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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Brasil importa recorde de químicos

Por:  -Leonardo Gottems 




Com a recuperação econômica e uma safra recorde de grãos, o Brasil registrou no ano passado a maior quantidade de produtos químicos importados de todos os tempos. Foram comprados no exterior US$ 37,2 bilhões por mais de 43,1 milhões de toneladas de produtos em 2017, aponta a (Abiquim) Associação Brasileira da Indústria Química. 
Com isso, o déficit na balança comercial de produtos químicos somou US$ 23,4 bilhões no ano que passou. O resultado significou a primeira alta após uma série de três anos consecutivos de reduções do indicador: em 2014 foram de US$ 31,2 bilhões, em 2015 ficou em US$ 25,4 bilhões e em 2016 haviam sido US$ 22,0 bilhões.
De acordo com a Abiquim, os principais fatores que levaram a esse aumento do déficit em produtos químicos foram a retomada da atividade econômica nacional e a safra de grãos recorde registrada pelo agronegócio brasileiro. A isso, comenta a Associação, se somou a “ausência de investimentos produtivos que pudessem suprir essa nova demanda com o incremento da produção nacional”.
Os produtos químicos intermediários para a produção de fertilizantes foram o principal item da pauta de importação do setor. As compras desse segmento somaram mais de US$ 6,4 bilhões em 2017, o que significou nada menos que 60,7% (o equivalente a 26,2 milhões de toneladas) das 43,1 milhões de toneladas em compras externas de produtos químicos.
Para o presidente-executivo da Abiquim, Fernando Figueiredo, apesar da importância do agronegócio e da extração mineral para garantir divisas aos compromissos financeiros externos nacionais, o Brasil não pode planejar o futuro da nação com base na exportação de commodities primárias, fortemente sujeitas a variações substanciais de preços no mercado internacional. 
“É imperativo gerar empregos e renda com agregação de valor às riquezas naturais brasileiras em território nacional. Não se pode conceber como excelentes projetos de investimento de fertilizantes e de intermediários químicos como metanol, entre outros que usam o gás natural como matéria-prima, por exemplo, se efetivem em diversos países que não dispõem de reversas comparáveis às brasileiras, mas que possuem políticas públicas asseguradoras dessa produção local. Exportar bens primários para importar transformados de alto valor agregado não é uma estratégia condizente aos desafios e às oportunidades que se observam para os próximos anos e muito menos ao próprio tamanho do Brasil no mundo”, destaca Figueiredo. 

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Pecuaristas franceses temem efeitos de importações de carne bovina da América do Sul

