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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Produção catarinense de leite aumenta 82% em dez anos





A produção de leite vem numa crescente em Santa Catarina. Em dez anos, o estado ampliou em 82% a sua capacidade produtiva, chegando a 3,1 bilhões de litros produzidos em 2016. No mesmo período, a produção brasileira aumentou em 32%. As expectativas são de um crescimento ainda maior para os próximos anos, focado principalmente no mercado externo.
De 2006 a 2016, Santa Catarina saltou de 1,7 bilhão de litros produzidos para 3,1 bilhão de litros – fazendo do estado o quarto maior produtor nacional de leite. E as estimativas do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) já apontam para uma produção ainda maior em 2017 – o estado pode ter produzido 3,4 bilhões de litros e o país a 35 bilhões de litros de leite.
O leite é a atividade agropecuária que mais cresce em Santa Catarina e envolve 45 mil produtores em diversos municípios do estado. A grande bacia leiteira catarinense é a região Oeste, que responde por 75% de todo leite produzido – quase 2,4 bilhões de litros. “O setor leiteiro é um grande destaque de Santa Catarina e vem passando por grandes transformações, com o investimento em pastagens, tecnologias e genética. Ainda temos muitos desafios pela frente para que o nosso leite seja competitivo para exportação”, ressalta o secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, Moacir Sopelsa.
A produção catarinense é bem maior do que o consumo estadual, mais da metade da produção é destinada ao abastecimento de outros estados. A tendência é que a produção estadual continue crescendo nos próximos anos, o que deve aumentar a participação estadual no mercado interno e ampliar as possibilidades de o estado alcançar também o mercado externo.
Valor Bruto da Produção
O leite é o terceiro produto no ranking de Valor Bruto da Produção (VBP) da agropecuária catarinense. O faturamento do setor passou de R$ 3,5 bilhões em 2017 e representa 13% de toda receita do agronegócio catarinense.
Lembrando que o Valor Bruto da Produção Agropecuária não considera o faturamento com os insumos agrícolas, transporte, agroindústrias e serviços.
Fonte: Sec. de Agricultura de SC

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Desaceleração da produção de leite no 3º trimestre

Por MilkPoint em 15/12/2017

O IBGE divulgou os resultados da Pesquisa Trimestral do Leite para o terceiro trimestre do ano, apontando uma produção de 6,16 bilhões de litros de leite no Brasil. O crescimento em relação ao mesmo período de 2016 foi de 5,4% e, no acumulado entre janeiro e setembro, o Brasil produziu 17,7 bilhões de litros de leite, elevação de 4,3% na produção deste ano em relação à do ano passado. Relevante na informação divulgada pelo IBGE é a desaceleração do crescimento da produção no terceiro trimestre do ano, como mostra o gráfico 1. 

Gráfico 1: Variação de captação brasileira em relação ao mesmo trimestre do anoanterior. Fonte: IBGE. Elaboração: MilkPoint Mercado. 

Variação de captação brasileira de leite

Esta desaceleração tem relação direta com a queda na rentabilidade do produtor de leite brasileiro. O gráfico 2 mostra a evolução do Receita Menos Custo da Ração (RMCR), que tem relação direta com a margem de lucro dos produtores de leite e com os volumes de produção. É possível verificar que, no primeiro semestre deste ano, o indicador foi bem mais favorável se comparado a 2016; no entanto, as quedas de preço de leite ao produtor e o aumento de preços do farelo de soja e do milho pioraram drasticamente a situação no segundo semestre, o que explica a desaceleração no crescimento da produção verificada pelo IBGE. 

Gráfico 2: Evolução do RMCR mensal nos últimos anos. Fonte: MilkPoint Mercado. 

receita menos custo de ração

Entre os principais estados produtores do país (observe o gráfico 3), destaca-se o crescimento da produção no trimestre em Santa Catarina (+17,7% em relação ao terceiro trimestre de 2016), Rio Grande do Sul (+8,1%) e Goiás (+7,5%). O estado de São Paulo também apresenta crescimento expressivo no trimestre (+9,8% em relação a 2016) – mas, como a estatística do IBGE trata do leite formal “adquirido” pela indústria, é possível que, no caso paulista, o crescimento de volume venha não exclusivamente do crescimento da produção local, mas também de mais leite comprado por fábricas paulistas de fora do estado para processamento nestas plantas industriais.

Gráfico 3: Variação da captação no 3º semestre de 2017 em relação ao mesmo trimestre de 2016. Fonte: IBGE. Elaboração: MilkPoint Mercado. 

Variação de captação brasileira de leite

A perspectiva é de que esta desaceleração no crescimento da produção continue no quarto trimestre do ano. Isto porque, além das quedas de preços ao produtor que continuaram em outubro e novembro (redução de quase 10 centavos/litro na soma dos dois meses), tivemos o atraso do início do período das chuvas em Minas Gerais e Goiás (que, no mês de outubro, trouxe uma reação temporária nos preços do leite spot e do leite UHT no “atacado”).

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Captação do leite brasileiro vem consolidando recuperação

Por MilkPoint em 14/09/2017


Nesta quinta-feira (14/09), o IBGE divulgou os dados do segundo trimestre de 2017 sobre a captação brasileira de leite. No período, o volume captado foi de 5,6 bilhões de litros de leite, queda de 3,4% em relação ao trimestre anterior. Entretanto, o acumulado do primeiro semestre de 2017 foi de recuperação em relação ao ano passado. Com um volume de 11,5 bilhões de litros, a captação foi 4,3% superior ao primeiro semestre de 2016. 

*Fevereiro de 2016 teve 29 dias. Portanto, para o cálculo comparativo, considerou-se que o 1º semestre de 2016 teve um dia a mais do que o 1º semestre de 2017.

Gráfico 1: Evolução da captação entre o 1º semestre de 2017 e 2016. Fonte: IBGE. Elaboração: MilkPoint Mercado. 

captação de leite no Brasil

Essa recuperação da produção (que vem ocorrendo desde o o segundo semestre de 2016) se deve principalmente às quedas nos preços dos grãos, aliadas aos preços pagos ao produtor que se fortaleceram com a queda ocorrida na produção entre 2015 e primeiro semestre de 2016. 

Dessa forma, é possível ver que o RMCR (Receita Menos Custos de Ração), que impacta diretamente na rentabilidade final do produtor de leite, vinha mostrando elevações desde o início de 2017 e se tornou um forte impulsionador desse aumento de produção. 

Gráfico 2: Evolução do RMCR mensal nos últimos anos. Fonte: MilkPoint Mercado. 

captação de leite no Brasil

Na comparação trimestral, fica ainda mais evidente a recuperação que 2017 vem apresentando. Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, a elevação foi de 8% (a maior desde o 2º semestre de 2014), que por sua vez, havia sido -7,5% inferior ao 2º trimestre de 2015. 

