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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Normas para transporte de animais vivos são avanço para bem-estar

Marina Salles e Thuany Coelho
Em 05/10/2017 no site Portal DBO

Resultado de imagem para transporte de animais

Não é rara a ocorrência de lesões e até mesmo morte de animais por causa de problemas no transporte terrestre. Ainda assim, até junho deste ano, o país não tinha uma regulamentação para o deslocamento rodoviário de animais de produção. Com a resolução Nº 675, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), isso deve mudar. “Esse foi um dos grandes avanços do Brasil em bem-estar animal. Havia uma grande necessidade de normatização dessa questão”, diz José Rodolfo Ciocca, gerente de agropecuária sustentável para a América Latina da ONG World Animal Protection, que participou do grupo de trabalho que discutiu as regras. A resolução traz uma boa notícia tanto do ponto de vista do bem-estar animal como da segurança nas estradas, e pode levar um alento para pecuaristas e indústria, na medida em que as lesões decorrentes do transporte se traduzem em perdas financeiras.
A resolução coloca a necessidade de abertura total da traseira do caminhão para facilitar o desembarque em casos de emergência; exige ventilação e controle de temperatura adequados no transporte; piso antiderrapante para evitar escorregões; altura adequada para levar bovinos, bubalinos e cavalos em pé; além de elevadores em caso de veículos com mais de um piso para embarque e desembarque de suínos e aves. Segundo a resolução, a lotação de animais nos caminhões deverá ser definida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O texto já está valendo, mas o prazo para adoção das medidas é 1º de julho de 2019. A responsabilidade de fiscalização é do Contran e do Mapa.
Segundo Ciocca, ao receber um caminhão que coloque em risco o bem-estar animal, o produtor pode se recusar a fazer o embarque. “Às vezes, é preciso tomar medidas mais radicais, porque, se ele apenas reclamar com o motorista, pode ser que a insatisfação não chegue ao responsável por isso no frigorífico”, afirma.
Novos passos - Para Ciocca, as normas estabelecidas ainda não são as ideais, mas representam um primeiro passo importante. “Ainda falta uma clareza em pontos como o tempo de transporte, densidade de animais e capacitação dos profissionais envolvidos, mas temos que ir devagar. O importante é que haja um progresso contínuo e sólido. Não adianta exigir o final ideal de uma vez só”, afirma. 
De acordo com ele, alguns estudos já indicam que transporte de longa distância gera carne escura. “E, hoje, principalmente quando se trabalha muito com proteína embalada à vácuo, a carne escura é um desafio, porque ela tem um tempo de prateleira menor”.
No caso da densidade, ele espera que haja maior discussão na cadeia antes de se chegar a uma definição. “Você não pode trabalhar nem com uma densidade alta nem baixa, ambas são prejudiciais”, explica o especialista.
Altura dos caminhões - Um projeto de lei (PL 6392/16) de autoria do deputado Zé Silva (SD-MG) quer aumentar em 30 centímetros - de 4,4 metros para 4,7 metros - a altura de caminhões de dois andares que transportam gado. A proposta surgiu de uma demanda da Associação dos Caminhoneiros de Iturama, município do Triângulo Mineiro. Em audiência na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, caminhoneiros e transportadores alegaram que a altura atual causa lesões nos animais e multas aos motoristas, já que os bovinos ficam sem o espaço adequado.
Com isso, os condutores chegam a fazer alterações - como cortar a parte superior da carreta - na carroceria por conta própria. “Hoje os caminhões contam com apenas 1,65 m em cada andar, o que faz com que os animais fiquem muito apertados”, diz o deputado. A altura média da raça Nelore é de 1,70 m, mas pode ser maior em algumas regiões, como a Norte. "Temos que desenvolver carrocerias pensando no tipo de gado que produzimos e levando em contas as diferenças regionais. Vimos muitas vezes animais chegando no frigorífico com o cupim totalmente machucado, porque o animal passou a viagem inteira esbarrando na estrutura metálica do caminhão", conta Ciocca.
Na audiência, Wilson José Catiste, da Vilaços, fabricante de carrocerias, disse que para manter a altura no máximo permitido, as empresas precisaram suprimir o sistema de suspensão dos veículos, mas não há como ganhar mais espaço interno sem aumentar a altura.
Para os defensores da mudança, é possível ampliar a altura permitida, já que caminhões que transportam automóveis, os “cegonhas”, têm autorização para ter até 4,95 m de altura. Técnicos do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) presentes na audiência disseram estar abertos a estudar sugestões de alterações na legislação. “Porém, é preciso verificar quais são os impactos de elevar em 30 centímetros a altura do veículo. São necessárias mais informações para que possamos nos manifestar”, ponderou Leonardo da Silva Rodrigues, do Dnit.
Além de modificar o CTB para permitir o trânsito desses veículos com 4,7 metros de altura, a proposta também prevê a exigência de treinamento específico para os motoristas desse tipo de carga, a exemplo do que já é oferecido para condutores de cargas perigosas. A ideia é que eles tenham base para saberem como reagir em situações adversas.
Cuidados no embarque - Além das boas práticas no transporte, o gado precisa de alguns cuidados antes e durante o embarque. “Precisa ser tudo muito bem planejado. O produtor deve iniciar o procedimento um dia antes e evitar deixar muitos animais no curral”, ressalta Ciocca. É importante também planejar os lotes do embarque para que não haja a necessidade de remanejo no caminhão, sendo o bem-estar animal sempre observado. “Não preciso ter uma estrutura cara, mas tem que ser adequada, e sob o ângulo de visão do bovino, para evitar distrações. Isso vai facilitar a condução e evitar um manejo de bater, gritar, de estresse para o animal”. 
No caso de caminhões com dois andares, o gerente da World Animal Protection afirma que o uso de piso hidráulico, que desce ao nível da rampa para facilitar o embarque e desembarque, é uma opção que pode ajudar a reduzir hematomas, contusões e sofrimento dos bovinos transportados. 
Fonte: Portal DBO

