principalmente em semeaduras tardias, e na soja após soja, é um dos principais fatores para a rápida redução de eficiência dos produtos com sítio específico. O uso de multissítios desde a primeira aplicação dispersaria a seleção, retardando a resistência do fungo ao princípio ativo.
O pesquisador Rafael Cabeda, concorda. Em sua opinião, a situação é gravíssima. Segundo ele, não se trata mais de evitar o desenvolvimento da resistência, mas, sim, de recuperar a eficiência de controle. “Para tanto, a melhor estratégia é a construção do controle, ou seja, edificar a eficiência com a utilização de várias ferramentas, utiliproduzando- as de forma conjuntas e inter-relacionadas. Dada a resistência do fungo aos triazóis, estrobilurinas e carboxamidas, os fungicidas multissítios se tornaram ferramenta importante para o manejo da ferrugam asiática”. Outra possibilidade para o manejo de resistência é a combinação dos multissítios com compostos indutores de resistência na planta e/ou produtos sanitizantes (antiesporulantes)”.
A ferrugem asiática apareceu no Brasil em 2001. O Consórcio Antiferrugem, parceria público-privada de combate à doença, estima o custo médio anual da doença em US$ 2 bilhões, inclusos os gastos com fungicidas e as perdas de produção. Em novembro de 2016, foi encontrado o primeiro foco de ferrugem resistente aos fungicidas numa lavoura de União do Sul, norte do Mato Grosso. No início de março, os focos de resistência se espalhavam pelos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e São Paulo.
Falta informação - O consultor e especialista em aplicação, Paulo César Bettini, da Terra Pesquisa e Treinamento Agrícola, de Primavera do Leste (MT), aponta falhas no uso dos fungicidas e teme pela expansão da ferrugem no estado. “A gente acompanha a reação dos fungicidas no controle das doenças em milho, soja e algodão há alguns anos, e percebe que as falhas de manejo, problemas no monitoramento da lavoura e falta de qualidade na pulverização são determinantes para a perda no controle dessas doenças. E isso está acontecendo com muita frequência.” Ele conta que, na região do Cerrado, o que está sendo feito é o uso contínuo da mesma molécula, favorecendo a resistência. “Algumas empresas indicam o uso de duas ou três aplicações seguidas de triazol ou de carboxamidas, mas não falam em inserir um produto protetor, com ação multissítio para defender essas moléculas. Elas são muito importantes para nós, e a forma de defender é não usar a carboxamida sozinha e, sim, em mistura com produtos protetores. Aumenta o custo, sim, mas é melhor do que ter perdas.
Na avaliação de Bettini, o produtor tem conhecimento prático da lavoura, mas falta informação de qualidade, que pode chegar através da pesquisa acadêmica e da consultoria. “Não tem como trabalhar com soja sem entender como funciona um triazol, uma carboxamida e um multissítio. Já tivemos, no Mato Grosso, perdas de produtividade em razão da ferrugem e os métodos precisam ser revistos para a próxima safra. O primeiro fator importante é a data da semeadura, pois semear mais cedo ajuda o controle. O segundo é usar cultivares de ciclo mais curto. O terceiro, que completa os dois anteriores, é o fungicida correto.” O consultor destaca que os três fatores devem ser usados de forma interagida. “Não dá para fazer como foi feito, entregar a sorte da lavoura à carboxamida e esperar um resultado que não veio. O momento exige mudanças no manejo. Nesta safra, quem não fez um bom manejo perdeu de 10% a 20% do potencial produtivo. Estamos falando do lucro do produtor. É um momento muito sério, podemos estar seguindo para um horizonte perigoso, se o agricultor não tiver um bom planejamento da lavoura.
