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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Pesquisa do USDA apoia glutamina como alternativa para antibióticos

Por Suinocultura Industrial em 01/02/2018




Uma pesquisa feita por cientistas do Serviço de Pesquisa Agrícola (ARS) vinculado ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), sugere que aminoácidos naturais como a glutamina podem ser uma alternativa para a saúde animal dos suínos. O resultado completo da pesquisa foi publicado recentemente no Journal of Animal Science. As informações são do portal Pork Business.

Os pesquisadores observaram que a L-glutamina é um importante fornecedor de energia que ajuda na divisão rápida de células, como enterócitos e linfócitos. O aminoácido serve como imunomodulador que inibe citocinas pró-inflamatórias.

Segundo pesquisas anteriores, a inclusão da L-glutamina como promotora de crescimento na dieta de suínos pode melhorar a produtividade do animal que não tenha sido submetido a estresse. Assim, os pesquisadores se propuseram a comparar a suplementação de L-glutamina com clorotetraciclina (antibiótico) e alimentação sem suplementação em suínos pós-desmame em um período de simulação.

As hipóteses levantadas foram de que a retenção de antibióticos alimentares afetaria negativamente o bem-estar geral dos leitões e que a suplementação, considerada dietética, feita com a L-glutamina teria um efeito semelhante aos antibióticos dietéticos na saúde e bem-estar do animal.

Os resultados mostraram que os animais que não foram submetidos a antibióticos na dieta, durante o período de testes, tiveram resultados negativos nos quesitos referentes à saúde e bem-estar, com aumento no dano intestinal, redução da ingestão da ração e aumento de casos de doenças. No entanto, os porcos alimentados com L-glutamina, ao longo da fase de tratamento dietético de 14 dias, tiveram uma ingestão maior de ração em relação ao outros grupos testados. Já os porcos alimentados com antibióticos apresentaram melhor desempenho do que os animais que não receberam suplementos.

Os pesos corporais para os animais alimentados com glutamina e antibióticos foram semelhantes, sendo ambos mais pesados dos que os que não foram submetidos a suplementos.

Assim, os pesquisadores concluíram que a L-glutamina pode ser uma alternativa natural viável aos antibióticos dietéticos. O estudo ainda ressalta que os leitões foram colocados em situação de desmame e transportados sob condições simuladas, por isso as implicações no uso da L-glutamina devem ser confirmadas nas condições comerciais de produção.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Fibra efetiva para vacas leiteiras: aspectos práticos

Por Júlia D. Lima Dias e Marina A. Camargo Danés em  13/01/2018 no site MilkPoint



Vacas leiteiras de alta produção são desafiadoras. São animais exigentes, sobretudo quanto às condições de ambiência e alimentação. Precisam de conforto e alimentos de alta qualidade em dietas bem balanceadas para expressar o potencial produtivo e serem eficientes economicamente. No artigo anterior, destacamos as razões de uma exigência mínima de fibra por vacas leiteiras e o desafio de atender a alta demanda energética desses animais sem risco de acidose ruminal e prejuízo à saúde como um todo.

A fibra é quimicamente analisada como fibra em detergente neutro (FDN) na nutrição de ruminantes, mas nem toda fonte de fibra é aproveitada da mesma forma ou exerce as mesmas funções na fisiologia digestiva de vacas leiteiras. A FDN oriunda de concentrados não é fisicamente efetiva, ou seja, não participa na formação do MAT ruminal, que é responsável pelas funções de ruminação, mastigação e motilidade. A fibra de forragens finamente moídas ou peletizadas tem efetividade reduzida. Assim, o conceito de fibra fisicamente efetiva (FDNfe) abrange características químicas (teor de FDN) e físicas (tamanho de partículas) do alimento. 

Foi proposto que vacas leiteiras têm exigência mínima de FDNfe para a manutenção das funções e ambiente ruminal normal, e consequentemente, melhor aproveitamento das dietas. Zebeli et al. (2012) propôs que entre 14,8 e 19,6% da MS de FDN com tamanho acima de 8 mm seria a faixa segura de formulação para FDNfe. Nessa faixa, os animais mantêm um pH ruminal que permite a sobrevivência da flora responsável pela digestão da fibra no rúmen, sem prejudicar o consumo de alimentos.

Mas, como aplicar o conceito de fibra fisicamente efetiva no dia a dia de fazendas leiteiras? Para tal, é necessário entender a fisiologia do ruminante e a necessidade de fibra e, além disso: 

1) Saber como avaliar a quantidade de FDNfe das forragens utilizadas na fazenda; 
2) Aplicar essa avaliação na formulação de dietas; 
3) Entender como o processamento na colheita de silagens interfere na quantidade de FDNfe e sua relação com a disponibilidade do amido dos grãos; 
4) Conhecer fontes de fibra longa que podem ser utilizadas na fazenda. 

Na primeira parte deste artigo, discutiremos os dois primeiros conceitos, de maneira prática e aplicável. Na segunda parte, os outros dois conceitos serão abordados.

Avaliação do tamanho de partículas de forragens:
A primeira proposta de tamanho de partícula que estimularia a ruminação foi acima de 1,18 mm, pois seria esse o tamanho máximo observado nas fezes de carneiros. Assumiu-se que partículas desse tamanho ou menores escapariam do rúmen pelo passagem da digesta e não estimulariam a ruminação. No entanto, quando utilizado o separador com a peneira de 1,18 mm a quantidade de FDNfe tende a ser superestimada (Yang e Beauchemin, 2006). 

A ideia da utilização de um conjunto de peneiras para mensuração do tamanho de alimentos para ruminantes surgiu na década de 90. O padrão americano para esse procedimento inclui 5 peneiras de tamanhos diferentes (American National Standards Institute – ANSI, 1993) e pesquisadores simplificaram esse método para 2 ou 3 peneiras para seu uso em fazenda.

O separador de partículas com peneiras de 19 mm, 8 mm e eventualmente de 1,18 mm e um fundo é o chamado Penn State Particle Separator e hoje é o método mais utilizado no mundo para descrever o tamanho de partículas de forragens.

A necessidade de inclusão da peneira de 1,18 mm no separador foi estudada (Zebeli, et al., 2012) e concluiu-se que considerar a fibra acima da peneira de 8 mm foi suficiente para predizer o pH ruminal e comportamento alimentar em resposta a mudança no conteúdo de FDNfe de dietas. Após a estratificação das partículas, o ideal seria analisar o teor de FDN no material retido em cada peneira para calcular com mais exatidão o FDNfe. No entanto, isso encarece o processo e potencialmente reduziria a adoção dessa metodologia. É possível usar o teor de FDN da forragem avaliada e considerar que esse teor é constante entre os materiais de cada peneira. Apesar de isso não ser totalmente verdadeiro, as duas formas de avaliação são altamente correlacionadas, o que permite a utilização prática da adaptação do método. 

Assim, a maneira mais usual que caracteriza as forrageiras quanto ao conteúdo de FDNfe é passar o alimento pelo separador de partículas (Penn State) com duas peneiras e o fundo.