Por BeefPoint em 17/01/2018




Os pecuaristas franceses temem o fim de seus meios de subsistência à medida que a União Europeia (UE) se aproxima de fechar um acordo para importar grandes quantidades de carne da América do Sul para a França.
Cedric Mandin, que cria cerca de 800 vacas Charolais com seu irmão na região da Vendéia da França, é a quarta geração de sua família que comanda a fazenda e ele teme que seja a última.
A fonte de sua preocupação é um grande acordo comercial negociado pela UE e os quatro membros do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – um acordo cuja assinatura parece mais próxima do que nunca.
Se o acordo for assinado, “estaríamos numa situação impossível, insustentável”, afirmou Mandin, que herdou sua fazenda de 270 hectares há 20 anos.
“Hoje, recebemos entre 3,60 e 3,70 euros (US$ 4,40 a US$ 4,53) por quilograma de carne, mas nossos custos de produção são 4,50 euros (US$ 5,51) por quilo. Já temos um déficit e enfrentamos uma situação difícil em nossas fazendas. Se além disso, adicionamos essas importações maciças de carne bovina da América do Sul na Europa, estamos sujeitos a ver os preços caírem”.
A indústria pecuária da França, a maior da Europa, enfrentou uma profunda crise de aumento de custos e preços mais baixos – contra um cenário de queda no consumo de carne. Muitos produtores mal conseguem ter lucros, enquanto os níveis de endividamento aumentaram.
“Estamos em crise há quatro anos, quatro anos que tentamos simplificar tudo, reduzir nossos custos até o limite. Chega um ponto em que você não pode cortar mais – em termos de competitividade, tentamos tudo”.
Se a UE e os países da América do Sul chegarem ao acordo, pelo menos 70.000 toneladas de carne bovina do Mercosul podem entrar na Europa a cada ano, sem tarifas personalizadas. Os negociadores europeus consideram isso uma quantidade enorme, enquanto o lado sul-americano diz que fica muito aquém do que é necessário.
As novas importações representariam apenas 1% cento da produção total de bovinos da Europa e 4,5% da produção da França. Mas os produtores dizem que a atual estrutura de mercado não poderia absorver o aumento, que ultrapassaria as 65 mil toneladas que a UE concordou em permitir ao Canadá como parte de um acordo comercial.
Foto; AFP.
Essa avaliação é compartilhada por Philippe Chotteau, economista-chefe do Instituto Francês de Pecuária, que disse que a carne bovina com preços mais baixos “agravará a crise”.
Ele estima que os preços de varejo podem cair em 10%, enquanto o instituto nacional de gado FNB diz que 25.000 a 30.000 empregos podem ser perdidos na França.
Além das ameaças econômicas, muitos pecuaristas franceses também dizem que estão preocupados com a rastreabilidade insuficiente e os regimes de segurança alimentar nos países do Mercosul, citando o escândalo sobre a carne brasileira.
Vários países impuseram proibições às importações de carne do Brasil, o maior produtor mundial.
“Nossos animais são rastreados desde o nascimento. Lá, na melhor das hipóteses, quando eles deixam a fazenda”, disse Mandin. “Posso lhe dizer o nome do pai e da mãe das minhas vacas. Existe uma rastreabilidade genuína durante toda a vida do animal. Estamos tentando defender essa singularidade francesa”.
Mas depois de duas décadas de negociações paralisadas, os negociadores deram grandes passos nos últimos meses e parecem determinados a chegar a um acordo de livre comércio, aproveitando o vazio de liderança global na sequência da eleição do presidente dos EUA, Donald Trump.
A Comissão Europeia quer realizar um acordo no início deste ano, antes que uma janela de oportunidade possa fechar com as eleições esperadas no próximo ano no Brasil.
A França, no entanto, disse que não quer “apressar-se” sobre o assunto, tendo em vista o impacto potencial sobre os seus produtores de carne.
Fonte: AFP, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