Gráfico 3: Variação de captação brasileira em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Fonte: IBGE. Elaboração: MilkPoint Mercado. 

captação de leite no Brasil

Nessa recuperação de produção, os estados de Goiás e São Paulo merecem destaque. Em relação ao mesmo trimestre de 2016, a captação elevou em 21,6% e 18% respectivamente. Dos principais produtores do Brasil, apenas Minas Gerais registrou variação negativa no período, porém, de apenas 1,7%. 

Gráfico 4: Variação da captação estadual em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Fonte: IBGE. Elaboração: MilkPoint Mercado. 

captação de leite no Brasil

Para os próximos meses, deve-se esperar uma desaceleração nos níveis de produção, resultado principalmente da queda de preços do leite ao produtor.

A cadeia enfrenta dificuldades com a demanda final, o que vem causando pressões de baixa nos preços. Além disso, o valor da arroba do boi se encontra em elevação, e deve permanecer estável pelo menos nos próximos meses. Assim, se o preço ao produtor de leite continuar em retração, a relação de troca ficaria ainda mais desfavorável, (em agosto já foi a maior dos últimos cinco meses) - fato que poderia iniciar o descarte de vacas. Por isso, ao que o mercado indica, esse aumento de produção pode passar por uma desaceleração, pelo menos até o final do ano. 

Gráfico 5: Relação de troca, litros de leite por arroba. Fonte: IBGE. Elaboração: MilkPoint Mercado. 
captação de leite no Brasil

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O Brasil dos dois leites

Por Caetano Beber 
postado em 13/09/2017 no site MikPoint.




Este artigo foi desenvolvido para complementar e expandir a análise muito bem formulada pelo Marcelo Pereira de Carvalho em “A solução dos problemas do leite no Brasil” de 24/08/2017. 

Ficou claro no artigo “A solução dos problemas do leite no Brasil” que o problema da cadeia do leite brasileira não será solucionado com uma simples política tarifária. Segundo o artigo também temos que investir muito ainda em ganhos de eficiência e produtividade para nos tornarmos mais competitivos e não dependermos de subsídios. Mas...será mesmo? 

Infelizmente a coisa é um pouco mais complicada. O pesquisador e chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins defendeu, inclusive em artigo publicado pelo MilkPoint, que leite deve ser tratado como assunto de Estado. “É assim em toda parte do mundo. Não há nenhum país que trabalhe com livre comércio no que diz respeito ao leite”. E dificilmente encontra-se algum. No Canadá existem cotas, nos EUA o “Milk marketing orders”, o “MPP-Dairy” e o “DPDP”. Na União Europeia (UE) já houve vários subsídios e hoje há os pagamentos por redução de produção, entre outros. Assim como há uma pressão no Canadá para que caia o sistema de cotas, houve na UE durante muito tempo. 

O problema é que os produtores não se davam conta de que eram as cotas quem mantinham o preço “alto” ao seu leite. Assim que o sistema caiu levando junto os preços do leite pagos ao produtor, vimos produtores franceses fazendo protesto todos os dias porque o valor recebido nem sequer cobria os custos de produção. O que aconteceu? UE volta a subsidiar seus produtores de leite, agora pagando àqueles que decidem reduzir a sua produção, retornando, em partes, ao sistema de cotas. Eles não conseguem se livrar dos subsídios ao setor.

E pasmem, Canadá, EUA, e UE possuem os sistemas de produção mais eficientes do planeta, com produtividades estratosféricas. Os parâmetros da nossa (nunca aplicada) IN-62 eles já cumpriram há décadas, o poder de consumo (demanda) deles é muito superior ao nosso e mesmo assim há políticas de estado ao setor leiteiro. É até explicável: sistemas intensivos confinados são geralmente frágeis, com margens sempre muito pequenas, onde qualquer alta no preço dos insumos ou queda no preço do produto já põe a atividade em risco.

Nessa história quem consegue se virar “sem” (sim, entre aspas) subsídios, mesmo em dificuldades, é a Nova Zelândia, com seu sistema intensivo, mas à base de pasto, o que não a deixa tão vulnerável às flutuações de preços de insumo e produto. E pasmem outra vez: quem mantém o sistema mais eficiente de produção de leite na União Europeia é a Irlanda, sendo o único, ou um dos poucos, com sua produção majoritariamente à base de pasto. Parece que esse é o único modelo que sobrevive em um mundo sem, ou com menos protecionismo. Daí acompanhamos todos os dias mais e mais especialistas dizendo que a salvação da produção de leite no Brasil é o confinamento. Simplesmente não faz sentido em um país onde podemos ter pasto o ano inteiro querer imitar os sistemas confinados de países onde o setor sobrevive às custas de subsídios. Vamos andar em círculos, ficar mais eficientes e continuar dependendo de subsídios, assim como eles. Mas esse é só um detalhe.

Outro problema é o custo Brasil que de fato é alto e precisamos muito investimento em infraestrutura básica, começando por rede elétrica estável e uma rede rodo-aqua-ferroviária decente. Há de se olhar para o setor do leite como há décadas fazemos com outros setores - dentre os quais - estamos entre os mais competitivos do planeta, pois produtores de soja, milho, frango, suíno e boi recebem tecnologia de ponta custeada pelo governo/contribuinte por meio da Embrapa e outros institutos e um plano safra com taxas baixíssimas, que não se encontram por aí no mercado. Também há a Conab, uma linda ferramenta de composição de estoque entre outros programas de apoio. Mas esse é só outro detalhe.

Agora o que fazer com o leite? Obrigar a IN-62 e quem não cumprir está fora?

Não sei se muitos aqui lembram ou leram o que aconteceu na região Sul do Brasil na década de 1980, com as mais de 52 mil famílias excluídas do setor de aves e suínos com a intensificação e integração dos sistemas de produção. Resposta: elas migraram para o leite como forma de sobrevivência no meio rural. 

Consequentemente o setor expandiu e foram surgindo muitas cooperativas singulares e centrais para beneficiar essa produção. Daí eu pergunto: se intensificarmos a produção de leite - da mesma forma - para onde vão migrar as mais de 412 mil famílias (IBGE, 2006) produtoras de leite só na região Sul? Temos suficientes indústrias para absorver toda essa mão de obra?

A resposta dessa pergunta é: NÃO, não temos. O leite vem sendo a base da economia rural, o sustento de famílias e a grande fonte dos empregos no campo, sobretudo de jovens e mulheres. Estima-se que 4 milhões de pessoas, 40% dos postos de trabalho no meio rural, sejam gerados pelo setor lácteo, além de 1,3 milhão de produtores (IBGE, 2016). Olhar para esse setor como a visão simplista da maximização de lucros é um equívoco, portanto as políticas para ele devem levar em conta essa função secundária, ou mesmo primária do leite.

Há de haver abertura comercial, temos que correr atrás do Uruguai e Argentina em termos de eficiência produtiva, mas não se pode deixar o setor ao livre mercado esperando que ocorra outro problema de exclusão em massa, cometendo o mesmo erro de antes. O mercado é cheio de distorções, e no leite mais ainda. Eu não tenho ideia de para onde esses agricultores iriam migrar desta vez. Para o fumo talvez? Os pequenos produtores foram quem desenvolveram o setor leiteiro, agora estamos querendo mandá-los embora.

