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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Inseminação artificial: 11 cuidados no manuseio do sêmen congelado

SF Artigos - Por Neimar Correa Severo em 08/01/2018



O manuseio adequado do sêmen congelado é essencial para manter ótimos resultados nos programas de inseminação artificial, tanto com sêmen sexado como com o convencional. Para manter a alta qualidade da inseminação, o técnico inseminador deve prestar atenção em muitos detalhes durante o manuseio do sêmen congelado.

1 – Congelamento e armazenagem

O sêmen congelado é embalado em palhetas plásticas, conhecidas como palhetas médias, com volume útil de 0,50 mililitros, e palhetas finas, com volume de 0,21 mililitros, para o sêmen convencional. As palhetas são armazenadas em hastes de alumínio chamadas “raques” ou em “globets” plásticos, contendo dez palhetas por haste para o volume de 0,50 ml e 20 palhetas por haste para o volume de 0,21 ml.

A parte superior da haste ou raque é identificada com um código de duas letras (raça abreviada) e o número do touro na central. O procedimento para o manuseio é o mesmo para ambos os volumes de sêmen. Os containers de alumínio ou botijões de armazenagem contêm nitrogênio na forma líquida a 196ºC negativos de temperatura.

2 – Como manusear ao retirar do botijão?

Para evitar manuseios desnecessários, deve ser feito um inventário detalhado, para que as palhetas possam ser localizadas facilmente e retiradas rapidamente do botijão, evitando exposição demasiada à temperatura ambiente. Toda a raque contém o número de identificação do touro na Alta Genetics, o que facilita a localização do sêmen.

A caneca que contém o sêmen deverá ser levantada até no máximo cinco centímetros abaixo da boca do botijão para que a dose seja retirada. Nesse manuseio é essencial o uso de uma boa pinça para remover a palheta. O tempo total para a retirada de seu interior não deve ser superior a dez segundos para qualquer tipo de embalagem (palheta média ou fina).

Caso não consiga identificar e retirá-lo em dez segundos, o técnico deve abaixar a caneca até o fundo do botijão e dez segundos depois recomeçar a operação. Após retirar o sêmen do botijão, nunca o deixe sem a tampa, para evitar evaporação do nitrogênio líquido.

3 – Evite a exposição à temperatura ambiente

É preciso evitar expor o sêmen à temperatura ambiente porque as alterações causadas nos espermatozoides, tanto na motilidade como nas membranas citoplasmáticas, ocorrem acima de 79ºC negativos. Essas lesões não voltam ao normal depois que o sêmen retorna para a temperatura do nitrogênio líquido.

A palheta fina é mais sensível e manuseios errados provocam alterações na temperatura interna da palheta, com perda na qualidade e redução da fertilidade. O menor diâmetro a torna mais sensível a erros de manuseio. Lembre-se que a temperatura ambiente afeta o tempo de exposição do sêmen na boca do botijão. Em temperaturas ambientes de 36ºC, os efeitos são mais prejudiciais do que em temperaturas ambientes de 18ºC, por exemplo. Correntes de vento direto na boca do botijão de armazenagem também prejudicam a qualidade do produto.

4 – Como descongelar corretamente?

Após remover a palheta do botijão, sacuda-a rapidamente para retirar a bolha de nitrogênio que fica no tampão de algodão no final da palheta e coloque-a na água morna entre 35 e 37ºC, mantendo-a pelo menos 30 segundos mergulhada na água antes de retirá-la para o uso. Utilize a pinça plástica para remover a palheta da raque. É importante checar a temperatura da água do banho antes de descongelar a palheta. Lembre-se sempre que a água deve estar entre 35 e 37ºC.

5 – Não descongele direto na vagina da vaca

Descongelar o sêmen diretamente na vagina da vaca compromete a qualidade da inseminação. O método ideal para descongelar o sêmen é na água morna entre 35 e 37ºC, por no mínimo 30 segundos. Muitos estudos comprovam que nenhum outro método se mostra tão eficiente no campo como o banho na água morna na temperatura indicada acima.

Quando o sêmen é descongelado com outros métodos, como no bolso, na vagina da vaca, na mão ou em água na temperatura ambiente, o tempo de descongelamento é maior, provocando danos nas muitas estruturas sensíveis do espermatozoide, pela reorganização dos cristais de gelo durante a reversão do processo de congelamento.

Na temperatura entre 35 e 37ºC, por no mínimo 30 segundos, a velocidade de descongelamento do sêmen é rápida o suficiente para evitar que os cristais de gelo provoquem lesões nas membranas do espermatozoide, promovendo uma sobrevivência maior de células viáveis, com melhor qualidade do sêmen.

6 – Só descongele as doses necessárias

Caso seja necessário, descongele o número de doses que possam ser utilizadas dentro de cinco minutos, no máximo. A vantagem de descongelar em água morna só se mantém se o sêmen for usado logo após o descongelamento. Na verdade, não é o número de doses descongeladas, mas sim a capacidade do inseminador, bem como as condições das instalações de contenção, que vão determinar a quantidade de doses descongeladas ao mesmo tempo. Num programa de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) bem conduzido, podem ser descongeladas até cinco doses por vez. É importante lembrar que isso só pode ser feito em descongeladores eletrônicos com bom volume de água.