A 'mão do gato' ameaça as exportações brasileiras

Marcos S. Jank em 27/11/2017 no site Suinocultura Industrial

Não me lembro de um período com tantas turbulências e incertezas no mundo como o atual. As questões geopolíticas voltaram à ordem do dia: grandes levas de refugiados, novas formas de terrorismo, conflitos no Oriente Médio, disputas no entorno da China e o jeito Trump de governar.
O multilateralismo consensual do pós-guerra dá lugar às ameaças via Twitter e porrete. E, como era de esperar, já começa a afetar as correntes de comércio e investimentos no mundo.
No início do mês, Trump passou pela Ásia para discutir a questão da Coreia do Norte e reequilibrar o deficit comercial dos EUA com países-chave da região, incluindo, se necessário, a oportuna venda de armas americanas.
No total, os EUA importam quase US$ 1 trilhão da Ásia, acumulando o gigantesco deficit comercial de US$ 533 bilhões com o continente. O deficit americano varia de US$ 13 bilhões a US$ 33 bilhões com países como Indonésia, Taiwan, Tailândia, Índia, Malásia, Coreia do Sul e Vietnã. Chega a US$ 70 bilhões com o Japão e a incríveis US$ 347 bilhões com a China. Trump está obcecado com isso e ameaça: abram-se para os EUA ou haverá retaliações.
Na mesma linha, multiplicam-se os contenciosos comerciais. Novas regulações desenhadas "ad hoc" e contenciosos de impacto começam a atingir as exportações brasileiras nos setores em que somos mais competitivos. No agronegócio, estamos enfrentando conflitos no acesso do açúcar e da carne de frango à China, etanol para o Japão e questões complexas com Rússia, Hong Kong, Indonésia, União Europeia e EUA.
Vale destacar ainda o impacto da proteção à indústria doméstica brasileira, o que inclui o próprio agronegócio. Continuamos sendo um dos países mais fechados do mundo ao comércio. Aço, trigo, café, bananas, camarão e pescados são exemplos de produtos nos quais a proteção contra importações de pequena monta já prejudica grandes volumes de exportações potenciais.
Falamos das nossas grandezas, queremos acessar o mundo, mas na hora de negociar não oferecemos quase nada em troca aos nossos parceiros. Estaremos perdendo cada vez mais oportunidades de exportação em razão disso.
Isso sem contar a crise de imagem que vivemos, gerada pela percepção de um país tomado pela corrupção, violência e instabilidade política, incapaz de se explicar de forma simples e didática. O mundo tem dificuldade de entender o que está acontecendo no Brasil.
Nesse contexto, noto que a "mão do gato" contra as nossas exportações se faz cada vez mais presente, dentro do próprio país ou escondida atrás da porta, na concorrência nos países-destino.
Já se foi o tempo em que exportávamos simplesmente porque havia demanda e éramos competitivos. Num mundo dominado pelo mercantilismo do "toma lá dá cá", com interesses geopolíticos exacerbados e arbitrariedades regulatórias se multiplicando, é fundamental manter um olho no peixe e o outro no gato.
A complexidade do mundo exige uma melhor definição do interesse público do país, tomando decisões com base no impacto socioeconômico das medidas, e não em favor de quem grita mais alto.
Exige estratégias bem montadas para lidar com a crescente agressividade geopolítica e comercial do mundo.
Exige maior coordenação dentro do governo e entre este e o setor privado, para não perder mercados e oportunidades. Precisamos também estar mais presentes no cenário internacional, muito além da representação oficial do governo, construindo relacionamentos estáveis e duradouros com nossos parceiros comerciais, que aumentem a confiança entre as partes.
Estratégia, representação e organização são a única receita de sucesso ante a imensa complexidade do mundo atual.



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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Exportações do setor agropecuário crescem mais de 150% em um ano

Suinocultura Industrial em 17/11/2017.

Resultado de imagem para exportação e importação

O indicador mensal de Comércio Exterior do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre/Icomex), que traz os principais dados da balança comercial brasileira, mostram aumento de 31,7% no volume exportado no país em outubro último, em comparação a outubro do ano passado. Já o volume das importações no mesmo período cresceu 26%.
Os dados divulgados pela FGV revelam crescimento de 151% no volume exportado pelo setor agropecuário. O resultado é recorde e supera o de setembro, que também já havia sido recorde e, consequentemente, todas as variações registradas nos meses anteriores entre 2016 e 2017.
Já a indústria de transformação apresentou a segunda maior variação, com crescimento de 25,7%, superando pela primeira vez no ano o crescimento das exportações da indústria extrativa, que fechou em outubro com crescimento de 21,4% sobre o mesmo mês do ano passado.
Os destaques da indústria de transformação foram as vendas de automóveis para os mercados da América do Sul e para novos mercados, como a Arábia Saudita, justificando, segundo a FGV, “o bom desempenho do setor de bens duráveis da indústria de transformação”.
Os dados indicam que o preço das exportações aumentou em relação a setembro e cresceu 4,7% na comparação entre os meses de outubro de 2016 e 2017. “As principais contribuições para esse aumento foram do minério de ferro, com crescimento de 51% e petróleo e derivados (17,3%).
As contribuições foram importantes para o saldo positivo na balança, uma vez que o preço de alguns dos principais produtos agrícolas caiu, como foi o caso do complexo da soja, cujo recuou chegou a 10,3%.
A nota da FGV indica ainda que, no caso das importações, a liderança no volume importado coube aos bens semiduráveis, que chegou a crescer 34%, seguido dos bens duráveis, com expansão de 26%.
A FGV também observou desaceleração no ritmo de crescimento das importações de capital em relação ao resultado da comparação mensal de setembro, passando dos 71,5% da comparação setembro 2016/setembro 2017 para 25,6% entre outubro 2016/17.
“Observa-se, porém, que é o terceiro resultado seguido de variação positiva, o que sinaliza uma possível recuperação da taxa de investimento da economia”, ressaltou a nota da FGV.
Agência Brasil



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quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Importações seguem caindo

Por MilkPoint em 06/10/2017.