O Brasil tem que ser analisado pelo que ele é, e temos que parar de imitar quem gostaríamos de ser sem ao menos antes termos uma reflexão sobre nós mesmos. Há duas realidades no setor de leite no Brasil, uma com alto nível tecnológico (a do leite commoditie), como no Centro-Oriental do PR por exemplo, e outra com sua agricultura familiar e de economia solidária (a do leite fonte de renda) como a região Sudoeste do PR por exemplo. Partindo daí, os pesquisadores e espertos na cadeia, devem desenhar políticas distintas e adequadas para cada contexto em um projeto de aumento da competitividade que inclua todos que estejam dispostos a se tornarem mais competitivos. 

Para chegarmos naquele nível de competitividade que o Marcelo citou precisamos de incentivos à exportação, redução de tributação de insumos, incentivo a fusões das cooperativas (ganho de escala em processamento de matéria-prima), à agregação de valor, apoio tecnológico e de infraestrutura, mas ao mesmo tempo aprimorar as compras institucionais, microfinanciamentos, extensão rural, educação, profissionalização e empreendedorismo no campo para que os pequenos produtores não sejam apenas excluídos, mas tenham noção de como poder progredir e se adequar ao mercado competitivo. E ah! Em sistemas intensivos à base de pasto, por favor! Assim talvez conseguiríamos melhorar os problemas estruturais da cadeia sem criar um problema paralelo. Essa geração de agricultores e os seus filhos estão percebendo que quem não se tornar mais eficiente, provavelmente estará fora em um futuro bem próximo. Basta um pouco de direcionamento para que estas unidades produtivas se adaptem ao mercado competitivo.

Realmente o nosso potencial de crescimento é enorme e temos muito a evoluir como cadeia produtiva. O problema é definitivamente estrutural, mas muito mais complexo do que se vêm discutindo. E não apenas em termos sociais, mas econômicos. Manter estas pessoas no campo é fundamental, e quanto mais produtivas elas e as suas terras forem, melhor. Melhor para elas, para o setor e para a economia nacional.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Produção de leite em pastagem: precisamos nos atentar para melhorias no sistema

Por Marco Aurélio Factori e Elcio Ricardo José de Sousa Vicente
Em 29/08/2017 no site MilfPoint



Mimosa, Malhada, Boneca, Princesa ... não são nem cinco horas, o galo ainda não cantou, muito menos o sol raiou. Faça chuva ou faça frio, de segunda a segunda, feriado ou dia santo, dia após dia. E assim começa mais um amanhecer antes mesmo do início da retirada do leite.

Talvez debaixo de um cobertura rústica, de chão de terra batido, ou mesmo ao relento, mesmo após a chuva, com barro nas canelas, com as mãos calejadas do trabalho da lida na roça, seu Manuel, Joaquim dentre tantos outros, chamam seus bezerros que respondem com um berro e vêm correndo com o rabo levantado, balançando. Eles passam por todas as vacas e vão direitinho ao encontro de sua mãe para tomar o seu tão esperado e gostoso leite. Um por um é chamado e o contato com a vaca traz calmaria - o que favorece a posterior retirada do leite.

Podem ser cinco, doze, quem sabe vinte e duas, mas são vacas das mais variadas cores: pretas, brancas, marrons, vermelhas, pretas e brancas, vermelhas e brancas, malhadas ou tigradas, isso não importa. Elas possuem vários tamanhos, umas têm chifres outras não, em sua maioria são magras, já com a idade avançada com a cara cheia de pelos brancos, algumas jovens ou de meia idade, com o pelo brilhante, liso ou um pouco mais gordas. Além disso, algumas produzem 4 litros de leite, outras 8. Outras não dão mais que um pouco para o sustento de seu bezerro, isso sem falar nos inúmeros e incontáveis carrapatos. Mas como muitos dizem, a atividade está no 'sangue', é uma paixão, é uma vida.

Ano após ano, no verão ou no inverno, na seca ou em tempos de chuvas fartas, com dificuldades, trabalho árduo, mas com perseverança e dedicação, os produtores conseguem o leite de cada dia. Um pouco mais quem sabe quando os pastos estão verdes por causa do ano bom de chuvas ou um pouco menos, ou bem menos, por causa do inverno ou seca prolongada.

Então, começamos a imaginar e refletir tal situação. Claro que cada caso é um caso, mas todos com um mesmo objetivo em comum, o leite. O precioso leite, o alimento mais completo, que sustenta a vida do nascimento ao desmame dos bezerros (às vezes com 8 meses de idade, como vemos em muitos casos).

Mesmo com todos os problemas existentes, como a baixa produtividade por animal, a carência de seleção genética, a falta de manejo alimentar, a não recuperação de pastagens (que inclui a não adubação ou mesmo uma simples calagem), o leite de todo dia está na prateleira, seja da pequena venda ao maior supermercado. Apesar de toda a simplicidade e rusticidade da vida no campo, sabemos da sua verdadeira origem.

produção de leite

O que fazer? Como fazer? Quando fazer? 
Para melhorar e aumentar a produtividade dos nossos animais, não basta o governo aprovar leis e exigir que se cumpram sem nos dar nenhum tipo de suporte. Temos que começar a olhar para nossos defeitos e dificuldades e não só para os nossos vizinhos, do outro lado da cerca. Não podemos esperar que façam por nós o que nós mesmos não fazemos. Não podemos mais ficar esperando que caia chuva em tempos de seca, como se isso fosse resolver os problemas de produção, mesmo sabendo que entra ano e sai ano a seca vai existir de alguma forma: seja pela falta de chuva, seja pelo frio. Os problemas existem e todos nós conhecemos quais são, mas por outro lado às soluções para eles também. Basta começar a por em prática, a tirá-las do papel para que possamos mudar - mesmo que lentamente - a realidade da maioria da nossa querida leiteria.

Sabemos que em todos os anos existe seca e por que não nos prevenimos dela? Seja reservando uns piquetes de pastagem para o inverno, plantando cana ou fazendo silagem para alimentar os animais nas épocas mais severas. Por que não jogar calcário e, se possível (e necessário) adubar as pastagens existentes? Mesmo que seja aos poucos, por hectare/ano, garantindo um melhor alimento para os animais, que é o pasto. Por que não?

Para produzir qualquer tipo de lavoura e para se obter retorno, mesmo que seja uma horta “caseira”, o adubo é necessário. Com nossas pastagens não é diferente. Se quisermos um pasto com boas produtividades de massa, ou seja, se quisermos ter alimento para o gado e que ele continue a produzir leite, temos que cuidar dos alimentos fornecidos, e só existe uma maneira para isso. Portanto, temos que primeiramente analisar o solo e corrigir o que for necessário.

Inseminação artificial por tempo fixo (IATF) é melhorar a genética e produtividade em pouco tempo, mas, somente após tendo um bom pasto e uma boa alimentação é que deveríamos pensar em melhorar a genética dos animais, seja pela IATF ou por meio da compra de animais. Pois de que adianta ter um animal com alto potencial e produtividade leiteira e este passar fome? Não seria mais fácil ter duas vacas com boa genética e produtividade de leite em boas pastagens, do que ter seis vacas de baixa produtividade em um pasto rapado, passando fome e estando propícias a doenças e carrapatos?