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Frame size não deve ser indicador decisivo para compra de genética

Marina Salles/Thuany Coelho
Em 09/08/2017 no site Portal DBO

Parâmetro usado no velho oeste americano, quando não existiam balanças para pesar os animais na hora de comercializá-los - e não era justo precificar apenas por cabeça -, o frame size é popular até hoje, sendo nada mais nada menos do que uma medida da altura do animal. “Sabemos que há alta correlação entre altura e o peso. Então, se naturalizou a ideia de que ao escolher os animais mais altos, você estava escolhendo os mais pesados”, diz Tiago Carrara, gerente de mercado na Alta Genetics. Mas para que serve essa medida hoje diante de tantos outros indicadores?
Disseminação do conceito - De acordo com Carrara, o frame size ganhou força no Brasil porque, no passado, alguns produtores chegaram à conclusão - por experiência prática ou por desconhecer outras informações envolvidas - de que touros com maior frame size teriam mais sucesso no confinamento. “Isso foi tão divulgado, que hoje temos diversos produtores escolhendo dessa forma, apesar de existirem múltiplas informações no catálogo das centrais”.
Critério interessante, mas não indiscutível, o frame size não deve ser olhado de forma isolada, segundo o especialista. “Na genética, eu tenho perfis mais adequados para cada tipo de sistema. A genética certa no lugar certo agrega em produtividade, mas a errada no lugar certo pode limitar o rendimento”, conta Carrara. Por isso, é tão importante encontrar o melhor modelo para cada propriedade.
E por que o frame size não é tão preciso? - Primeiro, porque ele foca apenas na altura e deixa de lado outras medidas importantes de determinação de peso, como comprimento, profundidade e arqueamento. E, segundo, porque o ambiente em que o animal se desenvolveu é decisivo para explicar dados do seu porte. “Um animal que foi criado em cocheira, por exemplo, que vai participar da pista, tende a ser maior do que se fosse criado a pasto. Ele fica com maior frame size do que outro animal com o mesmo potencial genético. Então é uma medida de baixa confiança”.
Além disso, a altura do animal traz consigo outras características que podem ou não ser interessantes para diferentes sistemas, e que muitas vezes são desconsideradas. Um exemplo é a questão nutricional. Carrara lembra que animais de frame size maior, via de regra, têm maior poder de conversão alimentar, mas também são mais exigentes. Em condições mínimas de manejo, terão desempenho pior. E, por serem grandes, a dificuldade de parto pode aumentar. Ainda é possível ter problemas de fertilidade, porque mais energia é conduzida para o crescimento, e menos para a área reprodutiva. “Para quem está pensando em algo terminal, que vai matar machos e fêmeas, olhar somente para o frame size pode ser interessante, mas não tanto para quem tem ciclo completo, que faz reposição. Porque as características negativas que vêm junto são muito importantes para a fêmea”, afirma.
De acordo com ele, o acabamento de carcaça também tem relação negativa com o frame size, porque, quanto maior ele é, menos energia é direcionada para a deposição de gordura. “Vemos muitos animais machos jovens não castrados chegando sem o devido acabamento nos frigoríficos. E, provavelmente, esse erro não está sendo causado pela dieta, mas, sim, pela escolha genética feita lá atrás, quando um animal muito grande foi escolhido para aquele sistema”.
Como fazer a melhor escolha genética para seu sistema? - Com planejamento e aproveitando as informações disponíveis. Para uso na fazenda, Carrara recomenda que sejam avaliados os aspectos visuais, como o frame size, e índices zootécnicos - prenhez, desmame, entre outros -, o que muda se o produtor trabalha com genética. “Se eu trabalhar somente com recria, posso olhar o tamanho dos animais que estou comprando, o peso deles no momento da compra e assim definir o perfil genético que quero estabelecer para o meu sistema. Se é um perfil mais agressivo em ganho de peso, mais exigente, ou se é perfil menos agressivo, mas mais adequado para meu sistema, que às vezes não é tão intensivo”, explica o gerente da Alta. “Mas não posso apenas aumentar a exigência dessa genética e não dar subsídio para o sistema. Eles são um casamento que vai seguir para o resto da vida”.
Na hora de se planejar, alguns passos podem ajudá-lo a determinar qual a melhor genética para sua propriedade. Veja abaixo:
1) Descreva seu sistema e defina seu objetivo de produção.
Comece descrevendo as características do seu sistema: se é extensivo, semi-intensivo ou intensivo; qual região do país ocupa; o nível de tecnologia empregada; qual o manejo nutricional; tipo de reposição - e se depende da compra de animais no mercado ou não; qual o produto final de venda; mercado comprador e suas exigências. “Com isso, é possível definir o objetivo de produção. E, com ele, você faz seu planejamento genético, nutricional, sanitário”, diz o gerente. Entre os objetivos de produção estão, por exemplo, produzir bezerros com alto potencial de ganho de peso pós-desmama ou bois com 21 @ aos 20 meses e com gordura uniforme, ele explica.