7 – Sacuda a palheta

Você pode sacudir a palheta antes de cortar a ponta lacrada. Sacudir a palheta ajuda a mover a bolha de ar para a ponta lacrada, diminuindo a perda de sêmen em torno de um a cinco por cento, não danificando os espermatozoides.

8 – Proteja o sêmen

É importante proteger o sêmen sempre. Mesmo depois de descongelar o sêmen, devemos proteger os espermatozoides contra o choque térmico. Em ambientes frios, devemos aquecer o aplicador de sêmen, friccionando-o com a mão, e em ambientes quentes, devemos evitar o calor excessivo, porque ambos podem reduzir a fertilidade. Até a aplicação na vaca o sêmen deve ser protegido do choque térmico.

9 – Transporte

Algumas empresas recomendam o descongelamento do sêmen para o transporte na água morna por várias horas, mas essa recomendação é inadequada. O sêmen congelado só pode ser transportado no nitrogênio líquido. É um erro recomendar o transporte na água morna entre fazendas, mesmo que estejam próximas uma da outra.

Acontece que os espermatozoides descongelados, quando mantidos na água morna, entre 35 e 37ºC, perdem vitalidade à medida que o tempo passa. Eles gastam sua própria energia e, depois, trocam substratos com o diluente, tornando o ambiente desfavorável para sua sobrevivência. O tempo máximo recomendado para permanecer na água morna é cinco minutos entre 35 e 37ºC.

10 – Armazenagem

O sêmen armazenado em “globet” plástico tem mais qualidade que o armazenado na raque. O “globet” plástico protege adequadamente o sêmen durante o manuseio nas transferências e retiradas do botijão, pois mantém as palhetas mergulhadas no nitrogênio líquido, com uma boa margem de segurança, desde que obedecidos os dez segundos de exposição no gargalo do botijão, conforme a resposta número dois.

11 – Avaliação

Não é recomendável avaliar o sêmen na própria fazenda. A avaliação é um trabalho difícil, que exige muitos cuidados, antes e durante a análise da amostra, para que dê bons resultados. Se o veterinário não é suficientemente treinado em manuseio de sêmen congelado, estimativa de motilidade, contagem de células em câmaras hematimétricas e morfologia espermática, é provável que ocorrerão erros na interpretação da qualidade da amostra analisada. O melhor é encaminhar a amostra para o laboratório da Alta Genetics, que fará a reanálise do sêmen.

* Neimar Correa Severo é responsável técnico da Alta Genetics. É médico veterinário pela Universidade da Região da Campanha (Urcamp) e especialista em Produção e Reprodução de Bovinos pelo Instituto Qualitas da Universidade Castelo Branco (UCB)

Artigo original do site SF Agro | Farming Brasil: http://sfagro.uol.com.br/inseminacao-artificial-semen-congelado/

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Ajuste no descongelamento de sêmen aumenta prenhez




Em um treinamento para inseminadores, Luciano Penteado, sócio-proprietário da Firmasa, empresa especializada em IATF (inseminação artificial em tempo fixo), aprendeu uma lição que não esquece mais, e que compartilhou nesta quinta-feira, 20, com a plateia da InterCorte em Campo Grande, MS. Trata-se do manejo ideal para o descongelamento de sêmen, que pode interferir, e muito, na taxa de prenhez conseguida com a técnica de reprodução.
De acordo com ele, ao baixar a temperatura das palhetas de sêmen em mais de 1,5°C, durante a transferência do botijão de nitrogênio para o descongelador, o produtor contribui para que uma proteína específica do espermatozóide seja lesada, o que dificulta que ele faça a perfuração do óvulo e, consequentemente, promova sua fecundação. “Como estamos acostumados a tirar até dez doses de uma vez do botijão isso acontece, e as perdas podem ser grandes”, afirma.
Curioso sobre a informação que recebeu no treinamento, Penteado fez um teste e comprovou na prática o que lhe havia sido dito. Em um experimento com 280 vacas, inseminou a metade com doses de sêmen retiradas em grupos de três do botijão e comparou com a retirada de dez em dez. “Para a nossa surpresa, 30 dias depois, as vacas que contaram com o descongelamento rápido apresentaram 44% de prenhez, ao passo que as que receberam sêmen descongelado de forma lenta, com variação da temperatura inferior a 1,5°C por conta disso, tiveram média de 56%”, diz.
Mas nem isso o deixou satisfeito, e orientado pelo professor Pietro Baruselli, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, ele repetiu o teste, dessa vez com 1.163 vacas. Neste caso, do grupo das cerca de 570 vacas que receberam sêmen descongelado de modo convencional, 42% emprenharam, contra 51% do grupo de descongelamento lento (veja o gráfico no final da matéria). “Então, com pouco mais de mil vacas, houve diferença de nove pontos percentuais de um tratamento para o outro, o que nos leva a um ganho de 20% (sobre os 42%) só com essa mudança no descongelamento”, afirma.
Adequação do manejo - E se a dúvida é sobre a viabilidade de implantar o método em propriedades comerciais, para Penteado, não há tempo ruim. “Tudo que o produtor precisa ter em mente é que não pode ter pressa quando for tirar a palheta de sêmen do botijão de nitrogênio e colocar no descongelador eletrônico. Ele precisa fazer isso devagar, com poucas doses, para não abaixar a temperatura em mais de 1,5°C”, diz. 
As possibilidades são basicamente três: 1) ou o produtor reduz o número de animais por período e perde um pouco de agilidade para ganhar eficiência; 2) ou trabalha com dois descongeladores, tendo que investir na compra de um novo equipamento; 3) ou tem uma pessoa dedicada só para mexer com o descongelador. Seja qual for a escolha, o custo-benefício, segundo Penteado, compensa. “Porque imagine que um produtor tenha 100 vacas. Se 51 emprenharem com o descongelamento lento, em vez de 42, ele vai ter nove ou, com uma taxa de mortalidade de 10%, oito bezerros a mais. Se cada bezerro vale R$ 1.000, grosso modo, ele vai ganhar R$ 8 mil a mais por programa. E um descongelador custa R$ 800. Então, só 10% do que ele ganha no primeiro programa já é suficiente para pagar essa despesa”, diz. Para os outros casos o produtor pode usar um raciocínio parecido.
 