Não podemos mais perder tempo ficando na mesmice. Não podemos ficar lamentando as dificuldades e perdas causadas pela seca, ou pior ainda, as geradas por nós mesmos. Temos que realizar no presente medidas pensando no futuro próximo. Sabemos como fazer e temos gente capacitada para isso. Nós somos capazes, basta querer, mas isso só depende de nós mesmos.
 

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A solução dos problemas do leite no Brasil

Por Marcelo Pereira de Carvalho (MilkPoint) 
postado em 24/08/2017



A saída para os problemas do leite no Brasil é barrar ou limitar as importações. Esta, afinal, é a pauta que domina o setor desde que o MilkPoint começou, no ano 2000. Sem as famigeradas importações, a história do leite seria absolutamente diferente. Teríamos preços consistentemente mais altos e produtores e indústrias teriam lucros superiores. Mas...será mesmo? 

Infelizmente a coisa é um pouco mais complicada. O efeito imediato de uma suspensão ou limitação das importações é um aumento de preços ao produtor e ao consumidor, já que uma parcela não desprezível do nosso consumo vem do leite importado. Porém, com preços mais altos, o resultado óbvio será o aumento da produção interna, que encontrará também a redução do consumo em função de preços mais elevados.

Creio que todos concordam em uma coisa: nosso potencial de aumento de produção é enorme, tanto pelos baixos níveis de produtividade, como pelo fato de não termos quaisquer limitações para o crescimento da oferta. Com efeito, os dados históricos recentes mostram que, em sequência a bons preços (ou a bons momentos de rentabilidade), a oferta responde imediatamente.

Os dados de variação na Receita Menos o Custo da Ração (RMCR) e de variação de oferta, deixam isso claro (gráfico 1). Com melhores margens, o resultado é inequívoco: o danado do produtor acelera; se as margens caem, ele pisa no freio.

Gráfico 1. Variação da Receita menos Custo de Ração x Variação da oferta (sobre mesmo mês do ano anterior). Fonte: MilkPoint Mercado. 

rmcr - gado de leite

O resultado dessa situação é fácil de se prever: se, por consequência do fim das importações (ou de uma regulação maior), os preços subirem significativamente, haverá, sem sombra de dúvida, forte aumento de oferta interna que, logo ali na frente, ocasionará queda de preços, sem que seja importado um kg sequer de lácteos. Mais do que isso, o forte aumento de preços, como já vimos antes, atrairá oportunistas, manterá produtores ineficientes e afrouxará exigências de qualidade, jogando mais uma vez para o futuro as possibilidades de, efetivamente, evoluirmos como cadeia produtiva.

Como não temos ferramentas suficientes para composição de estoques, o estímulo fará com que a paulada seja imediata, até que consigamos preço para participar do mercado externo – se é que, na ocasião, teremos acesso a ele, já que não importaremos e seremos, para todos os efeitos, uma economia láctea fechada. 

Há, sim, uma maneira de perpetuar preços atrativos e margens confortáveis: colocarmos cotas de produção de leite. Funciona assim: para produzir, o produtor adquire o direito de produzir cada kg de leite. Assim, mesmo com margens muito convidativas, novos entrantes terão que comprar as cotas de produção (e, quanto mais atrativa a atividade, mais cara será a cota); produtores já existentes, se quiserem aumentar a produção, também precisam comprar esse direito (o que aumenta o custo de produção, evidentemente). É a camisa de força do leite. 

Dessa forma, consegue-se, artificialmente, manter condições muito boas para quem está dentro. É precisamente o sistema canadense, com altas taxas de importação (o que inviabiliza a entrada de produto de fora) e, claro, altos custos ao consumidor, o que pode funcionar em um país com renda per capita de US$ 34.273, a sétima do mundo, e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de 0,967, o terceiro do mundo. Mas, dificilmente, funcionaria em um país como o Brasil, com renda per capita de menos da metade dessa, e IDH de 0,754, o 79o no mundo. Compreensivelmente, não podemos ter um preço canadense, pela simples razão de que nosso consumidor não comporta isso, não é mesmo? Pelo menos não na quantidade de consumo que precisamos ter.

Também, esse foi o sistema europeu durante várias décadas, que precisou ainda de subsídios para fechar a conta, considerando os custos intrínsecos de produção e ainda o custo de compra das cotas. Esse mesmo sistema foi abandonado pela União Europeia em 2015, sob o argumento de que não mais seria possível arcar com os custos envolvidos. Nos parece, pois, que não é também um caminho viável para o Brasil. É, pois, uma solução completamente anacrônica (tal qual o tabelamento), analisada aqui somente sob a perspectiva teórica.

É até compreensível, inclusive, que haja algum grau de proteção para compensar desajustes históricos e desvantagens competitivas, mas desde que – e aqui vem o ponto que quero destacar neste artigo - os benefícios advindos dessa estratégia sejam traduzidos na busca pela maior competitividade no futuro. Uma parcela da diferença entre o preço externo e interno poderia ser revertida em um fundo setorial, gerenciado profissionalmente, atacando 2 ou 3 causas principais da nossa baixa competitividade, por exemplo.Marcelo P. de Carvalho
Desta forma, voltemos ao ponto original. Se, porventura, eliminássemos a zero as importações (que têm variado de 3 a 8% do nosso consumo, nos últimos anos), na ausência de cotas e outras barreiras que impeçam o aumento da produção interna, teríamos, em pouco espaço de tempo, talvez 6 meses, talvez 1 ano, um novo desequilíbrio, agora 100% causado pela produção interna. Não estamos falando de substituir 30, 40, ou 50% do consumo através do fomento à produção interna; estamos falando de 3 a 8%. Um a dois anos do crescimento médio do período entre 2007 e 2014 fariam o serviço.

Isso posto, concordo com aqueles que argumentam que o leite é ainda protegido em alguns países; que nosso “Custo Brasil” certamente é maior do que o “Custo Nova Zelândia” (embora, convenhamos, o produtor de soja, milho, frango, suíno e boi também sofram com isso). Também, concordo que é necessário investigar se há irregularidades nas importações, sejam referentes à qualidade, origem, etc. Isso não se discute. Devemos nos manter vigilantes quanto a qualquer tipo de concorrência desleal, mas que verdadeiramente representem algum tipo de deslealdade ao comércio. Isso, no entanto, é diferente de ser, por convicção, contra a abertura comercial. 

Também, cumpre lembrar que, no passado, as lideranças foram efetivas ao estabelecer medidas antidumping. Naquele momento, principalmente na União Europeia, ainda se utilizava de práticas desleais ao comércio. Era um período pré-reforma da Política Agrícola Comum, quando a maior parte dos subsídios era de fato pago dentro da chamada Caixa Ambar, ou seja, através de medidas de apoio interno que distorciam o comércio, muitas vezes atreladas ao pagamento por preço mínimo garantido pelo governo. De lá para cá, a União Europeia veio, não sem dor e chiadeira, desmantelando parcialmente este sistema, do qual faziam parte também subsídios à exportação, as já mencionadas cotas e forte suporte para estocagem. 