Resultado de imagem para importação de leite
Revista Globo Rural

Dados da balança comercial referentes às movimentações de setembro novamente apresentam queda nos volumes de lácteos importados. Ao comparar com o mês de agosto a queda foi de 25%, sendo internalizados 78 milhões em equivalente-litros de leite; a queda é bastante maior (-66%) em relação a setembro do ano de 2016. Como o cenário do mercado brasileiro se mantem enfraquecido, o interesse na importação é menor. 

O produto com maior queda nos volumes internalizados foi o leite em pó integral. No mês de setembro foram importadas 2,82 mil toneladas, queda de 47% em relação ao mês anterior e 81% de queda em relação há um ano. Para o leite em pó desnatado, as importações caíram 43% comparado com o mês anterior, com 2,75 mil toneladas internalizadas. As importações de queijos voltaram a cair, depois de um aumento no mês anterior. A queda foi de 36%, com volume importado de 2,4 mil toneladas no mês. Observe na tabela 1 o resumo dos dados de exportações e importações. 

Tabela 1. Exportações e importações por categoria de produto. Fonte: MDIC.

balança comercial - importações de lácteos

Ao analisar as importações e exportações, o saldo da balança de lácteos apresentou o menor déficit desde fevereiro de 2016, fechando em 64 milhões de litros de déficit (observe o gráfico 1). 

Gráfico 1. Saldo da balança comercial em equivalente-leite. Fonte: MDIC. 
balança comercial - importações de lácteos

As informações são do MDIC, elaboradas pela Equipe MilkPoint

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A solução dos problemas do leite no Brasil

Por Marcelo Pereira de Carvalho (MilkPoint) 
postado em 24/08/2017



A saída para os problemas do leite no Brasil é barrar ou limitar as importações. Esta, afinal, é a pauta que domina o setor desde que o MilkPoint começou, no ano 2000. Sem as famigeradas importações, a história do leite seria absolutamente diferente. Teríamos preços consistentemente mais altos e produtores e indústrias teriam lucros superiores. Mas...será mesmo? 

Infelizmente a coisa é um pouco mais complicada. O efeito imediato de uma suspensão ou limitação das importações é um aumento de preços ao produtor e ao consumidor, já que uma parcela não desprezível do nosso consumo vem do leite importado. Porém, com preços mais altos, o resultado óbvio será o aumento da produção interna, que encontrará também a redução do consumo em função de preços mais elevados.

Creio que todos concordam em uma coisa: nosso potencial de aumento de produção é enorme, tanto pelos baixos níveis de produtividade, como pelo fato de não termos quaisquer limitações para o crescimento da oferta. Com efeito, os dados históricos recentes mostram que, em sequência a bons preços (ou a bons momentos de rentabilidade), a oferta responde imediatamente.

Os dados de variação na Receita Menos o Custo da Ração (RMCR) e de variação de oferta, deixam isso claro (gráfico 1). Com melhores margens, o resultado é inequívoco: o danado do produtor acelera; se as margens caem, ele pisa no freio.

Gráfico 1. Variação da Receita menos Custo de Ração x Variação da oferta (sobre mesmo mês do ano anterior). Fonte: MilkPoint Mercado. 

rmcr - gado de leite

O resultado dessa situação é fácil de se prever: se, por consequência do fim das importações (ou de uma regulação maior), os preços subirem significativamente, haverá, sem sombra de dúvida, forte aumento de oferta interna que, logo ali na frente, ocasionará queda de preços, sem que seja importado um kg sequer de lácteos. Mais do que isso, o forte aumento de preços, como já vimos antes, atrairá oportunistas, manterá produtores ineficientes e afrouxará exigências de qualidade, jogando mais uma vez para o futuro as possibilidades de, efetivamente, evoluirmos como cadeia produtiva.