2) Encontre os indicadores de desempenho que mais impactam o sistema
Defina, dentro dos objetivos de produção estipulados, os pontos que mais impactam nos custos e receitas da propriedade e melhore esses índices. “Se eu vendo animais para o  frigorífico, qual ponto importante? O peso do animal. Então tenho que aumentar esse número. Se trabalho com ciclo completo, qual aspecto importante para redução de custos? A fertilidade das minhas vacas. Então o primeiro passo é eleger esses indicadores e trabalhar em cima deles”.

A segunda etapa, esclarece Carrara, é coletar as informações para calcular essas medidas. “Suponha que um indicador seja o de quilos de bezerro por hectare. Quais informações é preciso coletar? Área explorada, depois quem é o bezerro, a mãe e o pai dele, dia em que nasceu, quanto pesou na desmama e a data dela. Com isso, consigo fazer um cálculo de todo o grupo, mas também individual, por lote, por vaca, por pai de cada bezerro. E aí, monitorando esses desempenhos e indicadores, eu começo a traçar um perfil genético para trabalhar dentro do meu sistema”. Essas informações darão base para uma orientação de seleção e descarte mais precisa, e ajudarão a definir os investimentos em genética - por meio de sêmen ou touro para monta natural.
3) Eleja critérios próprios
Cada propriedade é diferente e precisa de uma genética específica, que se adeque aos objetivos, custos e ao sistema. As etapas anteriores vão fornecer a munição necessária para que, dentro das várias características apresentadas nos sumários - que podem ficar em torno de 28 -, você separe as mais importantes para o seu caso. O ideal, segundo Carrara, é agrupar os aspectos mais próximos e, então, eleger critérios e índices próprios para ranquear e definir filtros de seleção para os touros. “Essa parte requer conhecimento técnico. Se você não tem, busque junto ao seu fornecedor de insumos. Todo mundo capacita a equipe para poder ajudar o produtor nesse sentido. Mas faça uma escolha consciente, com mais precisão e não baseada apenas no frame size”.

Fonte: Portal DBO

quinta-feira, 27 de julho de 2017

O que vale mais a pena: castrar o boi ou mantê-lo inteiro?