É até compreensível, inclusive, que haja algum grau de proteção para compensar desajustes históricos e desvantagens competitivas, mas desde que – e aqui vem o ponto que quero destacar neste artigo - os benefícios advindos dessa estratégia sejam traduzidos na busca pela maior competitividade no futuro. Uma parcela da diferença entre o preço externo e interno poderia ser revertida em um fundo setorial, gerenciado profissionalmente, atacando 2 ou 3 causas principais da nossa baixa competitividade, por exemplo. 

O que não é correto é acreditarmos que o fim das importações resolveria definitivamente nosso problema de preço, como parece ser o caso diante de manifestações em mídias sociais e aqui no MilkPoint. Ou, ainda, ficarmos restritos a uma única agenda, voltada para uma realidade que cada vez menos existe no mundo. É preciso admitir que, nestes 17 anos, pouco se fez para buscar uma agenda de mais longo prazo, atacando as causas da nossa atávica falta de competitividade, como a baixa escala de produção (os 1,3 milhão de produtores, usados como argumento para a necessidade de proteção, caso ainda existam nesse número, são parte do nosso problema), baixa produtividade de sólidos por área, questões relativas à qualidade, más condições de transporte de leite e energia nas fazendas, juros altos, tributação em insumos (ex: teteiras de ordenha), custos de importação de equipamentos, má coordenação da cadeia, e outras mazelas. 

Estou há mais de 20 anos na atividade e posso assegurar que, passada a ameaça das importações, seja porque o mercado externo em algum momento reage, seja porque o câmbio em algum momento se deprecia, os problemas do setor (isto é, as importações) desaparecem...até a próxima crise, quando o mesmo discurso volta à tona. O problema, sempre, são os outros, contra os quais não temos e nunca teremos como competir. 

Pouco, efetivamente, é feito no sentido de se criar condições para que sejamos mais competitivos. Um exemplo rápido, conhecido de todos: os seguidos adiamentos dos parâmetros da IN-62. Na impossibilidade óbvia de cumpri-los diante dos problemas mais básicos que temos, joga-se para frente, na esperança de que o tempo crie as condições para que os níveis possam ser atingidos. Até o próximo adiamento. Não é assim?

E assim permanecemos na segunda divisão do leite mundial, apanhando do Uruguai (que produz menos da metade do leite do Rio Grande do Sul), a despeito do sucesso do agronegócio brasileiro, da existência de formidáveis técnicos e produtores de leite, e do enorme potencial de crescimento que temos. 

É oportuno lembrar que, ao mesmo tempo em que nos deparamos com os fantasmas de sempre, há um novo leite surgindo, seja com produtores com visão gerencial, ambição e criatividade – e quem foi ao Interleite Brasil 2017 viu isso, seja com laticínios buscando diferenciação e agregação de valor, seja com técnicos e pesquisadores que não fazem feio a seus pares nos Estados Unidos, Europa, Argentina, ou Nova Zelândia. 

A questão que precisa ser discutida, como setor, é o que de fato queremos e podemos ser. Queremos participar do mercado mundial, que seja em algum momento futuro, para o bem (vendendo a muitos mercados e podendo crescer a produção) e para o mal (lidando com volatilidade de preços superior ao que temos e preços médios em geral menores, competindo com o mundo)? Ou queremos manter nossa economia láctea fechada? 

Ambas as estratégias são teoricamente defensáveis; ambas têm vantagens e desvantagens; cada uma envolve enfoques e caminhos distintos. Hoje, não estamos caminhando para nenhuma delas. “Se você não sabe para onde quer ir, qualquer caminho serve”, cunhou Lewis Carroll, em Alice no País das Maravilhas. Ou, o seu corolário: nessa condição, também nenhum caminho serve. É onde precisamente estamos quando discutimos o leite no Brasil.

Por que não trabalhamos uma agenda de futuro, abordando as causas que nos travam há décadas? Por que não olhamos para 5 ou 10 anos à frente, ao invés de buscarmos sempre a solução temporária e que não nos trará as respostas das quais precisaremos lá na frente? Por que não temos uma postura proativa, como muitos países e setores estão fazendo, ao invés de sermos apenas reativos? 

Estamos dispostos a participar ativamente desse processo.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Micotoxinas: o perigo invisível

Por ESALQLab - postado em 23/07/2017 em MilkPoint

Prof. Dr. Carlos H. Corasin
Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos
USP

Aproximadamente 25% da produção de grãos em todo o mundo é afetada por micotoxinas, levando a perdas de bilhões de dólares. Embora as micotoxinas sejam encontradas em vários produtos agrícolas, as contaminações de grãos e silagens, desempenham um papel de destaque.

Alimentos mofados geralmente diminuem parâmetros de desempenho das vacas em 10%, mesmo que eles não produzam micotoxinas, pois a aceitação deste alimento pelos animais é menor, diminuindo o consumo de matéria seca, a produção de leite e ganho de peso corporal.

As micotoxinas mais importantes encontradas em ingredientes usados na alimentação animal abrangem as produzidas por fungos do gênero Aspergillus (aflatoxinas B1, B2, G1 e G2) e Fusarium (desoxinivalenol-DON ou vomitoxina, zearalenona e fumonisinas B1 e B2).

Quando as micotoxinas estão presentes na dieta, elas podem causar problemas, mesmo a níveis extremamente baixos de ingestão. Abaixo preparamos um infográfico com recomendações de níveis de atenção e crítico para três principais micotoxinas.



O declínio no desempenho pode até ser negligenciável, porém dentro de dias ou semanas, o efeito do consumo contínuo de micotoxinas sobre o desempenho (redução na produção de leite ou ganho de peso corporal) torna-se mais evidente. Sinais não específicos, incluindo redução no consumo, diminuição da produção de leite, distúrbios gastrointestinais, imunossupressão, aumento da contagem de células somáticas no leite, cetose e deslocamento de abomaso podem ser aumentados significativamente pela ingestão de micotoxinas.

Taxas de concepção reduzidas ou aborto também podem estar relacionados com o consumo de micotoxinas. Os efeitos das micotoxinas são ampliados pelo estresse da produção, sendo que animais confinados e de alta produção são mais susceptíveis aos efeitos das micotoxinas. Efeitos da toxicidade crônica também são caracterizados por lesões hepáticas, sinais de degeneração gordurosa, necrose e carcinomas no fígado, ocasionando também alterações na população dos microrganismos ruminais.

Além do impacto importante sobre a saúde e o desempenho de vacas leiteiras, a ingestão de uma ração contaminada com aflatoxina B1 leva à sua biotransformação em aflatoxina M1 (AFM1) que é excretada no leite, representando um grave risco para a saúde humana.