Figura 1. Separador de partículas de Penn State, com duas peneiras e o fundo.
penn state

Para avaliar um alimento, uma porção (aproximadamente 600 a 800 g, não é comum pesar antes da passagem) é colocada na parte superior do separador e este é agitado horizontalmente (para frente e para trás), movimentando cinco vezes de cada lado da caixa, girando a caixa e repetindo a rotação duas vezes, num total de 40 movimentos. A proporção do alimento retida acima da peneira de 19 mm é pesada e anotada, assim como a retida acima da peneira de 8 mm e aquela que caiu no fundo. Após a soma tem-se o peso total da amostra e pode-se calcular o percentual em matéria natural retido em cada peneira. 

Por exemplo:
- Amostra: Silagem de milho
- Total retido acima da peneira de 19 mm: 55 g
- Total retido acima da peneira de 8 mm: 429 g
- Total no fundo: 197 g
- Peso da amostra: 55 + 429 + 197 = 681 g
- Percentual da matéria natural em cada peneira:
- Acima de 19 mm: 55 / 681 = 8%
- Acima de 8 mm: (55 + 429) / 681 = 71% 
- Fundo: 197 / 681 = 29%

Para avaliação interessa a soma retida acima de 8 mm (soma do material retido nas peneiras de 19 mm e 8 mm) que, no caso do exemplo acima, corresponde a 71% da matéria natural. 

Aplicação do tamanho de partículas na formulação de dietas:
Com a avaliação do tamanho de partículas das forragens no separador de Penn State em mãos, o teor matéria seca, e de FDN de cada forragem, pode-se estimar a quantidade de FDNfe > 8mm na dieta. A quantidade de FDN acima de 8 mm de cada forragem é estimada multiplicando a proporção de partículas acima de 8 mm pelo teor de FDN na MS da forragem e a inclusão dessa forragem na dieta. Deve-se estimar o teor de FDNef de todas as forragens que compõem a dieta, mas não dos concentrados, pois concentrados não são fontes de FDN fisicamente efetiva. A exceção é o caroço de algodão. Para esse alimento é usual considerar a FDN como 100% fisicamente efetiva.

Vamos a um exemplo de uma dieta para vaca em lactação:
- Consumo de matéria seca estimado: 24,47 kg
- Consumo de silagem de milho na dieta formulada: 8,74 kg de MS
- Consumo de silagem de aveia na dieta formulada: 2,88 kg de MS
- Análise da silagem de milho: teor de MS: 32%; teor de FDN na MS: 49%
- Análise do tamanho de partículas da silagem de milho: partículas acima de 8 mm na matéria natural: 71%
- Análise da silagem de aveia: teor de MS: 36%; teor de FDN na MS: 53%
- Análise do tamanho de partículas da silagem de aveia: partículas acima de 8 mm na matéria natural: 83%
- Estimativa de FDNef > 8 mm: 8,74 kg (consumo de silagem de milho) x 49 % (teor de FDN) x 71% (partículas acima de 8 mm) = 3,04 kg de FDNef > 8 mm
- Estimativa de FDNef > 8 mm: 2,88 kg (consumo de silagem de aveia) x 53 % (teor de FDN) x 83% (partículas acima de 8 mm) = 1,26 kg de FDNef > 8 mm
- Total de FDNef > 8 mm na dieta: 3,04 kg + 1,26 kg = 4,3 kg

Quando dividido o total de FDNef > 8 mm pelo consumo de MS, tem-se o teor de FDNfe > 8 mm da dieta. Esse parâmetro é desejável entre 15 e 20 % da MS segundo Zebeli et al. (2012). 

No caso do exemplo acima tem-se:
- Consumo de matéria seca estimado: 24,47 kg
- Total de FDNef > 8 mm (vinda da silagem de milho e de aveia): 4,3 kg
- Teor de FDNef > 8 mm na dieta: 4,3 / 24,47 = 17,6% FDNfe na MS

No próximo artigo, discutiremos a importância do processo de colheita da silagem na FDNef da forragem e sua relação com a disponibilidade do amido do milho. Discutiremos ainda a necessidade de suplementar fibra longa em dietas com silagem finamente moída.

Referências bibliográficas:
American National Standards Institute. Method of determining and expressing particle size of chopped forage materials by screening. ASAE standards S424.1. 40th ed. Saint Joseph, p. 459-461, 1993.

Yang, W. Z.; Beauchemin, K. A. Physically Effective Fiber: Method of Determination and Effects on Chewing, Ruminal Acidosis, and Digestion by Dairy Cows. Journal of Dairy Science, Champaign, v. 89, n. 7, p. 2618-2633, 2006.

Zebeli, Q. et al. Invited review: role of physically effective fiber and estimation of dietary fiber adequacy in high-producing dairy cattle. Journal of Dairy Science, Champaign, v. 95, n. 3, p. 1041-1056, 2012.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Gerenciamento de índices em fazendas: alimentação do rebanho

João Paulo V.A. dos Santos e Paulo Stacchini em 11/01/2018 ho site EducaPoint







A alimentação do rebanho e manejo nutricional de fazendas de leite é um tópico sempre debatido entre produtores, técnicos e agentes do setor em diferentes locais. Seja em encontros acadêmicos ou ambiente dentro da porteira (fazendas), a nutrição é sempre uma demanda “a ser resolvida”. Por quê a alimentação de rebanhos é sempre discutida? A resposta pode ser resumida em uma única palavra: custo. Em fazendas produtoras de leite a alimentação perfaz o maior montante do custo de produção de leite. Por este motivo, as mudanças realizadas na alimentação dos animais são sentidas, diretamente, no bolso do produtor seja em termos de ganhos ou aumento do custo de alimentação e, consequentemente, produção.

Ao longo dos nossos anos em atuação no campo percebemos um padrão comportamental comum entre produtores: a necessidade de se modificar, constantemente, uma ou mais dietas (no caso de sistemas confinados) ou formulação/quantidade fornecida de concentrado para sistemas a pasto visando a redução de custos de produção. Nosso objetivo no presente artigo é procurar esclarecer e melhor compreender o que chamamos de manejo da alimentação e gerenciamento da alimentação de rebanhos. Vamos à distinção destes dois conceitos:

Podemos chamar de manejo da alimentação o conjunto de medidas práticas que tomamos no dia-a-dia que envolvam a alimentação dos animais direcionadas para redução de custos com aumento de produtividade. O manejo da alimentação, em si, não se configura em modificar dietas ou propor novas composições diferenciadas, mas sim em enxergar como uma fazenda está funcionando “em termos operacionais” e de que maneira conseguimos otimizar esse trabalho, reduzindo custos. Quando modificamos um horário de trato, escolhendo uma melhor opção que propicie um melhor consumo, estamos atuando no manejo da alimentação. Quando melhoramos a qualidade da mistura de uma dada dieta, através de alteração na ordem de carregamento dos ingredientes, também estamos mexendo com: manejo. Ao alterarmos a divisão de lotes de vacas em produção, realizando separação dos animais por tempo de lactação (DEL) e produção de leite, atuamos em manejo e assim por diante. Temos uma série de medidas e exemplos que podem ser enquadrados como boas práticas ou recomendações que, normalmente, impactam no resultado final. Em linhas gerais, trabalhar com o manejo da alimentação uma maneira simples e, em muitos casos, a mais barata e eficiente para maximizarmos a produção de leite.