A produtora e engenheira agrônoma Roseli Giachini, diretora da Aprosoja MT, contou que já foi detectada a perda de eficácia dos fungicidas mais novos contra ferrugem em áreas de cultivo de Campo Novo do Parecis, no centro-oeste de estado. “Tivemos alta pressão em razão do uso indiscriminado de fungicidas e do plantio de soja sobre soja. No final da safra e nos plantios mais tardios, percebemos que a ferrugem avançou. O fungicida é a nossa última forma de controle e o fungo está quebrando a resistência”, alertou. Foram vistos sintomas de ferrugem resistente também em áreas cultivadas em Campo Verde e Primavera do Leste, no sudeste do estado, entre elas, lavouras do Grupo Giachini, de sua família, grande produtor da região. “Existe a presença do fungo, mas fizemos um manejo adequado, com boa tecnologia de aplicação, e não houve perda. Este ano não foi de alta pressão, pois tivemos chuvas regulares. Num ano de mais chuvas, a pressão vai aumentar.” Além de respeitar o vazio sanitário, que na região vai de 15/6 a 15/9, ela recomenda o controle de plantas voluntárias (guaxas), que podem ser hospedeiras do fungo, e aplicações alternadas, com diferentes princípios ativos. “Embora a semeadura possa ser feita de 16 de setembro a meados de novembro, quanto mais tarde se planta, maior a exposição ao fungo.”
No sudoeste de São Paulo, principal região produtora do estado, os produtores fazem rotação de princípios ativos e usam protetores. “Estamos fazendo aplicação antes da instalação da ferrugem e dosando o controle. Se a doença se manifesta, entramos com o fungicida, sempre acompanhado do protetor, geralmente com o princípio ativo mancozeb. É uma convivência cautelosa com o fungo”, descreve o agrônomo Vandir Daniel da Silva, da unidade regional da secretaria estadual de agricultura. Segundo ele, a região sofreu ataques intensos de ferrugem na safra 2005/6 e, de dez anos para cá, os produtores vêm aliando um bom manejo com defensivos mais eficientes. A região cultiva 185 mil hectares, com produtividade média de 67 sacas/ha, cumpre o vazio sanitário (também de 15/6 a 15/9), faz a colheita até o início de maio e não planta soja safrinha. “O cultivo de milho ou trigo nesse período ajuda a controlar a ferrugem e também a mosca branca, outro problema da nossa região.”
Manejo inadequado - A pesquisadora Mônica Paulo Debortoli, coordenadora de fitopatologia do Instituto Phytus, sediado em Santa Maria (RS), acredita que o manejo inadequado está favorecendo da ferrugem. “Temos uma variabilidade muito grande dentro dos 33 milhões de hectares em termos de tecnologia de aplicação, de volume de calda, de quanto de ingrediente ativo efetivamente chega na planta, se não estou causando uma sub-dosagem, dessa forma afetando a absorção e causando uma pressão de seleção sobre o fungo. Aplicando uma dose que seja abaixo da letal eu tenho a chance de selecionar indivíduos que possam sobreviver e se multiplicar nas próximas gerações”. Mônica observou que o sistema de manejo, na maioria dos casos, não privilegia a performance dos fungicidas. “Não se respeitam os intervalos seguros de aplicação, a recomendação de não se fazer a mistura de tanque; a gente não monitora o pH da calda e tudo isso pode afetar a absorção. É preciso fazer a rotação de fungicidas para não expor determinado grupo químico. Também é preciso que a planta esteja numa condição fotossintética muito boa para que o fungicida fique disponível dentro os tecidos. A empresa comercializa o produto, mas é on farm (dentro da fazenda), no manejo correto, que ele expressa sua eficácia.
Para a pesquisadora, a grande preocupação atual da pesquisa é saber até onde o sistema produtivo da soja se sustenta nas condições atuais. “Temos uma tendência de não dispor de novos grupos químicos dentro dez ou quinze anos. Como o controle biológico para a ferrugem da soja está fora da nossa realidade, vamos ter de nos virar com o que temos de ferramentas. Está na nossa mão viabilizar o sistema produtivo ou perdê-lo. Para a próxima safra, a gente precisa urgentemente de um ajuste fino na questão de posicionamento de produtos. Também é preciso olhar para a planta e, às vezes, a gente só olha para o fungicida A, B ou C e esquece que para ele funcionar tem de considerar o indivíduo planta.” Outra questão a ser considerada, segundo ela, é o ciclo da planta. “A gente está buscando precocidade, em razão da segunda safra, mas no momento em que se encurta o ciclo, o produtor tem menos tempo para reverter qualquer dano. Este ano, a perda de performance das carboxamidas aumentou à medida que se avançava a época de semeadura; por isso temos de buscar um posicionamento mais seguro no plantio. Quando mais tarde, mais vou colocar minha soja em condições de muito inóculo.