Como não temos ferramentas suficientes para composição de estoques, o estímulo fará com que a paulada seja imediata, até que consigamos preço para participar do mercado externo – se é que, na ocasião, teremos acesso a ele, já que não importaremos e seremos, para todos os efeitos, uma economia láctea fechada. 

Há, sim, uma maneira de perpetuar preços atrativos e margens confortáveis: colocarmos cotas de produção de leite. Funciona assim: para produzir, o produtor adquire o direito de produzir cada kg de leite. Assim, mesmo com margens muito convidativas, novos entrantes terão que comprar as cotas de produção (e, quanto mais atrativa a atividade, mais cara será a cota); produtores já existentes, se quiserem aumentar a produção, também precisam comprar esse direito (o que aumenta o custo de produção, evidentemente). É a camisa de força do leite. 

Dessa forma, consegue-se, artificialmente, manter condições muito boas para quem está dentro. É precisamente o sistema canadense, com altas taxas de importação (o que inviabiliza a entrada de produto de fora) e, claro, altos custos ao consumidor, o que pode funcionar em um país com renda per capita de US$ 34.273, a sétima do mundo, e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de 0,967, o terceiro do mundo. Mas, dificilmente, funcionaria em um país como o Brasil, com renda per capita de menos da metade dessa, e IDH de 0,754, o 79o no mundo. Compreensivelmente, não podemos ter um preço canadense, pela simples razão de que nosso consumidor não comporta isso, não é mesmo? Pelo menos não na quantidade de consumo que precisamos ter.

Também, esse foi o sistema europeu durante várias décadas, que precisou ainda de subsídios para fechar a conta, considerando os custos intrínsecos de produção e ainda o custo de compra das cotas. Esse mesmo sistema foi abandonado pela União Europeia em 2015, sob o argumento de que não mais seria possível arcar com os custos envolvidos. Nos parece, pois, que não é também um caminho viável para o Brasil. É, pois, uma solução completamente anacrônica (tal qual o tabelamento), analisada aqui somente sob a perspectiva teórica.

É até compreensível, inclusive, que haja algum grau de proteção para compensar desajustes históricos e desvantagens competitivas, mas desde que – e aqui vem o ponto que quero destacar neste artigo - os benefícios advindos dessa estratégia sejam traduzidos na busca pela maior competitividade no futuro. Uma parcela da diferença entre o preço externo e interno poderia ser revertida em um fundo setorial, gerenciado profissionalmente, atacando 2 ou 3 causas principais da nossa baixa competitividade, por exemplo.Marcelo P. de Carvalho
Desta forma, voltemos ao ponto original. Se, porventura, eliminássemos a zero as importações (que têm variado de 3 a 8% do nosso consumo, nos últimos anos), na ausência de cotas e outras barreiras que impeçam o aumento da produção interna, teríamos, em pouco espaço de tempo, talvez 6 meses, talvez 1 ano, um novo desequilíbrio, agora 100% causado pela produção interna. Não estamos falando de substituir 30, 40, ou 50% do consumo através do fomento à produção interna; estamos falando de 3 a 8%. Um a dois anos do crescimento médio do período entre 2007 e 2014 fariam o serviço.

Isso posto, concordo com aqueles que argumentam que o leite é ainda protegido em alguns países; que nosso “Custo Brasil” certamente é maior do que o “Custo Nova Zelândia” (embora, convenhamos, o produtor de soja, milho, frango, suíno e boi também sofram com isso). Também, concordo que é necessário investigar se há irregularidades nas importações, sejam referentes à qualidade, origem, etc. Isso não se discute. Devemos nos manter vigilantes quanto a qualquer tipo de concorrência desleal, mas que verdadeiramente representem algum tipo de deslealdade ao comércio. Isso, no entanto, é diferente de ser, por convicção, contra a abertura comercial. 