Classificamos o gerenciamento da alimentação de rebanhos como o conjunto de ações e controle sobre o manejo a alimentação que possibilitem um bom controle de custos associados aos indicadores produtivos que nos levem à tomada de decisões sobre as dietas fornecidas aos animais. Gerenciar bem a alimentação de rebanhos significa coletar dados e números capazes de serem transformados em índices que podem nos auxiliar a tomar decisões importantes sobre as dietas fornecidas e qualificar o trabalho da fazenda, como um todo. Através do gerenciamento da alimentação, sim, um técnico tem condições de propor uma mudança de dieta, ou não. Uma pergunta que todo produtor deve realizar antes de desejar modificar sua dieta é: por que estou querendo modificar minha dieta? Com quê fundamento? Se a resposta imediata for: para baixar meu custo de alimentação, cuidado.

Como gerenciar a alimentação de um rebanho?

O primeiro passo que um produtor deve tomar para melhorar a eficiência da alimentação dos seus animais é conseguir fazer a distinção, de forma clara, dos conceitos acima e procurar trabalhar com profissionais que tenham conhecimento e experiência no campo e que busquem sempre a melhor opção atendendo os interesses da fazenda e do produtor. Como colocado no início deste artigo, o caminho mais simples e usual é a troca de uma dada dieta para como a melhor solução para aumento da produção de leite. Nosso sistema de trabalho e foco de atuação (COWTECH-CONSULTORIA) é completamente diferente. Antes de qualquer atitude e/ou proposta para uma determinada fazenda (Sistema de Produção), procuramos realizar uma leitura geral do manejo atual empregado, procurando responder questões associadas ao manejo da alimentação, como:

a-) Quantas ordenhas são realizadas?
b-) Quantos tratos são realizados?
c-) Quem realiza o trato (sempre o mesmo funcionário ou funcionários distintos)?
d-) Que horário os tratos são realizados?
e-) Quantas dietas são utilizadas (formulações/misturas), na propriedade?
f-) Como o trato é carregado (sequência de carga) e, em quanto tempo cada carregamento é realizado?
g-) A fazenda trabalha com carreta, vagão TMR ou distribuidor (apenas)? Qual é o estado de conservação e funcionalidade dos equipamentos utilizados?
h-) Como é realizado o controle da quantidade de alimentos a serem misturados? (os alimentos são pesados? Os instrumentos de pesagem estão aferidos?)
i-) A propriedade realiza pré-mistura de algum componente da dieta (trabalha com sala de ração/elabora concentrados)?
j-) Existe controle de sobras? O consumo de alimento (MS) é estimado/caculado?
k-) A quantidade de alimento (mistura) fornecida é constante (estabelecida pelo técnico) ou alterada, conforme consumo diário de MS?
l-) Se existe alteração no fornecimento de MS? Quem realiza esse controle (leitura de cocho)? Quais são os critérios para aumento ou redução da quantidade fornecida?
m-) O espaçamento de cocho para cada lote arraçoado é adequado?
n-) Para animais em produção quais são os critérios de separação de lotes? (primíparas x multíparas, produção e DEL/como é feito esse arranjo)?
o-) Como está a eficiência alimentar dos lotes alimentados?
p-) Como está o escore de fezes dos lotes alimentados?

Através da compilação das respostas acima, associada aos dados de custos dos ingredientes e das dietas fornecidas, somos capazes de calcular outros indicadores de eficiência da alimentação de rebanhos e iniciar um trabalho consistente de gerenciamento da alimentação. 

Aos trabalhos com o gerenciamento da alimentação de rebanhos procuramos alertar os produtores para questões importantes como a conversão alimentar ou, simplesmente, eficiência da alimentação (kg de leite produzidos/kg de MS consumidos) e eventuais propostas de redução de custos. É muito comum, visando a redução de custos, alguns técnicos ou produtores buscarem a substituição de ingredientes mais caros em por alimentos ou subprodutos mais baratos. Cabe ressaltar que o comportamento dos alimentos dentro do “sistema animal”, em si não é linear. Determinadas combinações de alimentos e dietas apresentam melhores respostas do que outras. A composição de um alimento mesmo com teores semelhantes é diferente uma da outra. Em alguns casos é possível realizar a substituição, sim, sem grandes impactos. Em outros casos, não. 

A simples troca em função de custos deve levar em consideração não só a simples redução dos mesmos mas também a capacidade de manutenção da produção ou mesmo aumento, desta. Caso contrário o produtor está “se enganando”. Redução de custo de alimentação implica em manutenção da produção com menor desembolso ou aumento de produção com menor desembolso. Vale lembrar que em alguns casos podemos propor um aumento no desembolso e conseguir proporcionar uma melhoria nos resultados. Logo, devemos analisar os números com critérios. Os números abaixo servem como base para melhor elucidar os conceitos debatidos:

Tabela 1. Dados:

Tabela 2. Indicadores calculados (com base nas informações):

Tabela 3. Indicadores de Referência (Eficiência da Alimentação):

Tabela 4. Indicadores de Referência (RMCA):

Nas Tabelas 1 e 2, acima, criamos uma situação hipotética comparativa entre 2 fazendas (A e B). Para que possamos fazer uma análise correta precisamos verificar se os indicadores avaliados são, de fato, comparáveis. Sistemas de produção diferentes, com médias de produção diferentes por diferentes motivos como: perfil de rebanho, conforto oferecido, tipo de alimentação fornecida (TMR ou não) e estágio de lactação (DEL = dias em lactação) afetam, significativamente os números e conclusões obtidas. Podemos reparar no exemplo acima que as bases são comparáveis, pois são sistemas semelhantes com animais semelhantes com mesmo DEL médio. A diferença fica por conta do custo de alimentação e do preço recebido, variáveis que são quase sempre diferentes (de fato). Mesmo com um custo de alimentação maior, em função de um investimento maior na alimentação (R$15,50 x R$10,50/cab/dia) e com um menor preço recebido por litro de leite, o RMCA da Fazenda B é melhor do que da Fazenda A. Se analisarmos somente a dieta fornecida, o desembolso do produtor A é menor do que do produtor B, porém este último é mais eficiente. Mesmo com custo de alimentação (R$/L) maior, suas vacas são mais eficientes em termos de conversão. Para cada kg de MS consumida as vacas da Fazenda A produzem 1,07 litros de leite e na Fazenda B (mais eficiente), 1,46 litros. O resultado prático é a maior sobra de recursos para bancar os demais custos de produção. Como são fazendas, teoricamente semelhantes e comparáveis, a conclusão e diagnóstico inicial que chegamos é de que a Fazenda B, possivelmente, tem um melhor manejo de alimentação ou que, simplesmente tem uma dieta mais ajustada, mesmo que mais cara do que a Fazenda A. 