Escassez de armazenagem cresce nos EUA

Por:  -Leonardo Gottems 



O problema de armazenagem é um velho conhecido no Brasil. Nos últimos 20 anos, o problema tem se agravado majoritariamente no Centro-Oeste com muito milho guardado a céu aberto no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. A novidade é que nos Estados Unidos, país com a maior capacidade de armazenagem de grãos do mundo, a escassez de locais adequados para guardar grãos tem crescido.
No caso do trigo já no ano passado foram reportadas ocasiões onde silos explodiram por excesso de grãos armazenados no estado do Kansas. Neste mês, a mesma coisa aconteceu em um silo localizado no estado de Ohio, mas desta vez com milho. A explosão não deixou nenhum ferido no município de New Carlisle, mas aproximadamente 10 mil toneladas do cereal terão de ficar armazenadas no solo.
A falta de espaço para armazenar grãos não acontece nos dois principais estados produtores, que são Iowa e Illinois, mas vem se agravando há um bom tempo em estados menos tradicionais. A empresa argentina IpesaSilo tem exportado os chamados silo-bolsas ou silo-bags para estados norte-americanos como Nebraska, Oklahoma, Dakota do Sul e Montana.
De acordo com os dados publicados pela Universidade de Cornell e pelo Departamento da Agricultural dos Estados Unidos (USDA) em Dezembro de 2017, a capacidade de armazenamento de grãos em fazendas nos Estados Unidos é de aproximadamente 342 milhões de toneladas. A capacidade de armazenamento em instalações externas aos campos é de 284 milhões de toneladas. O crescimento da capacidade foi de apenas 1% de 2016 para 2017, muito abaixo do incremento dos estoques de todos os grãos.

Argentina pode desequilibrar mercado mundial

Por:  -Leonardo Gottems 



O mercado internacional da soja continua vendo a provável quebra de produção de soja na Argentina como o principal fator altista à frente. “Se, por um lado, é verdade que o mercado já precificou esta situação, por outro, tudo poderá mudar a partir dos mapas dos períodos seguintes”, alerta a T&F Consultoria Agroeconômica.
“Os fundos de investimento, por exemplo, já esgotaram os seus sentimentos de alta e resolveram tomar lucros das enormes posições vendidas que tinham até o momento, jogando as cotações para baixo nos dois últimos dias (quinta e sexta da semana passada). Assim, com Chicago caindo e o dólar despencando no Brasil, mais o início da colheita, é pouco provável (a menos que ocorra algum falto novo inesperado) que os preços subam a curto prazo”, aponta o analista Luiz Fernando Pacheco.
O fato novo, de acordo com analistas de mercado argentinos, poderá ser a confirmação da redução da safra argentina, dos iniciais 57 milhões de toneladas para 54 milhões ou mesmo 50 milhões. A BCBA já adiantou que é muito provável que a área prevista seja inteiramente plantada. Ressaltou, porém, que estas chuvas não serão suficientes para o desenvolvimento das plantas nas principais áreas de produção do país – províncias de Buenos Aires e La Pampa –, o que poderá significar realmente uma redução na produção.
“Redução na produção argentina de soja, principalmente se for acima de 4 milhões de toneladas, significa um forte desequilíbrio no quadro de oferta e demanda mundial de grão e, principalmente, de farelo e óleo, já que o país é o maior fornecedor mundial desses dois subprodutos. Por isso o mercado está tão apreensivo. Evidentemente, que a demanda convergirá para o Brasil e para os EUA, aumentando os preços e os prêmios do mercado físico e as cotações dos mercados futuros.
Mas, esta confirmação só ocorrerá em definitivo a partir de abril quando a Argentina começar a colher a sua safra de soja. Até lá, o mercado sofrerá altos e baixos, na medida das especulações sobre a sua produção”, conclui Pacheco.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

As características que fazem da Nova Zelândia a maior exportadora de lácteos do mundo