Cuidados de armazenamento e o gerenciamento de práticas agrícolas devem ser prioridades para evitar a presença de fungos indesejáveis e a produção de micotoxinas. Porém, mesmo com a aplicação de técnicas corretas, o processo de fermentação da silagem não irá destruir as micotoxinas se a contaminação já tiver ocorrido e, em alguns casos, este processo pode levar à concentração de toxinas nos grãos.

Análise de rotina para determinação da presença de micotoxinas em ingredientes de ração, principalmente de grãos e silagem de milho, é fundamental para o diagnóstico e controle do problema.

Juntos em prol do AGRO: A ESALQLab, plataforma de análises laboratoriais para o AGRO, do Departamento de Zootecnia da ESALQ/USP firmou parceria com o Laboratório de Microbiologia e Micotoxicologia de Alimentos (LMMA) da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP e passa a oferecer análises para quantificação de micotoxinas em alimentos.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

O que determina o sucesso de uma fazenda produtora de leite?

Prof. Dr. Paulo Machado*
Em 11/07/2017 no site MilkPoint

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Muitos produtores de leite acreditam que o sucesso de seu negócio depende de fatores relacionados à qualidade do rebanho, à infraestrutura disponível, à tecnologia utilizada. Isso tudo é importante, sem dúvidas. Porém, o que determina o quão bem sucedido será qualquer negócio tem a ver com outra questão: o jeito de ser do proprietário. À primeira vista, essa afirmação pode parecer estranha, mas nossa experiência acompanhando fazendas de todo o Brasil valida a ideia.

Por isso, sempre que propomos a implantação do Sistema MDA, modelo de gestão desenvolvido pela Clínica do Leite para fazendas produtoras de leite, sugerimos que os donos das propriedades estejam abertos a uma nova forma de pensar. E essa é uma proposta um tanto desafiadora. Afinal, mudar exige refletir sobre a própria postura diante de diferentes situações e, especialmente, sobre o impacto do seu comportamento nas decisões e, por consequência, nos resultados do negócio.

Parece óbvio, mas já vimos vários processos de aperfeiçoamento da gestão serem abortados porque os produtores não estavam dispostos a mudar a forma de pensar e agir. Geralmente, essa dificuldade está relacionada à falta de clareza quanto ao propósito do negócio. Por que entre tantas atividades possíveis de se trabalhar, você escolheu produzir leite? Como gostaria de ver seu negócio no futuro? E de que forma construirá o caminho que o levará até lá?

Além de responder a essas perguntas básicas, o produtor deve refletir sobre seu estilo de liderança, ou seja, em que medida seus hábitos e comportamentos influenciam a ação (ou a reação) de outras pessoas importantes para o negócio - empregados, familiares, sócios, clientes, fornecedores. Defendo que o jeito de ser da fazenda é um espelho do jeito de ser do dono. Se ele é negligente com as pessoas, elas não se importarão umas com as outras - o que é um gatilho para conflitos. Se não dá atenção aos detalhes do processo produtivo, os empregados também não darão. Se não monitora indicadores que vão além dos financeiros, por que os outros achariam isso importante?

É o líder quem define o rumo e o ritmo da jornada. Então não faz sentido cobrar entrega e envolvimento da equipe se o produtor não estiver realmente engajado, decidido a ser melhor todos os dias e empenhado em mudar o que for necessário para que os resultados apareçam. Ao adotar essa postura, aberta à transformação, ele começa a cultivar um novo jeito de ser na fazenda, que só tem um caminho possível: o sucesso.
 
*Diretor da Clínica do Leite, é professor da Esalq/USP, professor titular em Bovinocultura de Leite, com 43 anos de experiência em gestão de fazendas.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Produção de leite a pasto: custos de produção versus produção de leite

Em 11/07/2017 no site MilkPoint.



É fundamental que saibamos que na produção de leite a pasto se preconiza os baixos custos. Segundo alguns cálculos feitos por professores da área, nos dias de hoje, se optarmos por produção de leite em pastagem, teremos um lucro ao redor R$ 2.000,00 em uma área de quatro hectares (considerando um sistema intensivo de produção a pasto e suplementação no inverno com cana mais ureia e concentrado durante todo o ano, de acordo com a produção de cada animal).

No entanto, em algumas propriedades vemos um antagonismo entre a produção e o lucro. Sim, sempre queremos mais produção e com isso, maiores lucros. Desde os primórdios do ensino econômico, com certeza teremos sempre o conceito de que ao produzirmos mais teremos mais lucros. Contudo, na produção leiteira a pasto, em alguns momentos, este fator parece não ser tão expressivo.

Na produção leiteira em pastagem, como mencionei acima, temos um sistema que se utiliza de um pasto de baixo custo quando comparado aos outros volumosos. Para efeito de exemplificação, atualmente, o custo de uma silagem de planta inteira (considerando o custo de matéria seca) está por volta de R$ 0,36/kg. A cana de açúcar com ureia posta no cocho incluindo picagem e outros processos está em torno de R$ 0,21/kg. Já o pasto, possui um valor ao redor de R$ 0,12/kg. Fica evidente que o sistema em pasto já se diferencia dos demais pelo seu baixo custo. 

Em segundo plano, pensaremos em suplementação de ração proporcionalmente à produção de leite de cada animal. Considerando a literatura, o animal em pastagem, desde que este tenha potencial, possui condições de produzir por volta de 10 litros de leite/dia, somente com a pastagem. Se calcularmos as quantidades de energia e proteína bruta ingeridas por uma vaca em um pasto bem manejado, temos nutrientes suficientes para isso. 

A partir dos 10 litros por vaca/dia pensaremos então em uma suplementação que varia em média nos sistemas produtivos, como por exemplo, a utilização de 1 kg de concentrado para cada 2 a 3 litros de leite produzidos acima dos 10 litros (esses, fornecidos pela energia e proteína da pastagem). Para refrescarmos a memória, se uma vaca produz 25 kg de leite/dia, ela irá ingerir por volta de 5 a 7,5 kg de concentrado por dia, considerando a relação de 1 kg de concentrado para cada 2 a 3 kg de leite acima dos 10 litros, respectivamente.

Será que é mais viável uma vaca produzir 10 kg de leite/dia sem o acréscimo de concentrado ou 25 kg de leite/dia consumindo 7,5 kg de concentrado? Para essa resposta, as contas são imprescindíveis.

Calculando a rentabilidade da primeira situação, considerando os custos mencionados anteriormente, teremos as seguintes situações: 

a) uma vaca de 450 kg de peso vivo, com 3% de ingestão, que produz 10 kg de leite/dia, somente se alimentando de pasto. Ela irá ingerir por volta de 13 kg de massa seca de pasto por dia. Calculando-se os custos, teremos R$ 0,12 * 13 = R$ 1,56/dia (custos de alimentação, sem considerarmos o sal mineral);

b) na outra situação, uma vaca que produz 25 kg de leite/dia, irá ingerir por volta de 7,5 kg de ração e o restante do consumo será composto por aproximadamente 7 kg de massa seca de pasto. Há um ligeiro aumento na ingestão pelo menor espaço físico ocupado pelo concentrado e isso aumenta o consumo do pasto também. Se considerarmos os custos totais e a ração feita na propriedade com baixo custo de R$ 0,70, teremos (7*0,12) + (7,5*0,70) = 0,84 + 5,25 = R$ 6,09/dia. 