Cuidados na avalição de indicadores:

O primeiro cuidado que todo produtor e técnico deve tomar é saber: quais números devemos levantar ou quais são os números possíveis de serem levantados em seu sistema. Este raciocínio nos direciona à questão da qualificação da mão-de-obra empregada no manejo da alimentação. Para que possamos ter números é necessário controle. Para que possamos ter controle é necessário ter disciplina (anotações). Para que tenhamos disciplina é necessário ter vontade (de trabalho). Para que tenhamos vontade é necessário: motivação. A combinação destes fatores nem sempre faz parte da realidade prática vivenciada por produtores e cabe ao técnico e consultor responsável a sensibilidade dessa análise. Em alguns casos, antes de qualquer atitude é necessário dirigir esforços e atenção para a qualificação dos funcionários envolvidos (treinamento) como ponto de partida. Uma vez superado este desafio, quais serão os controles diários? 

O produtor deve ter conhecimento, também, de que alguns indicadores, como RMCA sofrem impacto direto do preço recebido pelo litro de leite, média de produção (DEL) e preço das commodities utilizadas como ingredientes nas dietas. Outros como eficiência da alimentação sofrem impacto direto com a qualidade do manejo e capacidade de ingestão de alimentos, associados ao DEL médio de cada lote. Animais no terço inicial de lactação tendem a ser mais eficientes que animais no final de lactação sendo. Estabelecendo bases comparáveis em relação a medição constante desses índices, o produtor passa para um outro nível de gerenciamento do seu negócio, uma vez que suas decisões deixam de ser empíricas e passam a ser fundamentadas por parâmetros.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Cochos que se 'autoabastecem' facilitam manejo

Por Ariosto Mesquita em 05/01/2018 no site Portal DBO



Imagine um sistema quase que totalmente automático de alimentação de bovinos, que garanta que não falte comida aos animais e ao mesmo tempo exija reposição do alimento em períodos mais espaçados. É como se fosse um self-service para os bovinos, cujo alimento vai sendo reposto à medida que vai sendo consumido, o que reduz, por exemplo, o desperdício. Mas a vantagem principal é a economia com mão de obra. Outras são a praticidade e também o fato de o animal não precisar se deslocar por muitos metros para encontrar o alimento concentrado. Outra, ainda, é a economia com a construção de cochos, já que apenas alguns equipamentos móveis dão conta de alimentar o rebanho, conforme a necessidade. Estamos falando de sistemas de cochos móveis, produzidos por vários fabricantes no Brasil, e que podem ser utilizados tanto no pasto como em sistemas de semiconfinamento e confinamento, para várias categorias de animais.
Na Fazenda São João, em Uberaba, MG, o pecuarista Cristiano Prata Rezende utiliza dois modelos de comedouros autosserviço na engorda de bovinos a pasto e considera os equipamentos bastante funcionais. “Coloco sal proteinado nas águas e ração nos meses secos. Trabalho com uma lotação média de cinco bois por hectare e estes cochos são abastecidos apenas a cada 15 dias. Ainda não mensurei, mas com eles a economia operacional na fazenda é significativa”, garante. Outro aspecto que ele considera “excelente” é o fato de não ter de se preocupar com o conteúdo armazenado nos cochos nos dias de chuva. “O reservatório da ração (que vai sendo escoada à medida que o animal consome), é totalmente vedado. Não entra um pingo de água”, informa o produtor.
A Fazenda Estrela, em Pirajuí, no interior de São Paulo, do criador Antônio Cesar Falavigna utiliza cochos móveis há 15 anos. Há dois, renovou tudo, adquirindo um modelo com tampa de madeira de plástico para o reservatório. “Hoje tenho dois desses cochos em cada uma das 16 divisões de pasto da minha propriedade. Aonde a vacada vai os cochos vão atrás”, conta. O transporte é feito com a ajuda de um trator e de uma plataforma adquirida também no fabricante. “É muito simples, prático e funcional. Os reservatórios são abastecidos com sal mineral e proteinado e me garantem uma autonomia de oito dias na seca e de até 15 dias nas águas”, conta. Ao longo dos anos Falavigna chegou a recomendar algumas adequações aos modelos: “Lembro que parte do que ia ao cocho para bezerros acabava caindo no chão. Então sugeri alguns ajustes na borda da linha de alimentação e a empresa acatou”.
O Brasil dispõe de vários fabricantes desses cochos móveis e com abastecimento automático. O empresário Murilo Dorazio começou a produzi-los no início da década, em 2013, quando desenvolveu seu primeiro modelo de cocho. O equipamento, com a marca Major Nutrição Animal – sediada em Goianira, GO, e com escritório em Uberaba, MG –, tem recipiente de armazenamento para ração ou proteinado e duas linhas de acesso para os animais. Em 2016 ele consolidou sua ideia ofertando no mercado duas estruturas distintas, batizadas de “comedouros self service”: uma com depósito para até 7.500 kg e outra menor, para 2.000 kg, ambas feitas em chapa de aço com tratamento antiferrugem. Os alimentos descem por gravidade. A vazão é regulada por uma espécie de régua-válvula.
Além dessas características, Dorazio estabeleceu um conceito de mobilidade. Apesar de relativamente pesadas, mesmo vazias (800 e 300 kg, respectivamente), alças na parte superior e sua própria configuração estrutural permitem um deslocamento mais fácil desses comedouros por pastos, módulos e piquetes. “O transporte pode ser feito com o auxílio de pás- -carregadeiras ou por tratores e empilhadeiras, com o apoio de porta bags”, explica, referindo-se às estruturas metálicas usadas para movimentação e empilhamento de porta bags, bolsas geralmente utilizada para o transporte de fertilizantes e sementes.
Conforme Dorazio, a empresa fabrica comedouros menores, mais voltados para proteinado, e grandes, ajustados para armazenamento e oferta de ração. Mesmo com menos de dois anos no mercado de cochos bovinos, Dorazio tem experiência de sobra na bovinocultura de corte. Além de pecuarista (propriedade de recria e engorda em Jaraguá, GO) foi dono do frigorífico Mataboi Alimentos Ltda., adquirido pela JBJ Agropecuária, em 2015. Os comedouros self service foram idealizados inicialmente para utilização em sistemas de confinamento a pasto (semiconfinamento), mas posteriormente o próprio Dorazio adotou com sucesso em confinamento. “O uso desses comedouros independe do sistema de produção do pecuarista. Podem ser usados por quem aposta em uma boa recria ou pelo produtor que está disposto a investir em uma terminação de baixo custo”, garante.
Somente no custo operacional, o empresário alega que o sistema garante uma economia operacional de 80% com redução da mão de obra, de combustível, menor frequência de arraçoamento, baixo desperdício e melhores condições de armazenamento e de conservação dos alimentos. “Em confinamento, um comedouro grande atende até 90 animais durante uma semana sem necessidade de reabastecimento”, afirma. No período das águas a Major orienta para que as duas linhas de alimentação sejam limpas sempre quatro horas após as chuvas. “neste intervalo de tempo a alimentação ainda pode oferecer boas condições de consumo”, avisa.
Semelhança - Atento às novidades de mercado em estruturas de nutrição para bovinos de corte, o pesquisador Rodrigo Gomes, da Embrapa Gado de Corte, localizou nos Estados Unidos cocho autosserviço semelhante ao da empresa brasileira. Batizado de Auto Easy Feeder (Alimentador Automático Fácil), ele é produzido por uma organização familiar em Arlington, Texas, e oferecido em três modelos com diferentes capacidades armazenadoras (variando de 589 a 3.084 kg). Em troca de e-mail com o pesquisador, o fabricante nos EUA esclarece que a capacidade de suporte varia de quatro a seis cabeças (modelo 4’), 12 a 14 cabeças (modelo 8’) e 22 a 24 cabeças (modelo 16’). O alimentador pode receber suplementos granulados ou moídos. Para facilitar a movimentação pela fazenda, os modelos são apoiados em uma base tipo trenó. Além disso, alças em cada uma das suas quatro pontas facilitam o transporte.
Adulto e bezerros - Confeccionando cochos desde 1995, a empresa Prático de Garça, de Garça, SP, oferece dois modelos de cochos móveis autosserviço. O cocho Maxi, para animais adultos, tem peso de 350 kg e capacidade para até 200 quilos de alimentos. Comporta sal mineral, suplemento proteico energético e ra ção. O cocho bezerro, com 280 kg, é um pouco menor, com capacidade para 160 quilos, e é indicado quando a suplementação é diferenciada para o rebanho. Quando isso não é possível, o bezerro também pode se alimentar no cocho maior. A provisão das duas linhas de cocho é feita por gravidade. “Utilizando sal mineral comum, o modelo adulto atende até 100 animais ao longo de 15 dias, sem a necessidade de reabastecimento. No caso de suplemento proteico de alto consumo, sua capacidade de atendimento é de 50 animais ao longo de cinco dias”, explica o diretor executivo da empresa, Gabriel Alberto Kerbauy Lopes.
“Atendemos principalmente pecuaristas de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Perto de 85% da clientela é de fazendas de corte”, garante Lopes. Ao longo de pouco mais de duas décadas, algumas mudanças e adaptações foram feitas nos cochos da Prático de Garça. Uma das principais foi com relação à tampa do reservatório, que também protege as linhas de alimentação. “Em 2010, substituímos a madeira pela ‘madeira plástica’, feita com plástico extrusado. Ela é mais resistente, flexível, não apodrece, não racha e nem sofre a ação de cupins. Apesar de ser 30% mais cara, sua vida útil é até 50% superior à da madeira comum”, explica. Para transportar os cochos pela fazenda, a empresa paulista recomenda a utilização de tratores e plataformas agrícolas. “A estrutura dos dois modelos permite o deslocamento com facilidade bastando o trabalho de apenas um homem”, afirma o empresário.
Fase de testes - Quem também foca no mercado de cochos autosserviço é a empresa Campo Fácil Soluções Agropecuárias, de Campo Grande, MS. Em 2018, a Campo Fácil pretende lançar um cocho modular e móvel para suplementos sólidos. Além de acompanhar os lotes em pastos e piquetes, permitirá o animal se alimentar a qualquer momento. A novidade deste modelo é seu caráter automático, ou seja, será possível a execução de uma programação prévia de abastecimento das linhas para que sempre haja alimento disponível. Ambos estão em fase final de testes.
Desde 2014 a empresa trabalha com a linha “Giro Cocho”, modelos arredondados, fabricados em polietileno, com espaço para armazenamento. Porém, as linhas de alimentação necessitam do homem para abastecê-las. “A vantagem é que o depósito pode ser carregado em intervalos de até 45 dias, em média, permitindo que os funcionários das fazendas tenham mais tempo para outras atividades”, observa.
*Matéria originalmente publicada na edição 439 da Revista DBO.
Fonte: Portal DBO

