terça-feira, 26 de setembro de 2017

Híbridos de milho para silagem: grãos duros e macios nos servem

Por Thiago Fernandes Bernardes 
postado em 22/09/2017 no site MilkPoint

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Por muito tempo discutiu-se sobre a importância de não cultivar híbridos de grãos duros para a produção de silagem de planta inteira de milho devido a menor digestão do amido. Esse raciocínio veio das comparações realizadas entre grãos duros e macios para serem utilizados como grãos secos moídos (concentrado). Contudo, alguns aspectos invalidam esta comparação quando híbridos de grãos duros têm como destino a silagem. Duas são as principais razões. 

Primeira: A dureza do grão vai se tornando pronunciada conforme ocorre a maturidade do mesmo. Desse modo, quando colhemos a planta no intervalo de 40 a 70% da linha do leite (~32 a 38% de MS) a vitreosidade (dureza) não foi aflorada. Portanto, comparar vitreosidade de grãos secos com aqueles macios para silagem se torna incorreto. 

Segunda razão: Vários estudos têm mostrado que a digestibilidade do amido se eleva com o prolongamento do tempo de conservação da silagem. Ou seja, se o silo permanecer fechado, por no mínimo 70-80 dias, a dureza do grão que existia será quebrada pelo processo fermentativo. 

Somado a isso, híbridos de grãos duros foram mais trabalhados pelos programas de melhoramento genético das empresas no Brasil. Portanto, são mais tolerantes as pragas e doenças (as doenças afetam muito o valor nutritivo da planta) e tendem a ser mais produtivos (massa e grãos). Estive na Europa recentemente e eles têm cultivado híbridos com grãos mais duros para a produção de silagem de espiga, pois a mesma deve permanecer no campo por mais tempo e, desse modo, o híbrido é mais tolerante as pragas da espiga. Em resumo: grãos duros é um problema para quem os utiliza seco, não para quem os ensila.

E os híbridos de grãos macios? Obviamente, se o mercado nos oferecer materiais que tenham tudo o que os híbridos duros possuem de positivo (aspectos agronômicos) e ainda tiver grãos macios, à um preço justo (lembrando que o custo da semente impacta diretamente sobre o custo da tonelada de silagem produzida), nós, produtores de silagem, podemos também cultivar este tipo de híbrido. Uma vantagem seria a oportunidade de colher nas fases mais tardias de enchimento dos grãos. Seria mais fácil para a colhedora romper os grãos, além de nos dar mais amido na silagem (grãos mais cheios). 

Cabe aqui um comentário importante (independentemente do tipo de híbrido): como o rompimento dos grãos durante a colheita é considerado fundamental, híbridos com grãos mais profundos (grãos maiores), teoricamente, teriam maiores chances de serem quebrados pela máquina.

Gostaria de ressaltar que o valor nutritivo dos colmos e das folhas (concentração e digestibilidade da FDN destes componentes) é mais importante para aqueles que produzem silagem de planta inteira do que tipo de grão (duro ou macio). A porção vegetativa (colmos + folhas) representa cerca de 60-65% da massa de silagem, ou seja, muito mais que os grãos (35-40%). Somado a isso, a fibra não deve limitar ingestão e deve fornecer energia para o animal.

Também cabe ressaltar que as características agronômicas são consideradas primárias e, aquelas relacionadas ao valor nutritivo (grãos e porção vegetativa), são secundárias para a escolha de um híbrido para silagem. Uma vez escolhido o híbrido, os produtores devem ficar atentos ao processo de confecção da silagem (da colheita ao fornecimento), principalmente em relação a colheita (quebra dos grãos), como foi comentado anteriormente.

Para finalizar, gostaria de comentar que nós estamos desenvolvendo um estudo por um período de dois anos (2 safras e 2 safrinhas) sobre os híbridos de milho para a produção de silagem no Brasil. Até o momento (primeiro ano), 45 campos foram amostrados. Ao final do estudo teremos mais de 100 campos. Este estudo nos permitirá ‘radiografar’ a real situação dos híbridos brasileiros mais utilizados para a produção de silagem em termos de produtividade (massa e grãos) e valor nutritivo. 

Somado a isso, nossos híbridos serão comparados com aqueles cultivados nos Estados Unidos, Itália e Alemanha com intenção de notarmos o quanto perto (ou longe) nossos materiais estão daqueles plantados em clima temperado (teoricamente possuem valor nutritivo superior).

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