Pois bem, se dividirmos os custos pela produção, teremos o custo alimentar pelo litro de leite. Aquela vaca que produz 10 litros de leite só em pasto, tem um custo do litro de leite de R$ 0,15, por outro lado, aquela que produz 25 kg tem um custo de R$ 0,24. Vale esclarecer que podemos diminuir os custos totais da ração por meio da compra de insumos corretos no momento certo. O valor por kg de ração pode chegar até R$ 0,40, situação a qual já presenciei em sistemas produtivos. 

O que devemos fazer então: produzir somente 10 ou 25 kg de leite por vaca/dia neste sistema? Quanto custa para trazer uma vaca de 10 litros ou 25 litros para dentro do curral? E o funcionário que irá ordenhá-la, quanto ele vai custar para cada vaca? As instalações irão mudar? Os cochos, utensílios, medicamentos e outros? Claro que em resumo não irão mudar. Mas, existem mais custos de produção, não é mesmo?

Para exemplificar, o trator ou a carroça que trará o alimento é diferente para tratar 10 ou 100 vacas. O que transporta o concentrado também. O cocho é diferente, pois nele terá que caber mais alimentos; na sala de ordenha o custo com energia é diferente e o resfriador para guardar o leite também. O tempo de ordenha é diferente e o comportamento animal e o bem-estar animal são diferentes também. Algumas coisas mudarão. Mudar de animal dentro destes dois sistemas é um pouco complicado.

O que queremos salientar é que o sistema não é engessado e por isso pode ser diferente a cada momento e a cada lugar. O animal da fazenda A talvez não sirva para a B e assim em diante. A alimentação da A não servirá para a B e assim em diante também. Cada sistema é único. A produção sempre deve ser maior, desde que os custos sejam menores também. O segredo é sempre maximizar a produção e a viabilidade do sistema. 

Para encerrar: aquele produtor que tem suas vacas somente a pasto - desde que proporcionais aos custos que comentei - é mais eficiente do que aquele que produz mais com um custo maior. Em suma, SEMPRE iremos ganhar mais se tivermos baixos custos.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Produção global de leite tende a se recuperar lentamente

Por MilkPoint em 23/06/2017.

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Os níveis da produção global de leite continuam a se recuperar após a forte contração no fim de 2016, informa o Rabobank em seu relatório trimestral sobre o mercado de lácteos. No entanto, o ritmo da retomada é mais lento do que o esperado por analistas do mercado.

De acordo com análise do banco holandês, os preços mais altos ao produtor e as condições climáticas mais favoráveis estão dando um “necessário alívio” para os produtores de leite ao redor do mundo depois de três anos de declínio nas cotações do produto.

Os preços nos EUA continuam acima dos valores na Europa e Oceania, estimulados pela demanda local e exportações maiores, em função do dólar ligeiramente mais fraco. A expectativa do Rabobank é que se as margens de produção seguirem boas, a produção de leite nos EUA continuará a crescer, depois de um leve tropeço no primeiro trimestre deste ano. Nos primeiros quatro meses do ano, a alta foi de 2% sobre igual intervalo de 2016. Além disso, o consumo doméstico de manteiga e queijo também deverá continuar a aumentar no país.

O Rabobank observa que as cotações médias ao pecuarista na Europa subiram no fim de 2016, mas permaneceram em patamares apenas moderadamente interessantes, o que levou a diferentes respostas por parte dos produtores. Pecuaristas na Irlanda, Polônia e Itália continuam a expandir a produção e também houve uma arrancada na produção tardia no Reino Unido no segundo trimestre deste ano.

No entanto, a produção como um todo na Europa cresce mais lentamente do que muitos esperavam, diz o relatório. No primeiro trimestre, foi 1,1% inferior a igual intervalo em 2016, e as indicações são de que a produção deve ficar atrás nos grandes países produtores também no segundo trimestre.

O fraco crescimento da produção na União Europeia, num período do ano em que os níveis de oferta de gorduras lácteas estão naturalmente deprimidos, e o forte aumento da demanda nos EUA têm contribuído para uma escassez global de gorduras lácteas, levando os preços da manteiga e do creme de leite a “níveis excepcionais”. Neste ano, a tonelada alcançou quase US$ 6 mil, segundo o Rabobank, praticamente o dobro do patamar de 2016. “No curto prazo, para aliviar a pressão, processadores ficarão certamente tentados a elevar os preços ao produtor para estimular maior oferta de gordura láctea”, afirma o relatório.

O Rabobank destaca ainda que a recuperação da produção de leite na América do Sul continua em ritmo lento, mas estável. No Brasil, os custos começaram a recuar e a produção e o consumo estão em recuperação. Ainda conforme o relatório, a Argentina também deve voltar a ampliar a produção no segundo semestre do ano.

Na Nova Zelândia, há mais otimismo com a nova safra do que havia nos últimos três anos e os preços iniciais ao produtor estão ao redor de 6,50 dólares neozelandeses por quilo de sólidos de leite. Conforme o banco holandês, o clima favorável na safra deve estimular um forte crescimento da produção.

Na China, relata o Rabobank, os preços ao produtor têm perdido força, restringindo o crescimento do volume de grandes fazendas de produção e forçando pequenos produtores a deixar a atividade. Isso significa que “mesmo um crescimento medíocre do consumo tem conseguido superar o aumento da oferta”.

Como os estoques no país asiático estão baixos, a expectativa do Rabobank é que os níveis de importação da China terão de aumentar muito mais rápido no segundo semestre de 2017 e que o crescimento da importação em todo o ano ficará perto dos 20% já previstos.

De uma maneira geral, diz o banco, a expectativa é que recuperação da produção mundial continuará. Para a instituição, o aumento estrutural da demanda por gorduras lácteas é uma questão que levará mais tempo para ser solucionada, e há necessidade de que os preços se ajustem para refletir as mudanças nos padrões de consumo. Será preciso também novos incentivos de longo prazo para estimular a produção de mais gordura.

As informações são do jornal Valor Econômico.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Qual é o melhor método para secagem de vacas leiteiras?

Tiago Tomazi*
Marcos Veiga dos Santos
Em 23/05/2017 no site MilkPoint.
O período seco (PS) é uma fase importante para o ciclo produtivo de vacas leiteiras, pois é considerado um período de “descanso” e renovação para o tecido mamário. Durante o PS as vacas renovam as células secretoras de leite para dar início a uma nova lactação. Além disso, este período proporciona uma oportunidade para a eliminação de casos existentes de mastite subclínica.