sábado, 30 de dezembro de 2017

Dieta de aves e suínos pode ficar sem vitaminas em 2018


Resultado de imagem para nutrição de aves de corte

A dieta de aves e suínos pode ficar sem vitaminas essenciais nos primeiros meses de 2018. Devido a um incêndio que paralisou uma unidade da multinacional alemã Basf, responsável por mais de 40% das vitaminas A e E produzidas no mundo, os preços desses nutrientes dispararam, evidenciando um risco concreto de escassez, especialmente para os clientes que compram vitaminas no mercado spot.
Desde o acidente, em 31 de outubro, o preço médio da vitamina A saltou de US$ 72,11 por quilo para US$ 433 por quilo, revelou uma fonte do segmento que acompanha diariamente os preços dos nutrientes. No caso da vitamina E, o preço médio subiu de US$ 4,56 por quilo em outubro para US$ 24,48 por quilo no início de dezembro.
"Estamos passando por uma situação de desabastecimento", afirmou ao Valor Rodrigo Silva Miguel, executivo que lidera as operações de premix (pré-mistura de vitaminas e minerais) da francesa Neovia no Brasil. Controlado pela central de cooperativas francesas InVivo, a Neovia é uma das maiores empresas de nutrição animal no planeta.
De acordo com Miguel, a indústria trabalha com estoques, mas dificilmente eles serão suficientes para resistir ao período de paralisação da fábrica da Basf em Ludwigshafen, na Alemanha. Por ora, a sinalização da multinacional é que a fábrica voltará a funcionar no fim de março, afirmou o vice-presidente executivo do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), Ariovaldo Zani.
Procurada, a Basf informou que só poderá reiniciar a produção das vitaminas quando o abastecimento de citral, composto químico orgânico utilizado na fabricação das duas vitaminas, for restabelecido. Foi o incêndio na fábrica que produzia citral, aliás, que inviabilizou a produção de vitaminas da Basf.
Devido ao incidente, a multinacional alemã acionou a cláusula de força maior para não cumprir os contratos de fornecimento. "O impacto da situação de Força Maior e seus efeitos para os clientes estão sendo avaliados no momento. Enquanto isso, a Basf está implementando medidas para restringir as consequências da situação", informou a empresa, em comunicado.
As vitaminas A e E são relevantes na dieta de aves e suínos. De acordo com o professor titular do departamento de zootecnia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), José Fernando Menten, aves e suínos precisam das vitaminas porque a dieta básica deles não supre a necessidade desses nutrientes. "Embora o milho e o farelo de soja, ou outros alimentos alternativos, tenham um ótimo valor nutricional, são relativamente pobres em vitaminas", explicou, por e-mail, ao Valor.
Conforme o zootecnista, o crescimento rápido de aves e suínos também faz com que os animais tenham necessidade de vitaminas. Segundo Menten, a ausência da vitamina A reduz o apetite dos animais, o que pode afetar a taxa de crescimento. No Brasil, os frangos são engordados em pouco mais de 40 dias. Além disso, a escassez de vitamina A também pode levar à cegueira, ao ressecamento da córnea, à redução da resistência a infecções e problemas reprodutivos.
No caso da vitamina E, a perda de apetite também é uma das possíveis consequências da escassez, de acordo com o professor da USP. Além disso, a função primordial dessa vitamina é antioxidante, contribuindo também para a "vida de prateleira" dos produtos, afirmou Menten.
Para grandes consumidores de ração - empresas como BRF e Seara, da JBS -, o impacto econômico da escassez de vitaminas não é relevante. Segundo estimativas do presidente de um dos maiores grupos de nutrição animal em atividade no Brasil, as vitaminas representam de 1% a 2% dos custos da ração - os grãos respondem pela maior parte. Com o aumento de preços, porém, o peso das vitaminas na ração pode ultrapassar 3,5%, disse essa fonte.
No setor, a avaliação é que consumidores que têm contratos de longo prazo com as chamadas premixeiras - companhias que misturam vitaminas e minerais - devem ser preservados da escassez. No entanto, aqueles que compram premix esporadicamente podem ser afetados. Segundo uma fonte, esse é o caso dos criadores de aves poedeiras. A maior parte deles compra os insumos no mercado spot. No caso dos criadores de aves e suínos, a taxa é menor - 20% e 35% adquirem no spot, respectivamente.