Por Guilherme Ristow em 26/01/2018 no site MilkPoint


Dois anos atrás, ainda como estudante de medicina veterinária do CAV/UDESC em Lages-Santa Catarina, tive a oportunidade de vivenciar um estágio de um ano em uma fazenda leiteira na Alemanha, onde aprendi processos e manejos de como se produzir leite no sistema de confinamento free-stall. Passados dois anos, agora formado como médico veterinário, surge a oportunidade de desenvolver ainda mais a minha carreira na área, dessa vez um pouco mais isolado do resto do mundo, em um país aonde a indústria leiteira é uma das atividades mais importantes, se não a mais significativa da economia local.
No ano de 2017 o leite contribuiu com 35% das exportações de produtos primários da Nova Zelândia, gerando uma receita de 13,4 bilhões de dólares, empregando 50.000 mil pessoas (34.000 em fazendas e 16.000 na indústria), contribuindo fortemente com o PIB interno, gerando riqueza e emprego para a população local.
A Nova Zelândia é a maior exportadora de derivados lácteos do mundo, produzindo 3% do volume total de leite do planeta. Seu isolamento geográfico protege seu rebanho de doenças; sua condição climática perfeita, seu solo extremamente fértil, abundância de água e tecnologia aliados à ORGANIZAÇÃO fazem dela o local ideal para se produzir leite.
No ano de 2001 toda a cadeia leiteira do país foi reestruturada através de um ato público que trouxe diretrizes relacionadas a sustentabilidade, bem-estar animal, políticas de mercado interno, enfim, tudo o que engloba o know-how da indústria leiteira está nesse arquivo, o qual está disponível online para consulta (Dairy industry restructuring act 2001).
Se tem três tópicos que eu escolheria para definir a produção de leite na terra dos kiwis, são VOLUME, TECNOLOGIA e ESTRUTURA OPERACIONAL. A primeira é facilmente explicada pelo tamanho dos rebanhos que encontramos por aqui. Cinquenta por cento das fazendas possuem de 100 a 350 animais, 30% possuem 500 vacas ou mais, 12% apresentam 750 vacas e 5% mais de 1000 animais. Além disso, nos últimos anos o número de fazendas com rebanhos maiores que 400 vacas vêm aumentando, provando a aptidão kiwi por volume de produção.
O tópico tecnologia eu subdividiria ainda em mais dois sub tópicos, sistema de irrigação e melhoramento genético, os quais aliados aumentam significativamente a eficiência de todo o sistema leiteiro. Na Nova Zelândia, 800.000 mil hectares são irrigados, otimizando o crescimento de pasto para todos os tipos de cultura, leite, carne de gado e ovelha.
Os dois principais sistemas de irrigação aqui utilizados são o sistema pivot e o sistema K-line. O primeiro é 100% automatizado e requer altos investimentos que retornam apenas ao longo prazo, mas, no entanto, traz comodidade, durabilidade e garantia de eficiência de irrigação, convertendo investimento em aumento do volume de comida para os animais, que no final das contas reverterá em maior volume de produção de leite e melhora da remuneração do produtor.
Já o sistema K-line é muito mais barato, menos duradouro e exige algumas horas de manejo diário, precisando ser movimentado de acordo com o crescimento de pasto no piquete. Ou seja, na hora de optar pelo sistema de irrigação ideal para sua fazenda, capacidade de investimento do produtor e disponibilidade de mão de obra devem ser levados em consideração.
O melhoramento genético neozelandês é feito pela cooperativa LIC (Livestock Improvement Corporation), que é mantida por mais de 10.000 fazendeiros, prestando serviços de venda de sêmen fresco e congelado, inseminação, diagnóstico de prenhês, implementação de tecnologias e assistência técnica.
A cada quatro animais inseminados na Nova Zelândia, em três é usado sêmen de touros da LIC. Mais de 5 milhões de doses de sêmen foram comercializadas pela cooperativa somente em 2017 e mais de 800.000 mil animas tiveram análise de DNA feita para diagnóstico de doenças e teste de mérito genético.
Ela possui ainda um banco de dados de mais de 90% dos animais inseminados, fazendo com que o melhoramento genético seja uniforme em todo o país, gerando dados estatísticos e números reais do que tem sido feito até o momento.
O cruzamento mais utilizado nos últimos anos é do holandês (holstein-friesian) com animais da raça Jersey, originando o “kiwi-cross”. Essa cruza explora o rigor híbrido das duas raças, ou seja, a superioridade dos filhos em relação aos pais, gerando animais ótimos em conversão de pasto em leite, longevos, férteis, resistentes a doenças, produzindo mais proteína e gordura no leite que o holandês e, ao mesmo tempo, mais volume de leite que o Jersey.  
Outra ferramenta que eu considero inovadora e diferenciada é o chamado “herd testing” ou teste de rebanho, o qual permite que os fazendeiros obtenham informações individuais de cada animal do seu plantel, auxiliando na hora da tomada de decisão em relação a manutenção ou não da vaca na próxima lactação. Há duas companhias que realizam o herd testing por aqui, a CRV e a LIC, ficando a cargo do produtor de quando e com qual frequência realiza-lo.
Basicamente é coletado duas amostras de leite em dias separados e enviados para o laboratório das respectivas empresas. Os resultados saem em questão de dias, trazendo informações de volume de leite, teor de sólidos, contagem de células somáticas, contagem bacteriana, monitoramento de mastite clínica e subclínica, identificação de vacas improdutivas, bem como de vacas altamente produtivas que são de interesse para reprodução. Só no ano de 2017, 3,2 milhões de vacas passaram pelo herd testing, representando 65% do rebanho kiwi, provando que tecnologia, eficiência e volume podem, sim, andar juntos dentro da propriedade.