Marina Salles/Thuany Coelho
Em 26/07/2017 no site Portal DBO

A castração ou não do rebanho é uma questão constante para os pecuaristas, pois ambas as opções têm pontos positivos e negativos. “Na maioria das vezes, o boi castrado produz uma carcaça e uma carne de melhor qualidade, enquanto o boi inteiro tem produtividade maior, ele ganha mais peso”, exemplifica Rodrigo Gomes, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, sediada em Campo Grande, MS. Daí a escolha não ser simples, o que dificulta colocar os prós e contras na balança.
Carne x gordura - Assim, se deseja ter maior produtividade, Gomes acredita que o produtor fique tentado a não castrar o boi, o que pode lhe render uma carcaça mais pesada e, consequentemente, maior receita, mas, ao mesmo tempo, perdas no quesito acabamento. Segundo ele, apesar de o boi inteiro apresentar maior ganho de peso - podendo ter desempenho 10% superior ao dos bois castrados -, ele não consegue a mesma deposição de gordura. “O boi inteiro acaba acelerando esse processo de engorda, mas com mais musculatura e menos gordura”, afirma Alcides Torres, sócio-diretor da Scot Consultoria.
Essa diferença ocorre por causa dos hormônios que são mantidos quando não há castração, explica Gomes. “Dessa forma, o alimento que o boi inteiro consome é, em sua maior parte, destinado para a produção de músculo, fazendo dele um animal que ganha mais peso, produz mais carne, mas penaliza o acabamento”, conta.
Essa falta de gordura, segundo a Embrapa, pode resultar em um escurecimento da parte externa dos músculos durante o resfriamento da carcaça, que, por esse e outros fatores, como pH mais baixo, faz com que as carnes de bois castrados tenham um vermelho mais vivo do que aquelas de animais inteiros. Elas também tendem a ser mais macias e ter maior vida útil na prateleira.
Bois mais dóceis - A diferença de comportamento também deve ser levada em consideração na hora de decidir pela castração. Animais castrados ficam mais dóceis, o que facilita a condução no dia a dia. “Com o boi inteiro, o manejo é mais complicado em termos de mão de obra, porque você quebra mais cercas, currais, pode se machucar mais”, completa o pesquisador.
O gosto do freguês - “Existe ainda uma política dos frigoríficos de dar preferência para bovinos castrados, o que em uma época de abundância de oferta, como é o momento vivido pela pecuária hoje, fica mais evidente”, diz Alcides Torres. Na falta de bovinos castrados, isso muda, “já que a indústria precisa girar, e compra o que tem”, completa. Em 2016, segundo o Mapa, dados de fiscalização de frigoríficos mostraram que 31% dos abates foram de bovinos castrados, 65% de animais inteiros e 4% não identificados.
Segundo Torres, não há, hoje, de maneira generalizada, uma premiação pela carcaça de bovinos castrados, havendo sim programas específicos, cada um com sua política. Mato Grosso do Sul é um dos Estados com projetos próprios. “Às vezes o frigorífico, por incentivo do Estado, como é o caso aqui, paga a mais por esse boi castrado. Só que, ao mesmo tempo, o produtor perde um pouco em desempenho desse animal, porque ele será abatido mais leve”. A escolha, então, fica a cargo do pecuarista e depende do mercado que ele quer atingir.
Momento de castrar - Segundo o pesquisador, atualmente, a preferência dos produtores é por castrar os animais com peso entre 350 e 400 kg, porque nesse momento, eles já passaram da puberdade e tiveram pleno desenvolvimento da sua ossatura. “É mais para evitar que o animal ainda esteja crescendo, colocando musculatura, apesar de pesquisas já terem indicado que não há muita diferença em castrar o boi com 350-400 kg ou 250-300 kg”, diz. 
As opções de castração variam. Uma delas é o método cirúrgico, que retira os testículos do bovino em um processo mais agressivo, de recuperação moderada, mas considerado de alta eficácia. E outras são o burdizzo, esmagamento dos cordões espermáticos, que é tido como um método agressivo e de recuperação mais lenta, ou a castração química, que apesar de menos agressiva, ainda tem uma eficácia mediana. Seja qual for a opção escolhida pelo produtor, Gomes ressalta a importância de as medidas cirúrgicas respeitarem as normas técnicas do Conselho de Medicina Veterinário e serem realizadas sempre por um profissional.
Fonte: Portal DBO

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Tomada de decisão para compra de insumos é delicada