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domingo, 12 de novembro de 2017

Suplemento alimentar para o rebanho reduz perdas no Semiárido


Foto: Embrapa - Suplemento alimentar para o rebanho reduz perdas no Semiárido

A irregularidade na distribuição de chuvas no semiárido brasileiro, além de limitar a água para consumo de animais, traz outro fator que pode provocar impacto negativo em rebanhos para produção. A pastagem nos períodos secos apresenta deficiências como a redução dos teores de proteínas e aumento no conteúdo de fibra de baixa qualidade na alimentação animal. Em virtude disso, há mais demora na digestão e redução do consumo de outros alimentos, resultando em perda de peso e de produtividade nos rebanhos.
Para minimizar essas perdas entre criadores de caprinos e ovinos, a Embrapa adotará uma estratégia de divulgação voltada para intensificar o uso de uma solução tecnológica: a mistura múltipla, como suplemento alimentar que corrige deficiências da forragem no período seco. A campanha, que será lançada no dia 7 de novembro, no SemiáridoShow, em Petrolina (PE), utilizará diversas mídias para orientar produtores rurais e técnicos do semiárido sobre a recomendação da nova fórmula desta suplementação e sobre os momentos mais adequados para seu uso ao longo do ano.
Segundo o zootecnista Diego Galvani, pesquisador da área de Nutrição Animal da Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral-CE), a campanha atende a demandas e dúvidas de produtores, que manifestam dificuldades na identificação dos períodos mais adequados para uso do suplemento. “A mistura múltipla deve ser usada somente durante cinco ou seis meses no ano. Um uso que começa no período de transição do período chuvoso para o seco, quando o produtor observar sua pastagem secar, transformando-se na chamada palhada, por volta da época entre maio e junho”, esclarece ele.
Este uso se prolonga até o momento em que começam as primeiras chuvas no semiárido brasileiro (costumeiramente entre dezembro e janeiro), quando o produtor começar a observar suas plantas forrageiras brotando. Neste momento, o fornecimento da mistura múltipla deve ser interrompido. “É importante observar que este não é um suplemento voltado para altos índices de produção. Ele é utilizado para evitar que animais percam peso no período seco”, destaca Diego.
A nova fórmula da mistura múltipla, recomendada aos produtores desde 2015, tem como objetivo facilitar o uso do suplemento, uma vez que dispensa o período de adaptação no consumo dos rebanhos, necessário na formulação anterior. “Este período de adaptação se revelou um gargalo, porque poderia durar até três semanas e, caso se interrompesse, era necessário iniciar tudo novamente”, explica Galvani.
Uma outra dificuldade era regular a quantidade de ureia fornecida na mistura. Ela é a principal fonte de nitrogênio na composição do suplemento, mas caso seja fornecida em conteúdo acima do recomendável, pode causar intoxicações e até mesmo levar os animais à morte. “Com o ajuste na fórmula, dispensamos o período de adaptação e o risco de intoxicação torna-se quase nulo, uma vez que a quantidade de sal fornecida regula o consumo dos animais”, afirma o pesquisador.
A partir de novembro, as recomendações para uso da mistura múltipla serão divulgadas em veículos de comunicação, mídias e redes sociais, assim como encaminhadas para públicos como produtores e técnicos de assistência técnica e extensão rural. A expectativa é replicar experiências bem sucedidas no uso do suplemento, como é o caso de Edmilson Mourão, produtor de Crateús, no sertão de Inhamuns-Crateús, que concentra os maiores rebanhos de ovinos no Ceará. Engenheiro agrônomo de formação, ele teve contato com a nova fórmula por meio de buscas na Internet, onde encontrou a recomendação em publicações da Embrapa.
“A mistura múltipla tem proporcionado uma ajuda muito boa, em um período como o atual, em que já vivemos sete anos de secas. Traz um enriquecimento na alimentação, reduzindo as dificuldades de aproveitamento da dieta”, destaca Edmilson. Estes bons indicadores têm levado o engenheiro agrônomo a recomendar a mistura múltipla a outros produtores da região, que procuram o suplemento na casa agropecuária da qual ele também é proprietário.

Mistura Múltipla

Composta por ingredientes que garantem fontes de energia e proteína, além do sal comum e suplementos minerais balanceados, a mistura múltipla para caprinos e ovinos tem objetivo de corrigir deficiências da forragem disponível no período seco, permitindo que os animais possam ingerir maior quantidade de pastagem seca diariamente. Com seu uso adequado, a perspectiva é de que a produtividade de animais de corte ou leiteiros seja mais regular durante o ano.
O suplemento pode ser disponibilizado à vontade nos comedouros, uma vez que o consumo individual é regulado pela quantidade de sal na formulação. A mistura múltipla deve ser fornecida a animais saudáveis e que tenham acesso a quantidades suficientes de forragem de baixa qualidade, como palhada, feno e outros resíduos fibrosos. Seu fornecimento deve ser evitado para animais famintos ou debilitados.
Outra recomendação para produtores que adotem a mistura múltipla é que os comedouros tenham furos no assoalho, para drenar a quantidade de chuvas não esperadas. A ureia dissolve-se facilmente na água, o que pode resultar em consumo exagerado para animais que tiverem acesso a comedouros cheios de água.

Integração com outras soluções tecnológicas

De acordo com o pesquisador Diego Galvani, a recomendação do uso da mistura múltipla também se integrará a outras soluções tecnológicas lançadas pela Embrapa Caprinos e Ovinos neste ano: o Serviço de Assessoria Nutricional Remota para Pequenos Ruminantes (AssessoNutri), lançado em julho, e o aplicativo da orçamentação forrageira para telefones celulares, que também será lançado no SemiáridoShow. “Muitas das deficiências nutricionais indicadas a partir do monitoramento dos rebanhos pelo AssessoNutri poderão ser corrigidas com a mistura. E o aplicativo ajudará na administração da quantidade de forragem adequada”, detalha o pesquisador.
O AssessoNutri um serviço de assessoria que, por meio de análises de coletas de fezes de animais com a tecnologia de espectroscopia no infravermelho próximo (NIRS), pode avaliar a composição da dieta dos animais, a qualidade nutricional dos pastos e se há necessidade dos criadores usarem suplementação na alimentação dos rebanhos. O AssessoNutri permite a elaboração de laudos com as recomendações para nutrição a partir dos resultados das análises.
Já o aplicativo vai facilitar o manejo da forragem e da reserva de alimento nas propriedades rurais, indicando o saldo forrageiro a partir dos dados sobre rebanhos e fontes de alimentação dos animais. Ele também poderá ajudar na tomada de decisões como a inserção ou retirada de animais de áreas de pastagens ou sobre eventuais necessidades de descartes em momentos mais críticos de reserva de alimentos.
Fonte: Embrapa

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Micotoxinas: o perigo invisível

Por ESALQLab - postado em 23/07/2017 em MilkPoint

Prof. Dr. Carlos H. Corasin
Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos
USP

Aproximadamente 25% da produção de grãos em todo o mundo é afetada por micotoxinas, levando a perdas de bilhões de dólares. Embora as micotoxinas sejam encontradas em vários produtos agrícolas, as contaminações de grãos e silagens, desempenham um papel de destaque.