Fonte: Portal DBO

terça-feira, 11 de julho de 2017

Molécula capaz de aumentar a taxa de prenhez em bovinos

Por Ivan Formigoni 
Em 10/07/2017 no site Farmnews

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Pesquisadores da Inprenha Biotecnologia e da USP descobriram uma molécula capaz de aumentar a taxa de prenhez e diminuir a perda embrionária no início da gestação de bovinos.

A descoberta, resultado de um projeto apoiado pelo PIPE, da FAPESP, deu origem a um produto voltado a aumentar a eficiência reprodutiva animal.
O produto foi testado e patenteado pela empresa no Brasil e em outros 8 países, além de na Comunidade Europeia, e está em processo de registro no MAPA.
“Descobrimos uma nova aplicação para a molécula. Não encontramos nenhum produto semelhante em desenvolvimento no mercado de reprodução animal no Brasil e no mundo”, disse Marcelo Roncoletta, diretor da Inprenha e coordenador do projeto, à Agência FAPESP.

O pesquisador e sua sócia na empresa, a pesquisadora Erika Morani, têm estudado desde que fundaram a empresa, em 2008, alternativas para aumento da taxa de prenhez e eficácia reprodutiva de animais.

Uma das linhas de pesquisa a que se dedicaram foi a diminuição da perda embrionária no início da gestação de bovinos baseada em hipóteses que levantaram ao estudar o reconhecimento materno da gestação e a imunotolerância materno-fetal para manutenção da gestação.
A parceria entre a instituição e a empresa resultou na confirmação da hipótese de que a molécula aumenta a taxa de implantação de embriões no útero materno de bovinos e no patenteamento tanto do produto como do processo de obtenção da molécula.

Em decorrência disso, a empresa tem investido na produção em larga escala da molécula recombinante com o intuito de atender a expectativa de demanda do produto no mercado interno e externo.

“O produto não visa ao tratamento de doenças ou de infertilidade, mas ao aumento de eficácia de animais férteis submetidos a procedimentos de inseminação artificial e transferência de embriões”, explicou Roncoletta.
De acordo com o pesquisador, o produto tem demonstrado eficácia quando administrado no dia da inseminação ou 7 dias depois.
A administração do produto é realizada com sua deposição no útero do animal, em contato com o endométrio (mucosa de revestimento interno do útero).
“A partir da inoculação do produto começa a ocorrer uma série de eventos biológicos que culminarão no aumento do privilégio imunológico ao embrião. Isso, consequentemente, dará maior chance de estabelecimento e manutenção da gestação”, detalhou Roncoletta.
Segundo o pesquisador, o produto foi amplamente testado em procedimentos de transferência de embriões produzidos in vivo e in vitro – em que foi aplicado concomitantemente à inovulação de embriões na receptoras – e de inseminação artificial – em que foi inoculado no ato da inseminação, na sequência da deposição do sêmen.

Os resultados dos testes indicaram que o produto foi capaz de aumentar em 14% a taxa de prenhez nas receptoras de embriões produzidos in vivo, 7% nas receptoras de embriões produzidos in vitro e 10% na inseminação artificial.

“Já fizemos mais de 10 mil inseminações, com diferentes raças e rebanhos, e as crias nasceram saudáveis, sem alterações neonatais e morfológicas, o que confirma que o produto é muito seguro com relação à farmacologia”, afirmou Roncoletta.
Atualmente, a empresa tem capacidade de produzir 70 mil doses do produto por mês, que estão sendo usados para realização de mais testes.
Com a obtenção do registro no MAPA e a liberação da comercialização, o pesquisador estima que terão mais que dobrar a atual capacidade de produção.
Conheça também a TIFOI, tecnologia que dispensa o uso de hormônios para produção de embriões em bovinos (clique aqui e saiba mais).
Adaptado de Agência Fapesp.