Por Marina Salles
Em 30/05/2017 no site Portal DBO.
Diante da alta recente do dólar e da baixa no preço das commodities, o produtor precisa ter cautela ao se planejar para a próxima safra. Endrigo Dalcin, presidente da Aprosoja-MT, recomenda que a compra de insumos seja feita o quanto antes, e que o produtor coloque seus custos na ponta do lápis. “A incerteza quanto aos preços da soja e do milho para o ano que vem traz insegurança, mas fazer a compra mais cedo ajuda a evitar problemas de logística em Mato Grosso, e contribui para que o plantio comece no início da janela, em setembro”, diz.
De acordo com ele, a maior parte dos sojicultores já adquiriu seus insumos para a safra 2017/2018, havendo pendência principalmente entre aqueles que dependem de crédito bancário ou que estão esperando uma melhora dos preços para vender o produto que ficou estocado no armazém. “As regiões Leste e Sul do Estado são as mais atrasadas, porque tiveram problemas climáticos na última safra, o que reduziu a rentabilidade da lavoura”, afirma Dalcin.
Dados do Imea, divulgados nesta segunda-feira, apontam que cerca de 67,36% dos insumos da safra 2017/2018 foram comercializados até o fim de abril em Mato Grosso, percentual acima dos 55,76% em abril/16. Outra boa notícia é que o gasto com insumos para a próxima safra é estimado em R$ 1.764,87/ha, valor menor do que no ciclo anterior. Apesar disso, o preço de paridade da soja para mar/18 vem registrando médias bem abaixo das do ano passado, tendo fechado em R$ 57,10/saca na sexta-feira, 26.
Com relação à área de plantio para a safra de verão, o presidente da Aprosoja-MT recomenda que o produtor semeie a soja apenas sobre suas melhores terras, evitando o cultivo em solos arenosos, onde pode fazer algum tipo de cobertura. “Hoje a pressão é grande frente a safra americana, que teve um aumento de 7,5% de área e deve produzir mais de 120 milhões de toneladas”, diz. Tendo isso em mente, ele lembra que a tendência dos preços, que já estão baixos, é cair ainda mais.
Cenário se estende a outras regiões - Na Bahia, a incerteza política das últimas semanas e as oscilações do dólar também têm deixado dúvidas sobre o melhor momento de adquirir insumos. "O produtor rural é extremamente adaptável, otimista e empreendedor, especialmente o produtor do oeste da Bahia e do Matopiba. Nós estamos acostumados à oscilação de dólar, a oscilações políticas, mas isso nos desgasta acima da média. Então, essa situação de incerteza nos leva a demorar para tomar algumas decisões", afirmou o presidente da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) durante a feira Bahia Farm Show.
"Não é bom para o produtor ocorrer esse tipo de incerteza neste momento, já que nós tínhamos uma perspectiva de controle de inflação, crescimento econômico e um pouquinho de estabilidade política. Isso nos daria um fôlego muito bom para os próximos anos", acrescentou.
Zanella, que também é produtor em Barreiras e São Desidério, ressalta que como os produtos da safra são dolarizados, fornecedores de insumos começam a ficar preocupados se vão manter as importações de produtos, o agricultor fica na dúvida se vai fechar o fertilizante em dólar ou o defensivo em dólar, se vai fazer barter, e a situação se complica. “Mas o produtor sempre plantou e vai continuar plantando com certeza", completa. 
Fonte: Portal DBO e ESTADÃO CONTEÚDO

sábado, 27 de maio de 2017

Insegurança toma conta do mercado do boi gordo

Por Marina Salles em 26/05/2017 no site Portal DBO
Após a delação premiada dos donos da JBS envolvendo o atual presidente Michel Temer, em 17 de maio último, um clima de incerteza tomou conta do mercado do boi gordo. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), entre o dia 17 e  24 de maio, o Indicador Esalq/BM&FBovespa cedeu 0,43%, passando para R$ 134,38/@ nesta quarta-feira, 24. O ritmo dos negócios é lento, com compradores na expectativa de uma queda de preços nos próximos dias.
Já os pecuaristas estão preocupados com a concentração de mercado, decorrente da ascensão da JBS nos últimos anos, e com o posicionamento da empresa, que informou, em nota oficial que padronizou todos os processos de compra de gado no Brasil há três semanas, optando por não mais adquirir animais à vista, “o que já acontecia em 97% das praças onde atua”.