Alimentos mofados geralmente diminuem parâmetros de desempenho das vacas em 10%, mesmo que eles não produzam micotoxinas, pois a aceitação deste alimento pelos animais é menor, diminuindo o consumo de matéria seca, a produção de leite e ganho de peso corporal.

As micotoxinas mais importantes encontradas em ingredientes usados na alimentação animal abrangem as produzidas por fungos do gênero Aspergillus (aflatoxinas B1, B2, G1 e G2) e Fusarium (desoxinivalenol-DON ou vomitoxina, zearalenona e fumonisinas B1 e B2).

Quando as micotoxinas estão presentes na dieta, elas podem causar problemas, mesmo a níveis extremamente baixos de ingestão. Abaixo preparamos um infográfico com recomendações de níveis de atenção e crítico para três principais micotoxinas.



O declínio no desempenho pode até ser negligenciável, porém dentro de dias ou semanas, o efeito do consumo contínuo de micotoxinas sobre o desempenho (redução na produção de leite ou ganho de peso corporal) torna-se mais evidente. Sinais não específicos, incluindo redução no consumo, diminuição da produção de leite, distúrbios gastrointestinais, imunossupressão, aumento da contagem de células somáticas no leite, cetose e deslocamento de abomaso podem ser aumentados significativamente pela ingestão de micotoxinas.

Taxas de concepção reduzidas ou aborto também podem estar relacionados com o consumo de micotoxinas. Os efeitos das micotoxinas são ampliados pelo estresse da produção, sendo que animais confinados e de alta produção são mais susceptíveis aos efeitos das micotoxinas. Efeitos da toxicidade crônica também são caracterizados por lesões hepáticas, sinais de degeneração gordurosa, necrose e carcinomas no fígado, ocasionando também alterações na população dos microrganismos ruminais.

Além do impacto importante sobre a saúde e o desempenho de vacas leiteiras, a ingestão de uma ração contaminada com aflatoxina B1 leva à sua biotransformação em aflatoxina M1 (AFM1) que é excretada no leite, representando um grave risco para a saúde humana.

Cuidados de armazenamento e o gerenciamento de práticas agrícolas devem ser prioridades para evitar a presença de fungos indesejáveis e a produção de micotoxinas. Porém, mesmo com a aplicação de técnicas corretas, o processo de fermentação da silagem não irá destruir as micotoxinas se a contaminação já tiver ocorrido e, em alguns casos, este processo pode levar à concentração de toxinas nos grãos.

Análise de rotina para determinação da presença de micotoxinas em ingredientes de ração, principalmente de grãos e silagem de milho, é fundamental para o diagnóstico e controle do problema.

Juntos em prol do AGRO: A ESALQLab, plataforma de análises laboratoriais para o AGRO, do Departamento de Zootecnia da ESALQ/USP firmou parceria com o Laboratório de Microbiologia e Micotoxicologia de Alimentos (LMMA) da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP e passa a oferecer análises para quantificação de micotoxinas em alimentos.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Silagem com feijão é excelente opção para nutrição do gado

Por Revista Agropecuária

Garantir o fornecimento diário de alimentação de qualidade para os bovinos de corte é um dos grandes desafios diários de pecuaristas de todo o mundo.
Sendo assim, com o intuito de diminuir os custos deste item e, ao mesmo tempo, garantir os valores nutricionais essenciais, a equipe técnica de pesquisadores do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, encontraram uma excelente opção ao testar o uso de uma leguminosa na alimentação. Trata-se da mistura do feijão do tipo guandu no processo de silagem.
O fornecimento, testado pelos responsáveis, contou com sorgo, forragem e o feijão. Além do rendimento gerado, proporcionou ganhos consideráveis de engorda aos animais.
Este é apenas um dos exemplos de misturas bem sucedidas, realizadas por profissionais capacitados, com vistas ao aumento da produtividade bovina.
Saiba formular de forma eficiente rações e dietas para bovinos nos mais diversos sistemas de produção. Confira.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Delacon e Cargill se unem para promover aditivos fitogênicos no mercado mundial

Em 06/07/2017.