Outra característica que eu considero peculiar do sistema de produção leiteiro kiwi é o sistema operacional das fazendas. As propriedades são operadas por três sistemas diferentes: “owner-operator,” sharemilking” e ainda “contract milker”.
O primeiro são fazendeiros que são donos da própria terra, dos insumos, dos animais, das instalações e contratam um gerente e uma equipe para tocar as atividades, recebendo 100% da receita bruta. No entanto, arcam com 100% dos custos de produção. Essa categoria representa 72% de todas as fazendas da Nova Zelândia.
O segundo sistema, sharemilking, funciona da seguinte forma: o “sharemilker” opera a fazenda como se fosse o proprietário das terras; no entanto, não é. Ele acorda com real dono uma porcentagem dos lucros, utilizando toda a estrutura já pré-estabelecida (instalações, rebanho, maquinário, pastagens, sistema de irrigação), funcionando como se fosse um aluguel, sendo os lucros divididos entre o sharemilker e o real dono. O modelo de contrato mais comum é o 50/50%, onde o sharemilker arca com os custos de produção e salários dos funcionários e o lucro provém da venda da metade do volume do leite produzido mais a venda de animais excedentes (terneiros, novilhas e vacas), enquanto o dono arca com custos de manutenção da propriedade e seus lucros são oriundos dos 50% restantes do volume de produção mais o excedente de leite produzido no mês.
Esse sistema é altamente conveniente para um proprietário idoso que não quer mais se incomodar com o estresse de se produzir leite e não possui herdeiros para deixar a terra e ao mesmo tempo é muito vantajoso para um jovem motivado que quer dar o próximo passo na carreira, mas não possui condições de adquirir a terra, tornando-se um sistema de simbiose,  onde todos saem ganhando. Esse sistema faz parte do plano de carreira das fazendas criado na nova Zelândia, onde um simples assistente de fazenda um dia pode vir a se tornar um competente sharemilker, dependendo apenas de sua própria força de vontade, conhecimento e experiência adquirida.
O terceiro e último sistema é o contract milker, o qual funciona da seguinte forma: uma pessoa é contratada pelo dono da terra para produzir leite, recebendo uma remuneração de acordo com o montante de quilogramas de sólidos de leite produzidos, não arcando com custos de produção, nem com investimentos na propriedade.
De todas as fazendas, 73% delas são operadas no sistema owner-operator, 27% sharemilking e o restante ficando a cargo dos contract milkers.
A Nova Zelândia tornou a produção leiteira em uma indústria altamente atrativa, fazendo com que muitos jovens se interessem por ela. Há pessoas dos quatro cantos do mundo trabalhando nas fazendas, tods compartilhando o sonho de desenvolver uma carreira digna, com salários justos e perspectiva clara de crescimento, as quais é difícil se se obter em seus países de origem, pois a indústria leiteira em outros locais ainda vive no regime tradicional familiar, no qual você é fazendeiro ou peão, não permitindo que o peão vire um dia o fazendeiro.
Para se ter uma perspectiva do quão grande e importante é o segmento leiteiro para os kiwis apresento alguns números de produção referentes ao ano de 2016 e 2017, que deixam claro para o leitor que leite por aqui é coisa séria e um mercado em plena expansão. Nas duas últimas temporadas, o tamanho do rebanho total era de 4,9 milhões de vacas, para uma população 4,8 milhões de pessoas, ou seja, cada habitante poderia possuir uma vaca em casa para consumo de leite fresco diário.
A ilha norte possui 73% dos animais, ficando o restante localizado na ilha sul. São 1,7 milhões de hectares destinados exclusivamente à produção de leite, com uma densidade média de 2,8 vacas por hectare de terra e cada propriedade com um tamanho médio de 147 hectares, cada vaca produzindo uma média de 15 litros/dia, totalizando em média 2900 litros/ano, para um período de lactação de 255 dias.
Esses 15 litros por dia podem até parecer baixos se compararmos com outras realidades mundo a fora, até mesmo a brasileira, mas é válido ressaltar que a base da alimentação aqui é pasto, as vacas caminham longas distâncias para serem ordenhadas, o uso do concentrado é mínimo ou nulo e os animais sofrem com a variação climática ao longo do dia, ou seja, baixo custo, efetividade e produção de pasto são as premissas do sistema.
As leiterias espalhadas pelas duas ilhas processaram 21 bilhões de litros de leite e 1.8 bilhões Kg de sólidos em 2016/2017, transformando matéria prima em leite em pó (37%), leite UHT (21%), queijo (12%) e manteiga (9%), exportando 95% dos seus derivados para mais de 100 mercados espalhados pelo mundo, sendo os principais clientes China, Estados unidos, Emirados Árabes, Austrália e Japão.  
O leite é a principal fonte de proteína consumida no mundo e cada vez mais o mercado consumidor vem aumentando a pressão para se produzir de forma sustentável e eficiente. A Nova Zelândia está aí para nos mostrar que eficiência produtiva, gestão de recursos naturais e gestão de pessoas devem estar alinhados, buscando maximizar os ganhos para quem produz, para quem trabalha, para quem processa e para quem consome esse nobre alimento tão importante em nossas vidas. Viva o leite!