Luciano Vacari, diretor-executivo da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), afirma que a JBS não justificatificou essa mudança. “É um direito da empresa escolher como vai comprar seus animais. Não é por isso que o pecuarista deixará de buscar outras alternativas”, diz. “Cada um sabe dos seus compromissos e, por isso, a Acrimat está buscando, junto aos órgãos competentes, ações para fomentar o setor, como a isenção do ICMS para abate de bovinos em outros Estados e a adesão de Mato Grosso ao Sisbi, Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal". A partir do momento em que as indústrias regionais – autorizadas a vender carne somente em seu município ou Estado – forem inseridas nesse sistema, poderão colocar produtos no mercado nacional. De acordo com Vacari, hoje a JBS detém 48,8% dos abates no Estado.

Luiz Carlos Meister, pecuarista na região da baixada cuiabana, afirmou que, na dúvida sobre negociar ou não a prazo com a JBS, preferiu recorrer a outras opções. “Antes eu vendia à vista para a JBS com desconto de 2,5% em relação ao pagamento com 30 dias. Agora, estou entregando meus animais para o Frigosul, que é forte no ramo de curtumes, mas tem praticado preço à vista sem descontos”, diz.

Na opinião de Gustavo Figueiredo, da Consultoria Agroagility, a JBS optou por fazer pagamentos a prazo para preservar seu fluxo de caixa, o que, ele acredita, irá gerar efeitos nocivos neste momento, em que a credibilidade da empresa está abalada. “No Mato Grosso do Sul, os concorrentes estão fazendo mais volume, mesmo oferecendo menos pela @”, diz. De acordo com Figueiredo, diferentes plantas do Estado estão comprando bois a  R$ 120 - R$ 122/@ à vista para descontar o Funrural; enquanto a JBS estaria pagando R$ 126/@ a prazo no Estado, também para descontar a contribuição. “A diferença entre uma oferta e a outra não é tanto o preço, mas as 30 noites que separam o produtor do pagamento em meio a essa crise envolvendo a companhia”. A Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), informa que cerca de 70% a 80% do abate de bovinos no Estado está sob controle da empresa.

Em praças de São Paulo, André Crivelli, operador de mercado da Terra Investimentos, conta que a JBS está trabalhando com preços na casa dos R$ 138/@, ainda para descontar o Funrural. “E mesmo sendo extremamente atuante no mercado de boi gordo, como a situação é delicada no momento, tem dificuldade de comprar”, afirma.

Analista da Scot Consultoria, Alex Santos Lopes da Silva, também observa um cenário de retração nas vendas para o frigorífico, que seria causado pela insegurança do produtor. “Existe um risco associado a esperar 30 dias para receber de uma empresa que está sendo investigada por denúncias de corrupção e o produtor, ainda que haja impactos negativos para a cadeia, tem de pensar no negócio dele, na margem dele”, diz.

Situação sustentada - Procurada pela reportagem, a JBS informou que suas operações “seguem dentro da normalidade dos negócios”.

Nesta sexta-feira, 26, também foi divulgada pela Assessoria Agrobrazil, parceira da Cross Investimentos, especializada em estudos de mercado e negociações, uma avaliação sobre as escalas de abate da JBS nesta semana. O relatório, enviado à reportagem por e-mail, qualifica como surpreendente “a força que a empresa tem mesmo em meio à enorme turbulência que vem atravessando”. Embora pondere que a próxima semana será decisiva para delimitar o rumo que o mercado está tomando, a assessoria informa que, até o momento, a oferta de boi para a JBS não foi reduzida, havendo apenas casos pontuais, em algumas praças, de dificuldade de compra. 

No médio prazo, no entanto, a Agrobrazil considera que existem duas situações possíveis:

1ª - A JBS não conseguir comprar a quantidade necessária de animais para abastecer suas plantas, a ponto de ter de pular abates ou até fechar algumas unidades, gerando uma oferta imensa de bois no mercado e consequentes quedas de preço.

2ª - A JBS provar sua estabilidade financeira, apesar da crise, e começar a pagar à vista para vencer a desconfiança do mercado; dando férias coletivas em algumas plantas, mas se mantendo ativa. Nesse cenário, o fator pagamento à vista poderia trazer um alívio para o boi BMF, que segue muito pressionado.