Também, cumpre lembrar que, no passado, as lideranças foram efetivas ao estabelecer medidas antidumping. Naquele momento, principalmente na União Europeia, ainda se utilizava de práticas desleais ao comércio. Era um período pré-reforma da Política Agrícola Comum, quando a maior parte dos subsídios era de fato pago dentro da chamada Caixa Ambar, ou seja, através de medidas de apoio interno que distorciam o comércio, muitas vezes atreladas ao pagamento por preço mínimo garantido pelo governo. De lá para cá, a União Europeia veio, não sem dor e chiadeira, desmantelando parcialmente este sistema, do qual faziam parte também subsídios à exportação, as já mencionadas cotas e forte suporte para estocagem. 

É até compreensível, inclusive, que haja algum grau de proteção para compensar desajustes históricos e desvantagens competitivas, mas desde que – e aqui vem o ponto que quero destacar neste artigo - os benefícios advindos dessa estratégia sejam traduzidos na busca pela maior competitividade no futuro. Uma parcela da diferença entre o preço externo e interno poderia ser revertida em um fundo setorial, gerenciado profissionalmente, atacando 2 ou 3 causas principais da nossa baixa competitividade, por exemplo. 

O que não é correto é acreditarmos que o fim das importações resolveria definitivamente nosso problema de preço, como parece ser o caso diante de manifestações em mídias sociais e aqui no MilkPoint. Ou, ainda, ficarmos restritos a uma única agenda, voltada para uma realidade que cada vez menos existe no mundo. É preciso admitir que, nestes 17 anos, pouco se fez para buscar uma agenda de mais longo prazo, atacando as causas da nossa atávica falta de competitividade, como a baixa escala de produção (os 1,3 milhão de produtores, usados como argumento para a necessidade de proteção, caso ainda existam nesse número, são parte do nosso problema), baixa produtividade de sólidos por área, questões relativas à qualidade, más condições de transporte de leite e energia nas fazendas, juros altos, tributação em insumos (ex: teteiras de ordenha), custos de importação de equipamentos, má coordenação da cadeia, e outras mazelas. 

Estou há mais de 20 anos na atividade e posso assegurar que, passada a ameaça das importações, seja porque o mercado externo em algum momento reage, seja porque o câmbio em algum momento se deprecia, os problemas do setor (isto é, as importações) desaparecem...até a próxima crise, quando o mesmo discurso volta à tona. O problema, sempre, são os outros, contra os quais não temos e nunca teremos como competir. 

Pouco, efetivamente, é feito no sentido de se criar condições para que sejamos mais competitivos. Um exemplo rápido, conhecido de todos: os seguidos adiamentos dos parâmetros da IN-62. Na impossibilidade óbvia de cumpri-los diante dos problemas mais básicos que temos, joga-se para frente, na esperança de que o tempo crie as condições para que os níveis possam ser atingidos. Até o próximo adiamento. Não é assim?

E assim permanecemos na segunda divisão do leite mundial, apanhando do Uruguai (que produz menos da metade do leite do Rio Grande do Sul), a despeito do sucesso do agronegócio brasileiro, da existência de formidáveis técnicos e produtores de leite, e do enorme potencial de crescimento que temos. 

É oportuno lembrar que, ao mesmo tempo em que nos deparamos com os fantasmas de sempre, há um novo leite surgindo, seja com produtores com visão gerencial, ambição e criatividade – e quem foi ao Interleite Brasil 2017 viu isso, seja com laticínios buscando diferenciação e agregação de valor, seja com técnicos e pesquisadores que não fazem feio a seus pares nos Estados Unidos, Europa, Argentina, ou Nova Zelândia. 

A questão que precisa ser discutida, como setor, é o que de fato queremos e podemos ser. Queremos participar do mercado mundial, que seja em algum momento futuro, para o bem (vendendo a muitos mercados e podendo crescer a produção) e para o mal (lidando com volatilidade de preços superior ao que temos e preços médios em geral menores, competindo com o mundo)? Ou queremos manter nossa economia láctea fechada? 

Ambas as estratégias são teoricamente defensáveis; ambas têm vantagens e desvantagens; cada uma envolve enfoques e caminhos distintos. Hoje, não estamos caminhando para nenhuma delas. “Se você não sabe para onde quer ir, qualquer caminho serve”, cunhou Lewis Carroll, em Alice no País das Maravilhas. Ou, o seu corolário: nessa condição, também nenhum caminho serve. É onde precisamente estamos quando discutimos o leite no Brasil.