Pelo fato do PS ser uma fase não produtiva, a terapia de vaca seca permite o uso de uma maior concentração de antibiótico, sem a necessidade de descarte de leite com resíduos. No entanto, além do uso de antibióticos na secagem, outros fatores podem influenciar o risco da vaca ter mastite durante o período seco e início de lactação. Por exemplo, o tipo de antibiótico, o estado imunitário das vacas, e as condições de higiene do ambiente. Estudos relataram que mais de 60% dos casos de novas infecções intramamárias (IIM) identificados no início da lactação foram contraídos durante o PS.

O uso de antimicrobianos em animais de produção, especialmente para fins profiláticos, vêm sendo criticado devido à crescente preocupação com o desenvolvimento de resistência antimicrobiana e seus efeitos sobre a saúde humana. Com isso, a identificação de outras práticas de manejo que reduzam o risco de mastite na secagem, e que permitam a manutenção de bons índices produtivos na lactação seguinte, poderia trazer benefícios para toda cadeia produtiva do leite.

Um dos fatores que influencia a sanidade do úbere na lactação subsequente é o manejo de secagem. Dois métodos são comumente usados para secagem de vacas leiteiras: o abrupto e o intermitente (ou gradual). O método abrupto é feito pela interrupção das ordenhas em um dia específico, com base na data prevista de parto e no total de dias desejado para o período seco (normalmente de 45-60 dias). Já a secagem intermitente, ocorre pela redução da frequência diária de ordenha durante um período determinado, ou até quando a vaca reduzir a produção de leite a um volume desejado. 

Vacas submetidas ao método de secagem intermitente são ordenhadas uma única vez ao dia, por um período inferior a uma semana. Alguns estudos indicam que o uso do método intermitente de secagem permite a redução gradativa da produção de leite da vaca antes da completa interrupção do período de lactação, o que traz benefícios à sanidade da glândula mamária. Vacas submetidas ao método de secagem intermitente apresentaram redução na incidência de IIM durante o período seco e no estágio inicial de lactação quando comparadas com vacas de alta produção submetidas ao método abrupto de secagem. Esse resultado pode estar associado ao fato de que vacas com alta persistência de produção de leite submetidas a secagem abrupta estão mais sujeitas a falhas no fechamento do canal do teto nos estágios iniciais do PS.

A maioria dos estudos que avaliaram o efeito do método de secagem sobre a produção e qualidade do leite foram realizados antes da década de 1950, quando os índices de produtividade eram menores que os atuais. Recentemente, um estudo comparou os dois métodos de secagem (abrupta e intermitente) sobre a produção de leite e CCS de 428 vacas distribuídas em oito rebanhos do estado de Ohio, EUA.

As vacas submetidas à secagem abrupta foram mantidas no regime regular de ordenha da fazenda (2 ou 3 vezes ao dia) até o último dia de lactação; enquanto as vacas do grupo de secagem intermitente foram ordenhadas uma vez ao dia durante a última semana de lactação. Os dados de CCS e produção de leite foram baseados em resultados mensais de controle leiteiro, considerando ao menos um resultado antes da secagem, e com monitoramento das vacas até 120 dias da lactação subsequente. Além disso, amostras de leite foram coletadas para cultura microbiológica no momento da secagem, e até uma semana após o parto. Vacas com período seco <25 ou ≥80 dias foram excluídas do estudo.

Não houve diferença significativa entre os métodos de secagem sobre a frequência de mastite na na secagem e pós-parto. Um total de 39% (76 de 197) das vacas submetidas ao método de secagem intermitente, e 35% (81 de 231) das vacas submetidas ao método abrupto, tiveram ao menos um quarto mamário infectado na secagem. Em relação à avaliação realizada após o parto, 22% (n=43) das vacas do grupo de secagem intermitente, e 23% (n=53) das vacas do grupo de secagem abrupta apresentaram IIM (Figura 1).

Figura 1 – Distribuição da frequência de infecção intramamária (IIM) entre os métodos de secagem (abrupto e intermitente), considerando as culturas microbiológicas realizadas na secagem e logo após o parto. Fonte: Adaptado de Gott et al. (2016).



De forma geral, não houve associação do método de secagem com a produção de leite na lactação subsequente. No entanto, houve um efeito de interação entre o rebanho e o método de secagem, o que sugere que os resultados do método de secagem podem variar de rebanho para rebanho. Além disso, períodos secos mais curtos foram associados com redução da produção de leite na lactação subsequente: vacas com período seco inferior a 45 dias produziram 3,8 Kg/dia de leite a menos que vacas que passaram por um período seco ≥65 dias, e 1,3 Kg a menos que vacas que permaneceram secas por um período de 55-64 dias.

Vacas que foram secadas pelo método abrupto e que passaram por períodos secos mais curtos (<45 dias) também produziram menos leite nos primeiros 120 dias de lactação que vacas submetidas ao mesmo método de secagem, porém com >55 dias de período seco. Da mesma forma, vacas secadas abruptamente e com <45 dias de período seco produziram menos leite que vacas do grupo de secagem intermitente e que tiveram a mesma duração de período seco (Figura 2).

Figura 2 – Produção de leite nos primeiros 120 dias de lactação de vacas previamente submetidas à secagem pelos métodos intermitente (linha sólida) e abrupto (linha tracejada), considerando diferentes categorias de duração de período seco. Fonte: Adaptado de Gott et al. (2016).

secagem das vacas de leite

Da mesma forma que para a produção de leite, não houve diferença entre os métodos de secagem quanto à CCS nos primeiros 120 dias de lactação. No entanto, a produção de leite na secagem foi positivamente associada com o aumento da CCS na lactação subsequente. Ou seja, vacas que apresentaram maior produção de leite na secagem tiveram maior CCS na lactação futura do que vacas com menor produção de leite. Da mesma forma, as vacas que apresentaram alta CCS na secagem também apresentaram maior CCS na lactação seguinte.

Atualmente, o método de secagem abrupta ainda é o mais utilizado em rebanhos leiteiros de alta produção. Nos Estados Unidos, dados recentes demonstraram que 90% dos rebanhos utilizam o método abrupto de secagem, enquanto que apenas 10% utilizam o método intermitente.

A incerteza sobre os efeitos do uso de novas práticas de manejo pode dissuadir os produtores de leite de tentar métodos diferentes de secagem, como por exemplo, o uso do método intermitente. Vacas leiteiras modernas, bem manejadas e de alto valor genético, normalmente apresentam altos índices de produtividade até o final da lactação, o que pode ser um fator de risco para IIM durante o PS e estágios iniciais da lactação futura. Da mesma forma, vacas de alta persistência de lactação têm maior chance de apresentar desconforto após a secagem devido ao aumento da pressão interna na glândula mamária após a interrupção abrupta da ordenha. Portanto, a redução da frequência de ordenha na última semana de lactação por meio do método intermitente de secagem pode reduzir a produção diária de leite das vacas antes da secagem, e consequentemente, melhorar a qualidade do leite na lactação seguinte, bem como o bem-estar das vacas na fase inicial do PS.

Fonte: Gott, et al. J. Dairy Sci. 100:2080–2089. 2016.
*Tiago Tomazi é doutorando do Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Produção Animal da FMVZ/USP e pesquisador do Laboratório Qualileite-FMVZ/USP.