Fonte: Portal DBO

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Forrageiras de inverno incrementam produção de leite

Por Marina Salles
Em 23/05/2017 no site Portal DBO


No inverno, a oferta de pasto diminui e para não ficar à mercê da escassez de alimento, o produtor, especialmente da região Sul, têm uma opção à mão: o plantio de forrageiras. “Seja a aveia preta, azevém ou trigo, as forrageiras recobrem o solo e têm potencial de aumentar a produtividade dos animais no período seco”, afirma Renato Serena Fontaneli, pesquisador da Embrapa Trigo.
Estudioso dos sistemas integrados, ele vê na combinação da lavoura e pecuária uma oportunidade que pode triplicar a produção de vacas leiteiras no inverno, saltando de 10L/vaca/dia, média no Estado, para até 30L/vaca/dia, com suplementação proteica e dieta a pasto. Veja algumas alternativas de forragem:

Aveia preta - Forrageira anual de inverno mais usada para pastejo no Sul do Brasil, a aveia preta geralmente é plantada em consórcio com leguminosas ou com o azevém de março a abril. “Com com possibilidade de cultivo em plantio direto, logo após a soja, pode ser pastejada, fornecida no cocho, e também é uma opção para produzir feno ou silagem”, diz Fontaneli.

Para atingir o máximo aproveitamento durante o pastejo, atenção deve ser dada ao seu potencial nutritivo. De seis a oito semanas após a emergência da aveia, as plantas devem ter de 25 a 30 cm, sendo recomendado que amostras a 5, 6 ou 7 cm do solo apresentem de 700 a 1.500 kg/ha de massa seca acumulada. Feito o ingresso na hora certo no pasto, as plantas devem ser pastejadas até a altura máxima de aproximadamente 7 cm, o que garante uma rebrota vigorosa.

Azevém - Bem quisto pelos produtores, em função do seu alto valor nutritivo, o azevém também é muito usado, especialmente no Rio Grande do Sul. Segundo Fontaneli, pode servir para pastoreio, fornecimento no cocho, fabricação silagem pré-secada e fenação. “Apesar de apresentar desenvolvimento inicial lento, o azevém chega a produzir, até setembro, maior quantidade de forragem do que outras espécies de inverno”, afirma. Semeado de março a junho, ele é comumente consorciado com a aveia preta e o centeio.

Caracteriza-se também por ser uma gramínea tolerante ao pisoteio, que permite o pastejo por até cinco meses, a partir de agosto, sempre e quando a carga animal estiver ajustada à disponibilidade de alimento. Outro dado importante é que descansos de quatro a seis semanas para o pasto são essenciais para aumentar sua produtividade de matéria seca.

Trigo - Usado para a produção de farinha, o trigo ganhou novas cultivares nos últimos anos e hoje tem período vegetativo mais longo, o que abre espaço para que cumpra dois diferentes propósitos. O primeiro deles, segundo Fontaneli, é o pastejo, que acontece geralmente de maio a agosto, sendo o segundo a produção de grãos, já no rebrote. Cultivares mais recentes, a BRS Figueira, BRS Umbu, BRS Tarumã, BRS Guatambu e BRS 277 têm sido usadas para essas finalidades. “Costumamos chamar essas variedades de trigo flex, justamente pela característica de duplo propósito”, comenta o pesquisador. 

Assim como no caso do trigo convencional, a recomendação é que o trigo flex seja adubado. “A diferença é que o ideal é fracionar a dose de adubo nitrogenado, de acordo com o número de cortes ou pastejos”, informa o pesquisador. Para reposição de cada 1.000 kg de matéria seca/ha, deve-se adicionar de 25 a 30 kg de N/ha (à exceção de solos com mais de 5% de matéria orgânica). A semeadura acontece em plantio direto.

O trigo de duplo-propósito pode começar a ser pastejado ou cortado quando as plantas atingem mais de 20 cm de altura, cerca de 42 a 70 dias após a sua emergência. A partir daí,  o segundo corte ou pastejo pode levar entre 28 e 35 dias para ser feito. O limite para pastejo deve respeitar a altura de 5 a 7 cm para haver rebrote. 
Mais informações sobre essas e outras forrageiras de inverno estão disponíveis no quarto capítulo do livro Forrageiras para Integração Lavoura-Pecuária-Floresta na região Sul-Brasileira, do qual Fontaneli é um dos autores.
Fonte: Portal DBO

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Leilões de milho dão pouco refresco a produtores de MT

Por Marina Salles
Em 16/05/2017 no site Portal DBO.