Para prevenir casos de H1N1, alemães organizam caça a javalis

Por Suinocultura Industrial em 26/01/2018



De acordo com a publicação Euro News, a Alemanha abriu caça aos javalis como forma de prevenção contra o vírus H1N1. A Cepa já chegou à União Europa, vindo de África, através da parte oriental do velho continente.

O noticiário informou que são seis os países afetados, no seio da UE, entre eles três Estados do Báltico: Roménia, Polónia e República Checa.

"Na Alemanha temos uma das maiores populações de javalis do mundo. Aqui, o vírus encontra um cenário particularmente bom para a propagação pela multiplicidade de hospedeiros. Todas as medidas que levem à redução da população de javali são, certamente, um pré-requisito para um controlo, bem-sucedido, desta doença", explica Thomas Mettenleiter, presidente do Instituto Friedrich Loeffler.

Ministério da Agricultura cria banco de dados de identificação animal

Globo Rural em 26/01/2018




Ministério da Agricultura aprovou nesta sexta-feira (26/1) a criação de um banco central de dados de identificação animal. O objetivo é que, por meio de dispositivos de radiofrequência e códigos definidos por regras internacionais, entidades públicas e privadas possam ter melhor controle do trânsito pecuário no País e nas exportações.
Segundo o governo, o controle desse banco de dados e o fornecimento dos códigos serão feitos pela Plataforma de Gestão Agropecuária, da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA).O secretário da SDA, Luis Rangel, diz, em nota, que a adesão ao banco de dados é opcional. "O benefício para o produtor será a possibilidade de ter seus animais identificados conforme as exigências internacionais, em uma plataforma pública, aprovada pelo ministério.
"Cada código de identificação de animais será formado pelo número 076 (código ISO Brasil), seguido por uma sequência exclusiva de doze dígitos numéricos. Com isso, quando um bovino, por exemplo, for exportado e estiver no novo sistema, o código será visualizado em elemento externo (brinco) ou pela leitura eletrônica de dispositivo implantado (chip). O dispositivo de radiofrequência pode ser "lido" em qualquer país do mundo, não havendo necessidade de nova identificação em outros sistemas existentes, diz o ministério.
A Plataforma de Gestão Agropecuária foi criada em 2015, como sistema público informatizado de rastreabilidade do rebanho do país, da movimentação dos animais e da produção agrícola, e também de inspeção e fiscalização de produtos de origem animal. A plataforma disponibiliza relatórios e informações sobre o setor agropecuário.