Por que não trabalhamos uma agenda de futuro, abordando as causas que nos travam há décadas? Por que não olhamos para 5 ou 10 anos à frente, ao invés de buscarmos sempre a solução temporária e que não nos trará as respostas das quais precisaremos lá na frente? Por que não temos uma postura proativa, como muitos países e setores estão fazendo, ao invés de sermos apenas reativos? 

Estamos dispostos a participar ativamente desse processo.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Cresce importação de produtos químicos para agronegócio

Por:  -Leonardo Gottems 


Nos quatro primeiros meses do ano, o Brasil importou US$ 2,8 bilhões de produtos químicos para agronegócio, que incluem fertilizantes, seus intermediários e defensivos agrícolas. Os dados foram divulgados pela Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), com base em informações do MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços).
Houve aumento de 13,68% no montante adquirido pelo País no exterior na comparação com os US$  2,469 milhões registrados no mesmo levantamento realizado à época em 2016. Os dados constam no Sistema Alice (Análise das Informações de Comércio Exterior), mantido pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior).
Os produtos intermediários para fertilizantes seguem liderando a pauta de importação brasileira de produtos químicos. O País comprou US$ 1,9 bilhão acumulados entre janeiro a abril de 2017, o que representa um expressivo aumento de 28,7% na comparação com os mesmos meses iniciais do ano passado.
Os fertilizantes propriamente ditos somaram US$ 304,25 milhões em compras entre os meses de Janeiro e Abril de 2017. O resultado representa ligeiro aumento de 3,3% sobre as compras do ano passado no mesmo período, quando foram adquiridos US$ 294,1 milhões.
O Brasil importou ainda US$ 563,172 milhões em defensivos agrícolas no mesmo período, sendo US$ 408,477 milhões em produtos formulados e US$ 154,695 milhões em princípios ativos. O acumulado significa decréscimo de 15,71% sobre os US$ 668,079 milhões comprados no exterior nos quatro primeiros meses de 2016.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Brasil importa carne fresca dos EUA pela primeira vez!

Por Ivan Formigoni
Em 05/05/2017 no site Farmnews.


A brasileira JBS SA, maior processadora de carne do mundo, importou pela primeira vez carne fresca dos Estados Unidos para o país.

O objetivo desta importação está em desenvolver um nicho de mercado para uma versão mais marmoreada de um corte muito apreciado por nós aqui, a picanha!
As importações da JBS de tal corte a partir dos EUA podem atingir pelo menos 150 toneladas por mês, de acordo com as projeções iniciais da empresa.
Esse é o equivalente a cerca de 10% da produção de picanha no Brasil, disseram executivos à Reuters em entrevista nesta terça-feira, dia 2 de maio.

As importações brasileiras de carne fresca dos EUA foram autorizadas no ano passado, em um acordo bilateral que também permitiu que a carne bovina do Brasil entrasse naquele país.

Clique aqui para saber sobre os dados do mercado pecuário dos EUA e do Brasil.
O movimento da JBS em importar este corte ressalta a crença da empresa de que pode vender um produto de maior valor, mesmo considerando as tarifas de importação.
“Os brasileiros desfrutam de sua carne e há potencial de consumo a ser explorado”, disse Bassem Sami Akl Akl, diretor técnico da divisão de carne da JBS. “Este mercado tende a crescer muito”, disse ele.
Antônio Souza, diretor comercial da JBS, disse que a empresa não definiu um preço de venda para o corte importado de picanha, que inicialmente será vendido para os principais restaurantes de São Paulo. Em uma fase posterior, a empresa poderá distribuí-la mais amplamente no Brasil, disse Souza.
O primeiro carregamento de carne fresca chegou ao porto de Santos e atualmente em uma instalação de armazenamento do frigorífico JBS. O contêiner foi aberto em um evento comemorativo simbólico realizado da empresa.