“O preço do milho continua caindo em Mato Grosso”, afirma o presidente da Aprosoja no Estado, Endrigo Dalcin. Em viagem com o 12° Circuito Aprosoja, ele conta ter ouvido de produtores que as ofertas no mercado em Cláudia estão na faixa de R$ 11,50/ saca, chegando a R$ 12/ saca no município de Sinop, MT. “Somando a esses valores o prêmio pago ao produtor, você não chega ao preço mínimo, que é de R$ 16,50/ saca”, diz. (Ver, ao final, tabela de prêmios do último leilão de Pepro para Mato Grosso, ocorrido em 11/5). 
Alan Santos, gerente de operações especiais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), explica que o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) é uma ferramenta que tem por objetivo beneficiar o produtor de modo a que ele receba o preço mínimo fixado para determinado produto no seu Estado. Em um cenário em que o produtor vende a saca de milho a R$ 14,50 em Mato Grosso, por exemplo, se o prêmio for de R$ 2, ele recebe esse valor integralmente, para atingir os R$ 16,50. Agora, se vende a saca a R$ 15,50, o prêmio cai para R$ 1, para atingir os mesmos R$ 16,50. “O que não pode é o valor da saca somado ao prêmio não atingir o preço mínimo, porque aí a política não cumpre com o seu objetivo; e o produtor não recebe nada”, afirma Santos.
Com o preço da saca nos patamares colocados por Endrigo Dalcin, uma opção seria aumentar o valor do prêmio pago ao produtor. “Estamos discutindo com o Ministério da Agricultura subir esse valor em R$ 0,80 no próximo leilão, mas temos claro que se o preço continuar caindo isso não será suficiente”, afirma o presidente da Aprosoja Mato Grosso. Do leilão de 4 de maio para o do último dia 11, foram somados R$ 0,80 a todos os valores oferecidos como prêmio no Estado.  
Em 11/5, foram ofertadas 500 mil toneladas no Pepro, tendo sido negociados 60,53% desse montante, um total de 302.638 toneladas. Em valores, R$ 20.236.815 serão pagos em prêmio ao produtor. No caso do Pepro, os produtores participantes têm até 35 dias após a realização do leilão para vender o produto negociado no edital. Considerando a data do último leilão, por exemplo, realizado em 11 de maio, o prazo para a venda é 14 de junho.
Outras opções - Além dos leilões Pepro, o produtor que tem milho para comercializar em Mato Grosso pode recorrer também ao Prêmio para o Escoamento (PEP) e aos contratos de opção.


Segundo Santos, a diferença do PEP em relação ao Pepro é que em vez de o produtor participar do leilão quem entra é um terceiro, que pode ser um intermediário ou uma indústria de ração animal, por exemplo. “O intuito é o mesmo, de beneficiar o produtor rural pagando um preço mínimo, e do lado do terceiro, estimular o escoamento de mercadorias, retirando o excedente de um produto de onde há muita oferta”, explica Santos. Conforme a estrutura de comercialização do produtor e a sua capacidade de organização, o instrumento pode ser vantajoso.

Quanto ao contrato de opção, sua característica principal é que o produtor compra o direito de vender sua mercadoria para o governo por um preço pré-fixado, e se na data acordada o preço estipulado no mercado estiver mais interessante, ele pode desistir da negociação”, afirma Santos. 


Fonte: Portal DBO







Cotações - Milho

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MILHO - 16/05/2017
Preços médios do milho em R$/saca de 60 kg
UFCIDADECOMPRAVENDA
PR
Paranaguá29,0029,50
Campo Mourão24,0024,50
Cascavel24,5025,00
Maringá24,0024,50
Ponta Grossa26,0026,50
Guarapuava25,0025,50
SP
São Paulo27,5028,00
Campinas27,5028,00
Sorocaba26,0026,50
Mogiana26,6027,10
MS
Campo Grande20,5021,00
Dourados21,0021,50
Chapadão do Sul21,0021,50
Costa Rica21,0021,50
MT
Rondonópolis18,0018,50
Campo Verde17,0017,50
Tangará da Serra16,0016,50
Sapezal16,5017,00
Sorriso14,5015,00
Lucas do Rio Verde15,0015,50
GO
Itumbiara19,0019,50
Rio Verde19,0019,50
MG
Uberaba22,0022,50
Uberlândia22,0022,50
Unaí21,0021,50
Patos de Minas22,0022,50
SC
Chapecó27,0027,50
Concordia27,0027,50
Campos Novos26,5027,00
Canoinhas26,5027,00
RS
Erechim25,0025,50
Passo Fundo25,0025,50
Porto Alegre27,0027,50
BA
Luis Eduardo Magalhães21,0021,50