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A Delacon, pioneira e líder mundial em aditivos fitogênicos para alimentação animal, e a Cargill farão uma parceria estratégica para promover a presença no mercado de aditivos alimentares naturais à base de plantas em escala global, com o objetivo de atender as mudanças das preferências dos consumidores sobre como os animais são alimentados e como os alimentos são produzidos. O acordo inclui um investimento de capital minoritário da Cargill.
A parceria une a experiência da Cargill em nutrição aplicada e presença global com o conhecimento e experiência de mercado da Delacon em aditivos fitogênicos, uma categoria que usa ingredientes naturais, incluindo ervas, especiarias, outras plantas e seus extratos, como óleos essenciais, para melhoramento de desempenho animal e garante uma produção de alimentos sustentável e saudável.
O acordo também objetiva expandir as empresas em suas capacidades técnicas e de mercado para atender às necessidades dos clientes em todo o mundo à medida que perseguem a missão conjunta de aumentar a categoria de aditivos alimentares fitogênicos.
Para a Delacon, a parceria dará acesso a países em todo o mundo, onde hoje não tem presença no mercado. Para a Cargill, o investimento expande sua presença e capacidade no espaço de aditivos, com foco em mercados selecionados fora dos Estados Unidos. A rede de distribuição e parceria bem-sucedida da Delacon será mantida e será desenvolvida para tornar os aditivos alimentares de plantas mais disponíveis em todo o mundo.
"Nosso acordo com a Cargill representa uma oportunidade para acelerar o crescimento e investir no futuro da Delacon e no futuro dos aditivos fitogênicos, já que nossos clientes estão buscando soluções entregues de maneira natural, eficiente e sustentável – de feed para food", disse Markus Dedl , Diretor executivo da Delacon. "Fitogênicos são um dos grupos mais promissores de aditivos para alimentação animal, e estão passando de um nicho de mercado para uma necessidade convencional. Estamos entrando em uma nova era de aditivos fitogênicos, e os próximos cinco anos são decisivos para os desenvolvimentos neste mercado em crescimento ".
Esta parceria estratégica baseia-se na colaboração bem sucedida que a Delacon e a Cargill construíram nos últimos anos. Ao centralizar esses esforços com uma parceria estratégica, as empresas estão expandindo seu foco, presença e alcance no espaço de micro nutrição.
"A Delacon tem uma forte reputação, uma marca reconhecível e um profundo compromisso com soluções orientadas cientificamente para clientes, que se concentram em animais saudáveis, eficiência alimentar e desempenho de forma sustentável", disse Chuck Warta, presidente da Cargill Premix e Nutrition. "Cargill e Delacon compartilham valores comuns - um compromisso com nossos clientes, inovação orientada pela ciência e alta qualidade do produto. Também valorizamos um ambiente de trabalho positivo e seguro para nossos funcionários, práticas empresariais sustentáveis ??e responsáveis ??e vínculos profundos com nossas comunidades ".
Avanço em aditivos fitogênicos para alimentação animal
O termo "aditivos alimentares fitogênicos" foi cunhado há 30 anos pelo fundador de Delacon, Helmut Dedl. Começou como produto de nicho na década de 1980, a micro nutrição com fitogênicos agora fornece a próxima fronteira para a produtividade animal e produção de alimentos sustentável e saudável. Dada a vasta variedade de ingredientes naturais poderosos, os aditivos fitogênicos são conhecidos pela eficácia de largo espectro, com impacto comprovado no desbloqueio do potencial nutricional na alimentação, controle e melhora do processo digestivo, melhora da microflora intestinal e aumento do sistema imunológico de animais, promovendo eficiência alimentar, mantendo os animais saudáveis ??e fornecendo alimentos saudáveis, reduzindo o impacto ambiental.
Delacon
 Fundada e construída como uma empresa familiar austríaca, a Delacon foi pioneira e líder mundial em aditivos fitogênicos para alimentos durante 30 anos. A empresa pesquisa, desenvolve e produz aditivos alimentares naturais compostos por ervas, especiarias e óleos essenciais para aves de capoeira, suínos e ruminantes e cunhou o termo "fitogênicos".
Cargill
A Cargill fornece produtos e serviços alimentares, agrícolas, financeiros e industriais ao mundo. Juntamente com agricultores, clientes, governos e comunidades, ajudamos as pessoas a prosperar aplicando nossos insights e 150 anos de experiência. Temos 150 mil funcionários em 70 países que estão empenhados em alimentar o mundo de maneira responsável, reduzindo o impacto ambiental e melhorando as comunidades onde vivemos e trabalhamos.
Sobre Cargill Animal Nutrition
O negócio de nutrição animal da Cargill tem mais de 20 mil funcionários em mais de 275 instalações em 40 países. Alimentado pela nossa inovação e pesquisa, oferecemos uma gama de produtos e serviços para alimentar fabricantes, produtores de animais e varejistas de alimentos em todo o mundo, ajudando a colocar alimentos nos pratos de quase um bilhão de pessoas ao redor do mundo todos os dias. O negócio de nutrição animal da Cargill oferece uma variedade de alimentos compostos, pré-misturas, aditivos para alimentação animal, soluções de gerenciamento de riscos e cadeia de suprimentos, ferramentas de software e experiência em nutrição animal que são incomparáveis ??na indústria..

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Composição química dos alimentos: saiba como amostrar a silagem


O desempenho animal desejado depende da formulação da dieta, a qual é fortemente influenciada pelos dados de composição química dos alimentos que a compõe. A deficiência de nutrientes na ração leva a um desempenho abaixo do esperado e o excesso deles, além de afetar a resposta animal, impacta sobre rentabilidade porque os custos com alimentação se elevam. Portanto, a composição de nutrientes nos alimentos deve variar o mínimo possível. Para que isso ocorra, aamostragem dos alimentos se torna um fator chave na nutrição animal.

Atenção especial deve ser dada as fontes forrageiras, pois as mesmas são as que possuem maior quantidade na dieta e as que mais apresentam variação na composição entre todos os ingredientes (alimentos concentrados sofrem pouca variação). Para forragens, não é correto utilizar valores de composição química derivados de banco de dados (tabelas de programas de formulação, por exemplo). Portanto, o valor nutritivo de uma forragem, neste caso a silagem, é específico de cada fazenda (na realidade, específico de cada silo – lembrando que silo é a estrutura onde a silagem fica armazenada). Assim, como amostrar e a frequência amostral são tópicos relevantes para quem usa silagem na dieta dos animais.

Neste texto, ênfase será dada às silagens estocadas em trincheiras, bolsas e silo superfície, pois o esquema de amostragem é similar para as três estruturas. Nas Figuras 1 e 2 estão demonstrados os passos que deverão ser seguidos (Do ‘A’..... até o ‘G’). Quando o silo estiver aberto, a primeira etapa (A; Figura 1) é remover silagem ao longo de todo o painel (de cima para baixo e lado a lado). Essa remoção pode ser feita mecanica ou manualmente. A partir da silagem removida que ficou depositada no chão (B), recolha, com as mãos, cerca de 8 porções e as coloque em um balde limpo (C).

Figura 1. Procedimento amostral que deve ser adotado no silo

Composição química dos alimentos: saiba como amostrar a silagem

Transporte o balde até uma superfície rígida e limpa (D; Figura 2), retire todo o conteúdo do balde e o homogeneize bem (E). A partir do conteúdo homogeneizado, dividá-o em quartos (F) e, em um saco plástico limpo, coloque o conteúdo de um quarto (G). Vede o saco plástico e identifique-o adequadamente, colocando o nome do amostrador, da propriedade, a data da coleta e a identidade da amostra (Ex: silagem de milho).

Como enviar a amostra ao laboratório? Para a determinação da composição química e perfil fermentativo, eu sugiro que a amostra seja congelada (não resfriada) e, posteriormente, por meio de uma caixa de isopor seja transportada/enviada até o laboratório de interesse.

Figura 2. Manipulação da silagem e finalização do procedimento amostral após a coleta no campo.

Composição química dos alimentos: saiba como amostrar a silagem
Qual é a frequência amostral a ser adotada?
O correto é repetir este procedimento 3 a 4 vezes ao longo do desabastecimento do silo. Caso um rebanho com alta exigência nutricional esteja sendo alimentado, esta frequência pode ser aumentada, pois os valores de matéria seca da silagem podem variar muito e, esta variação, afeta o balanceamento dos nutrientes.

Fique atento aos seguintes pontos quanto à amostragem:
1. Amostras da forragem no momento da colheita não representam a futura silagem. Portanto, se o interesse é saber a composição química da silagem aguarde a abertura do silo;
2. Descarte a silagem deteriorada antes de realizar a remoção do painel;
3. Não retire amostras com as mãos diretamente da face do silo;
4. Faça o procedimento de forma aleatorizada, ou seja, não seja tendencioso escolhendo ou descartando material (com exceção do apodrecido);
5. Não coloque a amostra a ser encaminhada ao laboratório em sacos de papel, pois a mesma é úmida;
6. Silagem não é um alimento ‘estático’, pois a mesma se deteriora rapidamente. Portanto, após ensacá-la, congele-a imediatamente.
7. Não se esqueça de identificar a amostra.